terça-feira, 31 de maio de 2011

Um miminho de um amigo muito querido que escreve maravilhosamente!! :)))

"As incandescências de Inês"

Dizia-se que Inês tinha um segredo. Um segredo

como têm os oceanos. Mas em vez de falar,

Inês escrevia. E escrevia sobre a areia

e sobre os rochedos.

Escrevia sobre o amor

sobre a luz

a dor

e a esperança. Nunca exprimia mais do que

aquilo que o seu coração podia sentir.

Mas as ondas que chegavam à orla

eram tantas e tão diferentes

que precisava de escrever

sempre mais,

e cada vez mais de modo mais perfeito.

Um dia, uma criança viu uma luz

que cintilava entre as algas,

uma luz que se movia como se fosse real:

uma mulher, uma molécula viva,

um orgasmo poético e sensível.

Era Inês - chamou-lhe assim – Inês,

que nome belo - pensou.

E todos os dias, a criança visitava a luz,

essa luz que fugia por entre os ventos,

as águas e as conchas,

por entre os rochedos e as areias, as dunas.

Era Inês que deixava rastos de palavras

que essa criança colhia em silêncio.

Quando se tornara mulher,

essa criança pensou que já tinha colhido tantas palavras,

que já tinha tantas memórias e tantos sentires,

que decidiu colocar uma por uma

organizadas e recortadas todas as palavras

sobre a brancura de um livro.

Percebeu ainda que essa luz não era mais

do que ela própria

sentindo

caminhando

fugindo de si para se encontrar.

- O meu nome de agora em diante, será Inês,

Inês Dunas.

E a luz no mundo nunca mais se apagou…

(Qual era, afinal, o segredo de Inês?)

Por: Ivo Brooks

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