sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Temptation strong...

Pica...

Ele passou por ela, calcando a terra com a força que lhe era característica, nem a olhou nos olhos, nem a olhou sequer…
Ela tinha aquela inocência perigosa que se adivinha gostar de amar e mesmo sem o saber, porque nunca tinha olhado o mundo com a atenção de o saborear entre as pernas, sentiu-se estremecer por dentro… Sentiu um rubor permeável a atravessa-la de cima a baixo, como se cada poro da sua pele fosse um pequeno tentáculo com uma língua saboreando o cheiro daquele homem no ar… Fechou os olhos, abriu as narinas, arqueou as pernas involuntariamente, esticou os braços e deixou o cabelo beijar-lhe as costas… O seu corpo era uma panóplia de sinais de trânsito intermitentes, tremia com cada foco de luz e deixava escapar sons que eco-localizavam cada passo que distava a distância da figura masculina, como se houvesse um chamamento primitivo de acasalamento em cada gota do seu lago morno que se acendia agora num paraíso adivinhado…
Numa fracção de segundo ele pára, permanece estático como se tivesse recebido os sinais endomorficos emitidos pela coreografia das sensações do corpo dela…O desespero desejado daquele possível encontro provoca uma explosão na fragilidade das suas linhas delicadas. Sem forças, cai no chão de joelhos, raspa as unhas na terra que ele tinha pisado, tentando puxar o caminho dele para si, numa angustia irracional e descontrolada… Tentando devorar aquele espaço que os separa e sentir-lhe o sabor ao lamber-lhe as pegadas…
Mas ele nem a vira, continuou, calcando a terra da sua fuga, rumo a outros braços talvez… Alheio aquele amor inexplicável, sem amar o olhar adolescente que se maturava nesse momento na idade adulta.
Partiu, calcando a terra com força, a força que ela perdia a cada passo que os afastava…

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Take me back in time...

Filos Sophia...

Gostava de ter o pulso firme da certeza,
aquele peso certo que não olha para os lados,
nem se distrai com interrogações filosóficas...
Mas existe uma Medusa nos meus ombros
e mil pensamentos que a dilaceram por minuto...
Vasculho escombros do luto de mim mesma,
esfrego as minhas cinzas, tento reinventar-me...
Encontrar-me numa esquina e falar do tempo...
Refazer mentalmente o caminho que me trouxe
a tantos labirintos...
Mas apenas descubro que não deixei pegadas
sinalizadas por onde passei,
a areia do tempo apagou tudo...
e se havia um fio
agarrado ao inicio o nó deslaçou-se...
Há um negro lodo mudo que me grita
sem voz e ecoa sem repetição
que me enlouquece e entorpece a razão...
O amor não é cura de todos os males
mas talvez a origem do egoísmo dos homens...
Quando aprendi a ser egoísta?
Foi ontem à noite enquanto lavava os dentes?
Ou tinha uma projecção cor de rosa de mim própria
colada em todos os espelhos,
que teimava em enfeitar de sonhos altruístas?
Apetece-me rapar o cabelo e passar o resto da vida
a meditar sobre o universo,
esquecer-me do verso e do sonho e de onde ponho
esta loucura toda...
O meu tempo passa,
o cabelo embranquece e o medo permanece igual
sussurrando ao ouvido:
No final tudo morre sem sentido nenhum...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Porque o Amor é a sombra que nos segue...

