segunda-feira, 23 de maio de 2011

SepulTUrA...

O meu coração hemofílico sangrou até morrer...
Esvaiu-se em Amor e destroços,
abrindo roços no meu peito desidratado...
Eu torci-o vezes sem conta para sorver a dor toda,
tentei arranca-lo antes que me arrastasse com ele,
desfragmentando os bocados envenenados de sentimento...
Sangrei-o, num ritual impiedoso e lento...
E ele olhava-me nos olhos receoso e traído
porque nunca me traíra...
Mas eu não suportava mais aquele sentir todo...
Transplantei-me de maus fígados e sobrevivi
sem os palpites do seu palpitar...
Não podia definhar com ele e por ele,
impus limites ou eutanásia aquele sofrimento vago.
Hoje trago os seus restos mortais numa caixa,
enterro-o sem gota de sangue, num túmulo estanque,
sepulto-o sem lápide ou oração...
Aqui jaz coração desconhecido,
morreu por ter vivido...

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