domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pigarrear...

Lento o leito ledo que me acolhe,
onde se encolhe o meu peito e me quedo...
Lúgubre medo íngreme,
que me escala
em gume de navalha cega...
Lívida a palavra que se cala
na entrega submissa...
Mortiça a vontade que me invade e resvala
para a covardia vadia que me abraça...
Baça a vaidade que me perfuma
e se esfuma na minha derrota...
Morta a ousadia que já não canta,
nem trauteia em desgarrada
e se aquieta em enxovalho...
Meia cheia a coragem esvaziada,
mendigando trabalho, latindo aos cães...
Húmida a secura de um orvalho de terras amargas
de reis de espada erguida,
esgrimindo com sombras,
que tombam de joelhos...
Velhos os novos precoces que comeram as sobras dos dias,
e levaram coices da mula da vida...
Nula esta verdade e os chavões que
nos enchem de teorias e os motivos dos intelectuais
que as escreveram nas casas de banho publicas,
ou nos jornais, ou nos pacotes de açúcar...
PORQUE A VIDA NÃO SE APRENDE NOS LIVROS!!!!!

1 comentário:

Anónimo disse...

Havia um tempo de promessas vagas, de ideias erradas e pré concebidas.
Havia uma altura escolástica, em que a mulher, essa pobre criatura, era um objecto de adorno, de equilibrio apenas visual.
Era o periodo das operas e das operetas a meia luz cavadas no intelectual mesqueinho.
Mas eis que os anos avançaram e a bossa nova, trouxe a nostalgia de querer ser sentida, de querer ser mordida e quem sabe fud...
E a mulher ganha alento e se liberta e se entrega...
Mas afinal...
Faltaria ainda a Belle Epoque, para a consciência colectiva soltar num Jazz o infortunio de um dia poder ser tida...a Mulher.

genial!

Mefistus