segunda-feira, 25 de julho de 2011

We let it slip away...

A lenda da espera...

Num tempo esquecido pela história, houve um amor intemporal que ainda vive na memória das pétalas dos sonhos...

Ele, um poeta perdido em demandas interrompidas, queria imortaliza-la em palavras, vestindo-a de metáforas e tocando-a em versos, ecoados por uma alma inquieta e frágil...

Ela, uma gota de chuva, numa força descontrolada e sensível queria apenas viver tudo, pois sempre soube que ia morrer cedo de mais... Amava-o além dela mesma e sabia que o amor é a imortalidade de tudo e a resposta que nos falta todos os dias...

Conheceram-se porque o amor é como a água e encontra sempre um caminho de proliferar e conquistar espaço, amaram-se imediatamente e descobriram que o imediato trazia recordações de outras mil vidas, onde sempre pertenceram um ao outro...

Ele tinha medo que o mundo não compreendesse e quis proteger o amor adiando-o para um tempo em que fosse possível serem felizes. Ela apenas queria que ele compreendesse que o amor existe quando tem de ser, uma dádiva acontece sempre no tempo certo e é arrogância dos homens pensarem que sabem mais que o Universo...

Ele pediu-lhe para esperar e Ela aceitou mesmo sabendo que o tempo não chegaria a tempo e quando ele voltasse ela não estaria à espera...

Devagar, cuidadosamente, preparou o mundo para que a união deles pudesse ser perfeita, beijou cada detalhe, desejando que dessa forma eles pudessem sempre felizes! Achava que esperar por Ela jamais seria tempo perdido e que iria recompensar tudo...

Ao longe ela definhava, dia após dia, com uma esperança infantil de que ele chegasse a tempo e o amor de ambos se compadecesse e permitisse que ficassem juntos pelo menos um instante, antes dela ter de partir... Um momento com ele seria uma eternidade de felicidade para ela...

Mas a vida sabia que ele não ia voltar a tempo e não valia a pena esperar, roubou-a, carinhosamente, transformando-a em lágrimas...

Ela pediu um único desejo, antes de fechar os olhos, que a morte dela transformasse o mundo em tudo aquilo que ele julgava necessário para que o amor deles pudesse ter sido perfeito...

domingo, 24 de julho de 2011

Tanto talento... Que menosprezo por um dom tão grande...

Vidro moído...

Já não me destilo em sonhos,
as promessas de outros alicerces,
de horizontes mais além,
já não me embelezam de suspiros...
A vida tem revezes que a razão desconhece
e retiro daí uma resposta semi-vaga,
que me alimenta de água com açúcar durante uns tempos...
Havia um cheiro almiscarado na tua pele,
mascarado de medo talvez...
Nos momentos que me sentia perdida
inspirava um pouco de esperança,
mas os pulmões insuflados de sonhos,
estão cansados de desilusões sucessivas...
As promessas foram um cristal frágil
que projectaste no chão e pisaste com a planta dos pés...
Nas conversas lascivas de tantas vezes
foste a impotência de ti próprio
e a desistência de tudo o resto...
Morremos, definhamos à mingua,
com a mesa posta ao nosso lado...
E eu... Olhei pela janela e vi um riacho de escolhas,
de águas ténues mas límpidas,
onde os teus braços já não cabiam...
Foste tu que me viraste as costas,
nunca houveram altruísmos debaixo dessas atitudes frias,
só te iludes a ti ao pensar que sim,
mas foi a covardia e o egoísmo que te embalaram,
mais nada...
O amor não vive em eufemismos de abandonos,
com máscaras de bondade,
morre sufocado, um bocado todos os dias,
apenas isso...
Um dia descobre que morreu tudo
porque não tens mais por onde sangrar...
Temos uma oportunidade de viver cada respirar,
porque o ar também se acaba...
Talvez tenhas feito bem,
eu não sei,
ninguém sabe, provavelmente...
A resposta já nem me interessa,
os motivos não me mastigam,
as perguntas já se vestiram de silêncio...
Eu aprendi a desistir contigo,
a minha promessa também já não faz sentido.
Cansei-me de mastigar vidro moído...

terça-feira, 19 de julho de 2011

'cause it makes me feel sad...

A teoria das cordas...

