segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pobre Manta de Retalhos...

Perdi-me num lastro incandescente que me seguiu tempo demais...
Pensei que se deixasse migalhas dos meus sonhos, ao longo do meu percurso, as poderia seguir mais tarde... Mas o teu fôlego frio soprou as migalhas, despiu-as ao relento de pão e de corpo e deixou-as dispersas... Olhei para trás e já lá não estavam...
Num desespero hipócrita tentei refazer o caminho, mentalmente, remendei os trilhos dos sonhos, como uma manta de panos velhos, esburacados pela traça que teve a honra de os comer... Tentei encaixar a agulha da esperança no seu tecido comido, esgaçado, que adiei tanto tempo à espera do momento certo para os deixar acontecer...
A linha do perdão partiu-se e a agulha apenas estraçalhou, mais ainda, o que já não tinha remédio...
Eram migalhas, já não faziam sentido unir-se...
Eram retalhos de uma peça única que eu não respeitei, nem amei a tempo...
Eram estilhaços de sonhos que eu pensei sonhar mais tarde e hoje o tarde era afinal um tarde demais.

1 comentário:

Rogério Paulo Peixoto disse...

Eis que calcamos os mesmos trilhos incertos do devaneio da arte de bem escrever e mostrar como pode o abandono, fragilizar uma alma que busca tranquilidade.
Lêr-te é desejar escrever Infidelius, és incrivel no modo como me inspiras e me guias em tudo o que realmente eu preciso de escrevêr.
Musa inspiradora....

Sublinho:

Perdi-me num lastro incandescente que me seguiu tempo demais...
Pensei que se deixasse migalhas dos meus sonhos, ao longo do meu percurso, as poderia seguir mais tarde... Mas o teu fôlego frio soprou as migalhas, despiu-as ao relento de pão e de corpo e deixou-as dispersas... Olhei para trás e já lá não estavam...

Desde Enoah que busco estas palavras...

És fenomenal!