Abre-se a hegemonia da tua sombra,
desce pelos degraus do desejo...
Solta-se uma das linhas que nos prendia,
como de um silencio rasgado se tratasse...
Breve, leve entreabrem-se os lábios frios,
num beijo em segredo...
Solto, envolto na fragilidade macia de medos vazios...
Tudo em nós é transitório ,mas envolvente.......
Porque a mortalidade é somente uma palavra que corrói a nossa esperança...
Dormência...
Ausência...
Purgatório de leitos desfeitos por dedos ansiosos
em lutos intermitentes de caricias...
A adolescência em ti apesar de tudo (ontem)...ainda me dói,
nesses lábios orgulhosos que me mastigam as lágrimas...
Sentimentos que brotam diminutos apesar do desencanto da geografia...
(Sei que é na grafia do teu corpo que me abandono...)
Movimentos, gemidos, mutações,
derramo sobre ti o silêncio do meu eterno orgasmo.....TU!!!!!
As emoções são ecos de um tempo cru,
e os teus braços dias de sopro num marasmo efémero de pertença...
Não sou dia ou noite,
Não sou grito nem choro.... mas .....ESTOU AQUI!!!!!
Diante de ti...
E tenho nos passos do teu encontro a verdade de mim mesma...
Somos o centro do nosso prazer em expoente infinito,
onde se comove o suor que te escorre nas costas...
Na lacrimosa fonte onde se move o horizonte dentro de tuas pernas.....
Dentro do teu corpo , gemo, arfo........
Dentro de ti até a mim.... me é permitido SER!!!!!!
Onde fluidos teus abrem o mar por onde os meus dedos passam....
Existem seios de planetas e super-novas de prazer que nasceram em universos limitados pela tua mão..
Há uma via-láctea que nasce em cada gemido mordido,
uma razão que se arqueia e se ajoelha ao nível da tua luxuria
e cobre os olhos enquanto se lambe...
Anseio em minha boca essa tatuagem que em mim se exclui mas tão bem te completa......
O sabor almiscarado da tua pele, na saliva-mel da minha língua...
Quero ouvir tremer essa voz rouca que me rasga a roupa,
enquanto geme o meu nome cheio de sede...
Sentir o peito quente contra o frio de uma parede,
quando investes violentamente e te contorces,
enquanto torces um novelo dos meus cabelos entre os dedos
e te vestes do meu cheiro...
E finalmente sermos nada mais que sombras cansadas que padecem abraçadas
e jamais se repetem....

(I.D. e S.T poema escrito a duas mãos)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Porque escrevo?

Escrevo pela necessidade,
por se entranhar em mim esta agonia de gritar
a s-o-l-e-t-r-a-r as palavras todas, com fúria e animo…
Pela vontade de rima-las e acasala-las entre elas,
de as fazer gemer num prazer mordaz de se encontrarem através de mim…
(em vez de ser ao acaso, num metro, ou na fila de um banco,
com a senha 432 na mão…)
Escrevo por amor às letras,
gosto de as beijar,
de as morder,
de as deitar no chão,
de as encostar à parede
e as lamber devagar,
enquanto sussurro que as amo, ao ouvido
e que só com elas consigo sentir-me assim…
Escrevo pela vaidade,
Porque saber que me lêem é uma masturbação constante do ego cego
que me alimenta e atormenta com apetite voraz…
(porque o ego quer sempre ser mais e melhor e maior, não tem limite
e se tem não o aceita…)
Escrevo pelo fim,
pelo instante em que termino um verso e me dá vontade
de fumar um cigarro e depois me lembro que nem fumo…
Por encontrar o meu fio-de-prumo nestes desabafos
que são abafos doces de uma dor que me acompanha sem correr…
Pela emoção da partilha de mim com homens e mulheres que não conheço,
mas que me querem conhecer…
(porque me bebem na escrita
e sabem ao que sabe a minha voz aflita, ou virada do avesso…)
Escrevo pelo verso e pela estrofe e pela figura de estilo
e pelos poetas mortos que me fervem no sangue e nos sonhos…
Escrevo por leviandade pura, por consciência,
Pelo ponto de exclamação deitado em lágrima de reticência…
Pela virgula separatista, pelo ponto final estanque,
Pela interrogação constante e masoquista…
Pelo momento efémero, pelo amor eterno,
por sentir e consentir que sinta…
Escrevo…

(se devo ou não, não sei dizer…)
Escrevo porque tem de ser…

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O nome é Meyra, o talento imenso... :)))

Un moment entre les autres...

J'embrasse tout l'espace,
entre l'air qui passe de mon desir
a ta main chaud...
Mon âme léche tes dos,
ecrit des mots
en pinceaux de doigts perdues...
J'embrasse le chemin foux de ton plaisir...
Mes genoux entre une visage a fuir en sable...
Ensemble...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Some of them want's to abuse you...

Porque me entristeceu...

