sábado, 18 de junho de 2011

... Até que fura...

A minha alma é a rocha que a chuva arranha...
Um entranhar de fluidez fresco mas afiado
que me rasga e esmaga a rigidez dos dias...
Talvez, num passado mais brusco,
entre o fusco da luz que se esbate e nos bate
de relance nos olhos virgens,
tu fosses a resposta às perguntas que nunca foram feitas...
(Desfeitas, talvez, na interrogação certa...)
Mas eu sempre gostei de afirmações
e caminhos bem delineados...
Calei os sinais de alerta demasiado tempo,
hoje não os posso ignorar, nem calar...
As minhas prioridades são roupas gastas
que renovei com amor novo...
E na minha incondicionalidade de amar
mais do que a mim mesma aprenderei a ser feliz...
Cada sorriso dela será o meu,
porque não sei ser de outra forma...
O presente toma-me nas mãos, beija-me cada dedo,
aconchega-me a roupa e liberta-me
do medo de estar só...
Desde que a sinto nunca mais me senti
sem ti, ou sem alguém...
Nunca precisei de um mundo muito grande,
apenas de um canto que fosse meu...
Doeu sempre olhar os outros que não me vêem,
mas os olhos servem para ver tudo...
Desnudo-me de mim, visto-me de sonhos e casas
cheias de correrias e gargalhadas escorregadias
e sorrio...
No fio ténue do tempo também a agua fura a rocha,
ainda que de inicio apenas a beije de frio...

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