quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Where is the Love? My love...

O mel do masoquismo...

Existe um fascínio mórbido pelo sal da despedida
que nos comove e envolve a todos...
Quer seja uma morte leve, ou breve,
mascarada de até já,
não há quem não lamba esse momento e não o grave
em trejeitos de voyeurismo...
Se andássemos de coração na mão,
seriam muitas as vezes que o deixaríamos cair no chão,
só para vermos o estrago feito...
Porque somos nós o primeiro prisioneiro
do nosso doce sofrimento...
Somos nós, o dependente agarrado, viciado
naquela dor que nos parte, quando alguém parte,
ou nos diz: Acabou...
O amor tem tantas faces, nem fazes ideia...
Passamos a vida inteira a tentar ser amados,
fingimos amar os outros, num servilismo interesseiro,
de obrigar alguém a retribuir algo que nem sabemos dar...
Porque o amor magoa e a mágoa assusta...
Custa admitir que somos egoístas de mais,
que nunca fomos capazes ou simplesmente audazes,
de conquistas heróicas,
porque conquistar implica possuir alguma coisa...
Nas nossas estóicas batalhas pelos corações alheios,
somos esgrimistas armados em falhas,
cheios de sonhos de moinhos de vento...
Lamento tanto...


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

I'm dreaming my life away... (Roy Orbison... Simplesmente único...)

O berço do sonho...

O sonho começa em nós...
No breve momento em que os olhos se viram para dentro,
roubando um pigmento ao céu e imortalizando a alma...
No leve tocar do amor num ocaso de loucura,
quando, por mero acaso,
descobrimos que existimos além-dor e além-nós...
Na voz que se eleva no cume das vontades e se impõe!
No lume de todos os desejos que nem os beijos aliviam...
O sonho começa em nós!
Na nossa imortalidade
e na condição de sabermos que a vida não dura para sempre...
Na mão que se alcança e não se cansa de lutar por pertencer...
Na lágrima mordida que se guarda para derramar outro dia,
enquanto se agarra o agora e se soltam os braços!
Nos passos que ousamos e damos, mesmo descalços...
O sonho começa em nós...
Na aurora de cada principio,
no entardecer de cada acabar...
Num terço de fé de uma prece qualquer...
No ventre que nos faz mulher, nos faz começo e nos faz leito...
O sonho começa em nós,
nasce connosco, torna-nos o que somos...
Mas também esmorece
em pena e respeito pelo que não fomos...




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

:))))

Três razoes lógicas para ser benfiquista: A razão natural: nascemos porque a mulher dá à luz, não dá ás antas nem a alvalade. A razão bíblica: dominarei os leões e os dragões e no céu voarei sobre as asas de uma águia. A razão teológica: Jesus Cristo encarnou, não azulou nem esverdeou! Se fores Benfiquista partilha esta mensagem tão cheia de verdade, se não fores... Deixa lá... Deus perdoa-te! (autor desconhecido)

Autofobia...

Bebi-te os lábios ébrios de sonho,
amurei na tua saliva cálida,
uma e outra vez, sorvi-te...
Houve um passado que nunca quisemos,
na espuma doce das palavras que nunca dissemos...
Hoje, ponho os olhos a secar,
no estendal das minhas virtudes,
na gélida madrugada de cada adeus,
não os deixo amarrotar muito...
E se tudo fosse diferente?
Se nos encontrássemos, de frente,
que conversa de circunstância surgiria?
Falaríamos do tempo? Das rotinas?
Das sinas que escolhemos,
das pessoas,
boas ou não,
com quem partilhamos a cama
e o chão que pisamos,
no conforto cómodo de cada dia?
Não...
Seriamos apenas mais um rosto familiar
na multidão,
talvez me pedisses perdão com o olhar
e eu já nem soubesse perdoar...
Talvez sorrisses e eu olhasse para o outro lado,
ou fizéssemos de conta que não nos vimos...
Houve um passado que já passou,
um pretérito perfeito ou imperfeito
que já não faz sentido questionar,
ou lembrar,
ou viver...
Um momento findo pelo tempo
que deixou de valer a pena,
com muita pena minha...






terça-feira, 9 de agosto de 2011

I even get lost in this song...

Quimeras...

Caminho devagar pelos sons da minha consciência,
tacteio a dormência da tua voz...
Perdemos-nos do voo das plumas e das aves,
somos espigas sós a perderem o trigo
no abrigo de um silêncio mórbido...
Nunca mataremos a fome aos sonhos,
o tempo come-nos devagar e as rugas nem pedem licença...
Não há pertença sem dor, nem amor sem pertença...
Os finais felizes jamais seriam finais,
por isso são mitos em que não acredito...
Seremos estranhos, numa manhã qualquer,
em que tudo estará longe demais
e pensarmos que nem existimos...
Desistimos...
Rendemos-nos ao comum, às vidas alheias,
às meias verdades, ao peso do chão...
Meras realidades baças...
Já não temos asas...
já não somos um...
Quimeras perdidas em fumo,
desvanecendo sem rumo,
morrendo.




terça-feira, 2 de agosto de 2011

O sonho mora aqui...

A queda dos anjos...

Houve um dia em que fomos o beijo húmido de um orvalho proibido... Entre todas as madrugadas amanhecemos os dias com promessas entrelaçadas em sonhos roubados ao tempo...
Cabíamos nas mãos um do outro, pertencíamos aos mesmos lábios e a todos os horizontes longínquos que foram descritos por escultores intemporais, como obras de uma vida incompleta, mas satisfeita...
Lambíamos, descompassadamente, os dias dos nossos encontros, entre risos e lágrimas de chuva, que floresciam nos sentimentos mais leves de um amor sem leis de física, escravo e senhor de uma química intensa...
Fomos o inicio e o fim dos nossos ciclos, numa repercussão interminável de entrega, pautada apenas por um desejo interminável, que se diluiu nas ondas salgadas e acres de praias desertificadas...
Tornamos-nos na areia volátil e solta, entranhada de medo que a saudade já nem conhece.