terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A princesa da estrada...

Há muito tempo,
havia uma menina que corria nesses olhos,
mas, num dia qualquer, perdeu-se
e nunca mais soube voltar a casa...

Hoje as tuas íris são janelas abandonadas
em órbitas cansadas, sem sonhos...
Moras com as árvores,
mas nunca olhaste para elas...
Mulher-rosto que se veste de homens
que não a sabem despir...
Nos lábios o gosto de uma entrega fugaz
paga em sustento de um alento triste...
Pensas em desistir,
todos os dias,
nas manhãs sempre frias sem flores no travesseiro...
Mas a estrada chama por ti aos gritos,
lambe-te as feridas, afaga-te as dores...
E tu imaginas-te uma empregada fabril,
numa linha de montagem,
que nem olha para as peças,
só as sente e as encaixa,
para as esquecer logo a seguir...
Eles param...
Engoles em seco,
tentas sorrir,
queres agradar...
Talvez te olhe pouco tempo,
talvez não te pergunte muita coisa,
talvez tenha tomado banho de manhã...
Os teus olhos-avelã racham de angustia,
o corpo encolhe-se no invólucro...
Desejas que seja breve...
O teu corpo torna-se leve e a tua alma
agora, está lá fora,
agarrada às árvores a chorar...

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