quarta-feira, 16 de março de 2011

Exumação...

Sinto a fúria de mil lâminas a esventrarem-me a alma...
Dissecam-me devagar, sangram-me,
secam-me por dentro...
Sou uma carcaça asfixiada pela dor...
Estou cansada desta hiena de sofrimento sádico,
porque não me matas de uma vez?
Amor? O Amor não rasga os membros desta maneira...
Não vês que mais tarde ou mais cedo me esvaio entre os teus dedos...
Atiras-me as estacas inseguras dos teus medos,
feres-me a pele, rasgas-me o peito,
fazes-me leito de mortalha, urna de cinzas, jazigo de desconhecidos...
Perguntas se eu acho que o nosso amor preferia ser enterrado,
ou cremado...
E eu que só o ouço segredar-me, ao ouvido,
que gostaria de viver connosco,
sem entender porque tem de nos deixar...
E eu olho-o a chorar, porque sei que ele adoece,
fenece aos teus pés, desesperado,
cheio de dores...
E tu? Tu nem o viste morrer...
Estavas demasiado ocupado com a merda das flores...

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