terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Filos Sophia...

Gostava de ter o pulso firme da certeza,
aquele peso certo que não olha para os lados,
nem se distrai com interrogações filosóficas...
Mas existe uma Medusa nos meus ombros
e mil pensamentos que a dilaceram por minuto...
Vasculho escombros do luto de mim mesma,
esfrego as minhas cinzas, tento reinventar-me...
Encontrar-me numa esquina e falar do tempo...
Refazer mentalmente o caminho que me trouxe
a tantos labirintos...
Mas apenas descubro que não deixei pegadas
sinalizadas por onde passei,
a areia do tempo apagou tudo...
e se havia um fio
agarrado ao inicio o nó deslaçou-se...
Há um negro lodo mudo que me grita
sem voz e ecoa sem repetição
que me enlouquece e entorpece a razão...
O amor não é cura de todos os males
mas talvez a origem do egoísmo dos homens...
Quando aprendi a ser egoísta?
Foi ontem à noite enquanto lavava os dentes?
Ou tinha uma projecção cor de rosa de mim própria
colada em todos os espelhos,
que teimava em enfeitar de sonhos altruístas?
Apetece-me rapar o cabelo e passar o resto da vida
a meditar sobre o universo,
esquecer-me do verso e do sonho e de onde ponho
esta loucura toda...
O meu tempo passa,
o cabelo embranquece e o medo permanece igual
sussurrando ao ouvido:
No final tudo morre sem sentido nenhum...

1 comentário:

Anónimo disse...

tenho sido uma seguidora desnaturada...
é sempre bom ler-te simplesmente quando ando por aqui fazes m reflectir ainda mais...ADOREI
bjos da tua amiga Lili