sábado, 9 de abril de 2011

Meus senhores, silêncio por favor...

As pancadas de Molière abrem em solenidade
o palco onde me descalço e me dispo...
O publico nem respira, vira os olhos para o chão,
onde repousam as roupas quentes da minha dor...
O amor é um cenário triste que insiste em permanecer
ao fundo, moribundo, mórbido, mordido, marcado...
Entram as figurantes que se afiguram a mulheres,
cabelos longos, traços embriagados em silhuetas esguias...
As mão bandeiras de nacionalidades vazias
onde dormem soldados que morreram sem saber porque guerra...
Nelas se enterra o desejo que prometeste e esqueceste a seguir,
como enxada em terra infértil...
O meu corpo é a nudez dos teus princípios,
mostro-o ao mundo em nome do teu enxovalho...
Vendi-me por ti,
para que o teu preço fosse saldado
nas lágrimas que não mereço,
mas que me lavam em pudor e sal...
O amor é o chão pisado do palco,
frio,
sujo,
ignorado pelo publico entesado...
(De mãos enfiadas nos bolsos rotos
a simularem um nervoso miudinho
no acto satisfeito de tremerem...)
Tu foste cada uma das pancadas de Molière
ou de outro qualquer,
talvez de ti mesmo...

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