Há dias saiu uma noticia que relatava o homicídio de um homem de 65 anos, homossexual assumido, alegadamente cometido, por um rapaz de 21. Resumo a noticia a esta frase porque, a meu ver, não está em causa quem é um e quem é outro, nem me parece de extrema relevância se são figuras publicas ou não.
O que acho sim, importante, frisar é que o alegado homicida confessou ter espancado a vitima durante uma hora com pontapés e murros e ainda ter usado um saca-rolhas para lhe mutilar um olho e os genitais.
Compreendo, obviamente, que a família e os amigos do rapaz o tentem defender, proteger e até mesmo ilibar. Por muito horrendo e bárbaro que tenha sido, alegadamente, o acto deste rapaz é normal que existam pessoas que o amem e o vejam (ou não consigam sequer ver ou imaginar) para além do crime. E jamais seria leviana para tentar imaginar que faria eu se estivesse no lugar daquela mãe, ou daquela irmã, logo não me cabe, de forma alguma criticar, ou julgar a sua determinação.
O que me entristeceu, de facto, foi aperceber-me, em virtude deste crime, que ainda existe tanta homofobia e tanto ódio gratuito...
Tenho assistido a comentários de pessoas, que afirmam que a morte foi merecida, não pela vitima ser, eventualmente, má pessoa, mas por ser homossexual...
Pensava eu, na minha ridícula inocência, que a evolução nos tinha ensinado alguma coisa e que a idade das trevas, onde se atiravam pessoas para as fogueiras por terem convicções diferentes, estava longe...
Afinal as trevas mantêm-se e a ignorância e intolerância também...
Eu, heterossexual assumida, confesso-me chocada e envergonhada...
Mais, perdoem-me os susceptíveis, mas acho que tanto ódio, em muitos casos, só pode significar que há muita gente a reprimir os seus instintos e que vivem mal consigo próprios, porque já dizia o ditado, quem não deve não teme...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Somos eternos amantes, que não amaram mais nada...

(Des)Encontro...

Chegaste na brisa que lava os rostos cansados…
Trazias dois dedos de sonhos nos lábios,
nos olhos gaivotas,
fazendo razias, lambendo salitre,
em mares espelhados e imensos…
Nos ombros tensos o peso de um mundo
que tombou por amar demais…
Nos braços,
abraços mordidos,
contraídos, escondidos a chorar…
Perdi-me no teu olhar…
Visitei cada assoalhada das tuas magoas,
acariciei cada porta da tua gargalhada,
sem ter coragem de entrar de rompante,
espreitando vacilante,
pelas brechas da tua tranquilidade intranquila…
Bebi cada nota da tua voz,
Lambi cada lágrima da tua alma sibila
que me enfeitiçou e aprisionou, tão livre…
Fomos nós e fomos nossos em salas cheias de gente…
E fomos sós,
por receio de pertencer ao amor que sempre pertencemos…

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Só para afastar esta tristeza...

Hipopotomonstrosesquipedaliofobia...

As palavras são espadas afiadas que me ferem muitas vezes,
há uma angustia que cresce no brilho da sua lamina...
Pudesse eu não amar tantos as palavras,
pudesse eu,
não as respirar desta maneira sôfrega,
ou ignorar o significado que guardam...
As tuas, nascem assim, displicentes, nuas.
envolventes...
Pudesses tu entender o seu poder,
a sua dureza de marfim quando as atiras contra mim...
Nasceste a precisar de muitos colos,
sem saberes amar nenhum...
E eu nasci para pertencer a um...
Não se muda o curso da palavra,
porque mesmo muda, ela pensará no seu destino...
E a escrita deve ser livre...
Não se prende de linho uma chama,
mesmo que chore labaredas de remorso...
E as palavras são chamas
em camas vazias,
de lençóis perfeitos cheios de medo,
desfeitos em segredo...

Hoje as minhas morrem sozinhas...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

There's a heaven above you...

A princesa da estrada...

Há muito tempo,
havia uma menina que corria nesses olhos,
mas, num dia qualquer, perdeu-se
e nunca mais soube voltar a casa...

