quarta-feira, 9 de março de 2011

Hipotermia...

Perdi a noção do cetim que se veste de saudade,
da sua maciez suave enquanto me desliza pelos dedos esguios...
Os meus lábios frios são tulipas tristes mordidas,
esquecidas no jardim perdido de mim...
Tenho medo...
Medo de acordar e o dia parecer-me confuso ou distante...
Medo de fechar os olhos e deixar de sonhar contigo,
ou de um dia pensar que tudo não passou de um sonho...
O instante já não nos chega e cega-nos devagar...
Um dia o tempo do teu dia não chegará,
nem a noite que me cabe dentro da noite...
O meu corpo será um peso morto na minha vontade
e o teu corpo esquecerá os meus contornos...
Sabe o tempo o que nos faz quando nos traz os desejos?
Falta-me passar a mão pelo teu rosto agora...
Mas a hora parte e não me leva à boleia...
Soltam-se bandos de beijos baldios a correr atrás de tudo...
Tenho medo que morram vadios vagueando pelas vagas dos desencontros...
Tenho medo que se cansem de correr...
Tenho medo de os ver morrer de mão estendida,
no Inverno da vida à espera da nossa Primavera...

1 comentário:

André Santos disse...

Gostei bastante deste texto em particular, devo dizer, que as palavras que usas são um suco muito agradável. Cada frase um ênfase recheado pela tua imaginação. Quero assim dar-te os meus cumprimentos pelo teu trabalho.

Atenciosamente
André Santos