domingo, 2 de janeiro de 2011

Afonia...

Há uma mudez triste nos pensamentos aprisionados,
uma névoa de grilhão pesado
que se abate e se esbate devagar
entre as lágrimas do meu silêncio…
Partiram-se todas as bússolas do meu sorriso,
num hemisfério de densidade fraca
que encolheu um tempo que agora corre aos soluços,
em impulsos trémulos,
raspando unhas negras no chão…
Havia um norte, algures…
Talvez a sul dos meus sonhos…
Onde me perdia de mão dada com a minha dislexia e ausência de orientação…
Pudesse eu saber o valor poderoso da voz que abandona a garganta
e teria beijado cada letra ao nascer
e amado cada som, graves agudos, tudo…
Agora, grito com a alma,
numa fúria inscrita no vazio,
nesta cegueira auditiva que me isola e assola este deserto de vontades…
Tenho fome de rir alto e frio de gritar fúrias…
Falo com os olhos e descubro que as pestanas sabem um código Morse
que nunca descodificámos, porque nos limitámos a olhar depressa…
E leio-te os lábios na esperança que queiras ler os meus…

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