terça-feira, 21 de junho de 2011

Your love is growing cold...

Escombros no luar dos dias...

Pudesse eu arrancar de mim o muito que tenho...
Distribuir pelos cantos mortos do mundo
esta vida toda que me move
e se comove com tão pouco...
Encerro em mim os segredos simples dos teus lábios...
Sábios monossílabos em jeito de afirmação
que tornam as frases irrisórias e supérfluas...
Amo com todas as forças que tenho,
vivendo a incerteza de saber de que me serve...
O desejo ferve-me a pele, tolda-me a luz dos olhos,
agarra-me nos braços, queima-me...
Mas o tempo vestiu-se e virou-me as costas,
não me quis amar, ou simplesmente não o soube fazer...
Resta-me Ser assim, senhora de mim, meio só,
meio cheia de multidão, rasgando passos na areia,
abrindo caminhos pelo chão...
Talvez tenha nascido com o sentido ingrato
de ser o espelho que espelha o mundo
mas que não se reflecte em lado nenhum...
E sigo...
Sem a costela que me falta num castigo de alegria aparente...
Ausente de mim e presente nos outros,
vasculhando lágrimas entre o pó e o sonho...
No fim seremos cinzas sem identidade e sem historia
que já não fazem sentido algum,
nem guardam a memória do que fomos...
Não vivemos, nem morremos, nem amamos,
nem edificamos nome entre os escombros imortais...
Somos, fomos, seremos, nada mais do que algo
que podia ter sido, mas não foi...
Uma casa inacabada, uma planície inerte,
um pantanal inanimado,
dois amantes que não amam...

sábado, 18 de junho de 2011

"When a lovely flame dies Smoke gets in your eyes..."

... Até que fura...

A minha alma é a rocha que a chuva arranha...
Um entranhar de fluidez fresco mas afiado
que me rasga e esmaga a rigidez dos dias...
Talvez, num passado mais brusco,
entre o fusco da luz que se esbate e nos bate
de relance nos olhos virgens,
tu fosses a resposta às perguntas que nunca foram feitas...
(Desfeitas, talvez, na interrogação certa...)
Mas eu sempre gostei de afirmações
e caminhos bem delineados...
Calei os sinais de alerta demasiado tempo,
hoje não os posso ignorar, nem calar...
As minhas prioridades são roupas gastas
que renovei com amor novo...
E na minha incondicionalidade de amar
mais do que a mim mesma aprenderei a ser feliz...
Cada sorriso dela será o meu,
porque não sei ser de outra forma...
O presente toma-me nas mãos, beija-me cada dedo,
aconchega-me a roupa e liberta-me
do medo de estar só...
Desde que a sinto nunca mais me senti
sem ti, ou sem alguém...
Nunca precisei de um mundo muito grande,
apenas de um canto que fosse meu...
Doeu sempre olhar os outros que não me vêem,
mas os olhos servem para ver tudo...
Desnudo-me de mim, visto-me de sonhos e casas
cheias de correrias e gargalhadas escorregadias
e sorrio...
No fio ténue do tempo também a agua fura a rocha,
ainda que de inicio apenas a beije de frio...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Somos eternos amantes, que não amaram mais nada...

Desperta(dor)...

Larga a minha mão,
desprende-te,
deslaça-te,
desAbraça-te de mim...
Vira a página, arranca a folha,
a escolha foi tua, crua e simples.
Os nossos dedos já não são
uma parte da mesma mão,
seguiram tactos diferentes...
Vira as costas,
segue em frente,
desaparece na multidão...
Dissipa o sabor do nosso Amor na boca,
esquece,
tudo é efémero e mais pequeno do que parece...
A entrega é relativa e mortal,
como nós,
afinal...
Nada dura para sempre,
nem a amargura...
Não olhes para trás porque eu já lá não estou
e o passado nem sequer existiu...
Fugiu ou desistiu de nós,
com o timbre da tua voz,
sem eco...
Amarás outra vez e talvez muito mais,
eu sei que sou capaz...
Somos leitos feitos para amar...
Faz de conta que foi um sonho,
que o despertador da dor, tocou
e que tivemos de acordar...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

But you'll be allright now Sugar...

A entrega...

Os olhos de luz que atravessam o estore
da janela do meu pudor
despem-me, devagar...
Peça ante peça, a minha intimidade cai no chão
ante um semblante provocatório de prazer!
Escorrega-me pelos seios o tecido mordido
do meu tempo despido,
ansioso de me tocar mais abaixo...
Há um gemer de purgatório a lamber-me o ouvido,
como se a língua moldasse figuras em
esculturas de saliva fluída e quente...
E a vergonha morde a fronha da minha almofada
de razão...
Não se sabe conter, invade o espaço reservado
à reflexão e esfrega os dedos na nuca...
A entrega acontece!
Os medos fecham as persianas, acendem velas,
arrepiam a pele, devagar...
Como um soprar suave que se faz gradualmente...
As sombras são telas vivas de pintores incansáveis...
E o orgasmo açúcar em ponto espadana a crescer
no calor do abdómen...
Sussurrando que o Amor é um homem incompleto...
Implorando silêncio, compreensão
e um tempo que transpira pelo chão, ofegante...
A vergonha?
Essa perdeu-se, na minha mão
entre gestos e penetração ante a luz...
E hoje seduz o tempo de todas as escolhas!

terça-feira, 7 de junho de 2011

I never meant to do those things to U...

Ultimo acto...

Já lambi lágrimas de mais...
Já as saboreei todas, as acres, as ácidas, as doces...
Temperei-as, demolhei-as, aromatizei-as com esperanças,
impregnadas de oregãos e noz moscada...
Disfarcei-as de gargalhada forçada
e tu, tu... Nem deste por nada...
Bebeste-as como um chá de menta, aconchegaste o ego,
fumaste um cigarro e falaste das vicissitudes do tempo...
Emprestei-te os meus olhos para chorares,
nem sei quantas vezes o fiz...
Mas foram, numa incerteza infeliz,
demasiadas vezes...
Devolveste-me os olhos sempre vazos...
Rasos de desilusões e mentiras,
cortados em tiras de escárnio e cansaço...
Agora passo o tempo a cola-los,
a tentar reconstruir o mundo que vivia,
no fundo de um olhar que te conhecia,
melhor que devia e deixou-se cair
num abismo de desconhecimento...
Tento perdoar-te e tento perdoar-me,
de te ter perdoado tantas vezes...
Reflicto, medito e riu-me do ridículo
que construímos juntos, entre tijolos,
telhas e projectos de arquitectos que eram umas bestas...
Tu, sorris...
Numa certa condescendência doce, irritante,
que transforma o meu sofrimento num espectáculo amador,
num sarau de lágrimas ensaiadas por uma professora de dança,
de meia idade que nunca entrou para o conservatório...
A minha dor é um palco improvisado num bailarico de Verão...
E tu... Sorris...
E eu fico no chão, de lágrimas em espargata,
rompendo os músculos do esforço,
porque me esforcei tudo o que pude...
Faço uma vénia, olho para ti...
Agradeço...
Desapareço entre a cortina da sina,
as lágrimas seguem-me, de mãos dadas,
cansadas da coreografia infeliz...
Agradecem e despedem-se...
E tu...
Tu... Sorris...