domingo, 20 de março de 2011

O filho do vento...

Prendi uma ultima imagem de um sorriso teu nas colinas da minha alma,
semeei-a ao vento para florescer livre...
Amei a terra que te acolheu, a chuva que te deu de beber,
porque perpetuavam uma nesga do meu sonho frágil...
Com calma, vi-te despontar, esticar o caule, como braços ténues
ansiosos de abraços deliciosos e quentes...
E sonhei com o dia em que déssemos as nossas sementes ao mundo...
Pensei que em algum pergaminho remoto do destino
estivesse escrito que pertencíamos um ao outro...
Noite e dia vivia à tua espera acariciando a terra com as mãos,
na ânsia que sentisses o meu amor
que de tão impaciente,se tornou paciente...
Alimentaste-te de mim e eu deixei,
porque era tua
e não fazia sentido ser sem ti...
Bebeste da minha essência, alimentaste-te da minha carne,
aqueceste-te nos meus cabelos...
Dormiste no meu colo muitas vezes
e eu nem dormia para te velar o sono...
Viste-me enfraquecer,
definhar, devagar...
Mas a tua sede era cada vez maior e a tua fome mais voraz
e eu pensava que quando se ama, faz sentido ser assim...
Tu crescias e eu morria feliz de te ver crescer,
se vivesses através de mim estaríamos juntos em ti,
pensava eu...
Mas tu querias viver mais, sem amarras, sem saudades,
sem promessas, sem mim...
Olhavas-me sem Amor, com vontade de partir,
revoltado por te sentires obrigado a agradecer-me...
O meu amor era agora a prisão de que te quis soltar
quando te semeei ao vento,
não eras feliz e a culpa era minha,
porque tinha te entregado o coração
e tu nem tinhas onde o guardar...

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