segunda-feira, 2 de maio de 2011

O sussurro das colheres...

Há uma curvatura subliminar nos corpos que se contorcem,
uma espécie de aurora boreal de formas que ecoa pelo tempo e pelo espaço..
Num passo ledo, lento, em angustia de pertença,
somos colheres vazias à procura de conteúdos doces!
Uma vaga diferença que se encaixa numa caixa de Pandora
que se abre agora, entre suspiros,
somos retiros breves um do outro...
Onde nos perdemos?
Porque sofremos separações precoces?
Esquálidos, leves...
Metais gélidos que aquecem em bocas alheias,
cheias de palavras por dizer
e arrefecem cedo demais...
Mais um contorno de aço sem braço que o percorra,
antes que morra num prato farto qualquer...
Somos colheres a colher um caldo a ferver,
humedecendo as línguas que nos provam,
emudecendo os sons que nos encontram!
A raspar o fundo de um sonho a sorver as ultimas gotas
que se deixaram ficar a desenhar
o fim...

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