domingo, 3 de abril de 2011

Fio de prumo...

Lentamente...
Como uma fina gota de agua,
que se esgota na magoa gelada,
de uma parede inacabada...
Timidamente...
Como a sede que nos bebe
depois de um beijo
e que se faz voraz
num imprudente desejo
que não sacia,
que se vicia em si mesmo
e se repete e promete que a seguir pára
sempre que se recomeça
numa promessa disparatada...
Sofregamente...
Como a respiração de um pulmão doente
que não sucumbe
porque se ilude que vai melhorar
desde que não desista de respirar...
Numa conquista de respeito
pelo peito de quem ama...
Apaixonadamente...
Como chama que acaricia a labareda fugidia...
Imolando-se a si mesma
como resma de papel vegetal,
largando cinza transparente...
Desesperadamente...
Como lágrima colhida
pela dor incontida,
suplicando Amor...
Descendo o rosto devagar,
deixando um rasto vincado
de gosto salgado...
Gemendo nos lábios,
morrendo no queixo a tremer...

E a alma obedece...
O equilíbrio é um lastro...
O equilíbrio é um lastro cruel...
O equilíbrio é um lastro cruel a pender...
O equilíbrio é um lastro cruel a pender e a prender a razão que o coração desconhece...

1 comentário:

Lírio Lilas disse...

Que escrita!!!!
Belíssimo texto, minha querida!
Parabéns pelo novo look do blog. ADOREI!

Um beijo grande em ti!
Lila.