Desentrelacei-me muitas vezes,
esmiucei o meu interior à procura
de um amor que me completasse,
de uma cura milagrosa para a incompreensão...
Mas o amor não é um penso rápido impregnado
de um anti-séptico qualquer...
A solidão nasce em nós e a felicidade
tem uma chave que nos pertence...
Na verdade somos cordas independentes
que se enlaçam umas nas outras...
De comprimentos e texturas diferentes,
nascemos na mesma trave e buscamos as mesmas coisas,
desde que sejam só para nós...
Muitas vezes esgaçamos-nos, desfiamos-nos devagar,
na esperança de partilhar os nossos sonhos...
Depois, de fios soltos e frágeis, balouçamos as desilusões,
as frustrações, a indiferença que nos rasgou a força...
E descobrimos que não existem cordas iguais,
umas amam menos, outras amam mais e nunca se entrelaçam no mesmo sentido.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cause loving u means so much more! :)

Heritage...

Trilho o caminho por entre arrozais de incerteza,
nunca tive certezas absolutas de nada,
nem procurei essa firmeza translucida de espírito...
Acredito que faz sentido sermos humildes perante a vida,
aceita-la como uma bênção sem questionar demasiado...
Deixar rolar as lágrimas sem nos zangarmos com o todo,
ou nos sentirmos miseráveis...
Nunca me vitimizei, mas também nunca gostei de vitimas conscientes...
Há um lodo de desamor próprio que se agarra às pessoas,
as torna deploráveis, as deforma, minimiza e martiriza
em semi-coisas, com semi-vidas, em semi-mortes...
Eu nunca gostei de orlas de casas mortuárias,
gosto de estar viva todos os dias, mesmo quando chove...
Acho que os meus pertences cabem todos numa caixa de sapatos,
gosto de existir assim,
nada de metálico me prende,
nada de papel me move, nem me rende de joelhos a obediência cega,
podia recomeçar-me em qualquer lugar, se fosse preciso...
A minha entrega é a minha liberdade, não tem um formato fálico,
nem se deixa ludibriar pelo poder de ter seja o que for...
Chega-me este amor todo que tenho e ofereço
como adereço de maquilhagem a quem me rodeia...
Resta-me uma mão cheia de vento e de sonhos!
Resta-me saber que uma vida cheia de nada
é melhor sorte que uma morte cheia de tudo!

domingo, 10 de julho de 2011

É de pedir aos ceus... A ti, a mim e a Deus! Porque este amor é meu!

O cronómetro...

Lambo o gotejar do tempo,
esse amiúde suave que me prende na espera da saciedade...
Humedeço os lábios cheia de sede e peço
que o tarde...
Os segundos são um delicioso oxigénio liquido,
uma saúde aparente de tranquilidade que sufoca...
Sorrio, rio, brinco com as mãos em puzzles mentais
de peças indecifráveis...
E a paciência toca-me ao de leve, quase por acaso...
Tento dormir o mais possível a ver se os dias saltam,
mas acordo constantemente a ver se estás bem...
Só quero o tempo que nos cabe, nem mais, nem menos...
Não peço tudo, nunca pedi...
E tu sossegas como se entendesses...
Aninhas-te, sonhas, cresces em vontade!
E eu mastigo mais um ponteiro de ansiedade,
numa vitória de um dia!
Um dia tudo será irrisório e já nem me vou lembrar
do tempo agarrado aos meus dentes...
Mas hoje tudo me sabe a cronómetro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Se Strauss fosse bucólico...

Não quero saber a religião dos pássaros, a ideologia política das borboletas, ou a metafísica das nuvens…
Não quero saber os motivos rebuscados, ou taxativos, que envolvem a beleza à minha volta!
A poesia da liberdade não deve ser analítica, nem mover-se em metas concretas…
A natureza é fabulosa na sua simplicidade, no seu pequeno e imenso milagre de acontecer todos os dias…
Quero apenas existir e coexistir no seu seio, ser parte da arte elementar que a compõe,
estar no meio de tudo isto!
Tenho os meus guias espirituais, a minha fé e o meu amor que cresce e se transporta…
Um olhar que se importa pelo agora e que chora, sem vergonha, muitas vezes!
Vivo nas pedras de xisto lavadas pelos rios frios, nas penas sopradas das aves,
nas pétalas aladas de dança das borboletas, no algodão intocável e manobrável das nuvens!
Em tudo o que o meu coração alcança!

Um dia morrerei de pé como as árvores, não por orgulho, mas porque quero dançar a ultima valsa com o vento!