Hoje as tuas íris são janelas abandonadas
em órbitas cansadas, sem sonhos...
Moras com as árvores,
mas nunca olhaste para elas...
Mulher-rosto que se veste de homens
que não a sabem despir...
Nos lábios o gosto de uma entrega fugaz
paga em sustento de um alento triste...
Pensas em desistir,
todos os dias,
nas manhãs sempre frias sem flores no travesseiro...
Mas a estrada chama por ti aos gritos,
lambe-te as feridas, afaga-te as dores...
E tu imaginas-te uma empregada fabril,
numa linha de montagem,
que nem olha para as peças,
só as sente e as encaixa,
para as esquecer logo a seguir...
Eles param...
Engoles em seco,
tentas sorrir,
queres agradar...
Talvez te olhe pouco tempo,
talvez não te pergunte muita coisa,
talvez tenha tomado banho de manhã...
Os teus olhos-avelã racham de angustia,
o corpo encolhe-se no invólucro...
Desejas que seja breve...
O teu corpo torna-se leve e a tua alma
agora, está lá fora,
agarrada às árvores a chorar...

domingo, 9 de janeiro de 2011

The perfect romance...

Óleo sobre tela, pastel sobre papel...

As sombras dos nossos desejos
são um estojo de maquilhagem...
Adornam a imagem alva do tempo
e tingem de sonhos quem passa...
O mundo é uma tela de Rembrandt,
alternando o oleo e o pastel,
num retratismo paisagístico de almas em argamassa,
prontas a ser esculpidas por um beijo de Bandinelli!
O nosso brilho depende apenas da incisão da luz,
a esperança é um pincel que nos toca e embeleza...
Não há a certeza de um mata-borrão que nos emende,
nem de uma moldura que nos prenda numa parede intemporal...
Só temos um quadro, onde pintamos o nosso caminho...
Podemos misturar as cores, o purpura das paixões,
o celeste dos sonhos, o cobre do nosso chão...
Ou então fazer um abstracto cheio de amarelos e roxos
que nos surpreendam de aventuras...
Mas no fim, fica a obra singular de nós proprios...
Aquela que nunca se repete, numa tela sem copia...
Num cavalete onde nunca mais nascerá outra igual...

O meu corpo é um cavalete sem tela,
à espera que nasça arte, na parte vazia que me falta...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Querer ou não Crer...

Demoro-me mais na sombra do meu obscurantismo,
entre os anjos selvagens à solta nos meus olhos...
Queria despir devagar um sonho de cada vez,
pausadamente,
apreciando-o,
desejando-o num erotismo quase masoquista,
refreado por um amor maior...
Mas engulo as minhas utopias todas com o leite,
de manhã,
enquanto mastigo os meus desejos secretos,
enrolados no pão com manteiga...
Não há tempos para romantismos pausados,
a vida passa depressa,
sempre com pressa,
não se deixa saborear, numa caricia meiga e profunda...
Ontem queria crescer,
hoje nem tenho tempo para morrer depois do almoço,
porque já tenho coisas combinadas com o stress...
E corro e corro e corro e corro e corro e morro,
tantas e tantas vezes na praia de objectivos
aos quais nem tive tempo de oferecer adjectivos que os qualificassem...
É um rebanho que nos veste la fora, a lã não é nossa,
nem nos aquece, mas é a lã que nos veste...
Eu quero.
Tu queres?
Ele quer
, mas nem sabe o quê...
Nós queremos, porque os outros querem...
Vós quereis, mas não ousam querer...
Eles querem ser diferentes, mas nem são iguais a eles próprios...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Aurea é o nome desta menina portuguesa e de facto o seu talento é valioso... :)

Afonia...

Há uma mudez triste nos pensamentos aprisionados,
uma névoa de grilhão pesado
que se abate e se esbate devagar
entre as lágrimas do meu silêncio…
Partiram-se todas as bússolas do meu sorriso,
num hemisfério de densidade fraca
que encolheu um tempo que agora corre aos soluços,
em impulsos trémulos,
raspando unhas negras no chão…
Havia um norte, algures…
Talvez a sul dos meus sonhos…
Onde me perdia de mão dada com a minha dislexia e ausência de orientação…
Pudesse eu saber o valor poderoso da voz que abandona a garganta
e teria beijado cada letra ao nascer
e amado cada som, graves agudos, tudo…
Agora, grito com a alma,
numa fúria inscrita no vazio,
nesta cegueira auditiva que me isola e assola este deserto de vontades…
Tenho fome de rir alto e frio de gritar fúrias…
Falo com os olhos e descubro que as pestanas sabem um código Morse
que nunca descodificámos, porque nos limitámos a olhar depressa…
E leio-te os lábios na esperança que queiras ler os meus…