segunda-feira, 13 de junho de 2011

A entrega...

Os olhos de luz que atravessam o estore
da janela do meu pudor
despem-me, devagar...
Peça ante peça, a minha intimidade cai no chão
ante um semblante provocatório de prazer!
Escorrega-me pelos seios o tecido mordido
do meu tempo despido,
ansioso de me tocar mais abaixo...
Há um gemer de purgatório a lamber-me o ouvido,
como se a língua moldasse figuras em
esculturas de saliva fluída e quente...
E a vergonha morde a fronha da minha almofada
de razão...
Não se sabe conter, invade o espaço reservado
à reflexão e esfrega os dedos na nuca...
A entrega acontece!
Os medos fecham as persianas, acendem velas,
arrepiam a pele, devagar...
Como um soprar suave que se faz gradualmente...
As sombras são telas vivas de pintores incansáveis...
E o orgasmo açúcar em ponto espadana a crescer
no calor do abdómen...
Sussurrando que o Amor é um homem incompleto...
Implorando silêncio, compreensão
e um tempo que transpira pelo chão, ofegante...
A vergonha?
Essa perdeu-se, na minha mão
entre gestos e penetração ante a luz...
E hoje seduz o tempo de todas as escolhas!

1 comentário:

Rogério Paulo Peixoto disse...

Curiosa esta vida

Há tempo que procurava este assunto ou algo relacionado, pois meteu-se na minha cabeça que já tinhas abordado este assunto.Lembrava-me de o ter lido um dia, ( como sempre me lembro de muitas das tuas palavras).


Genial!!!