quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Porque toda ela é poesia! :))))

Arco-Iris...

É simples dizer-te que te amo,
e é tão fácil concretizar este sentimento
a cada instante...
Amo-te muito mais e muito além de mim
e beijo as mãos das dores que te trouxeram
numa gratidão sôfrega...
Existem cores por descobrir no teu sorriso,
tons que ninguém baptizou, ainda,
mas que perfumam o teu semblante...
Sento-me diante do teu tenro percurso,
espectadora de uma curta metragem deliciosa,
à espera das sequelas todas, orgulhosa de mim própria!
Cada desenvolvimento é um alento novo,
um carro de gelados cheio de sabores inesperados!
Cada dia uma alegria melhor do que a anterior,
onde conquisto a tranquilidade que me faltou sempre
e me disto dos fantasmas que me assombraram tanto tempo...
Chamar-te amor até me sabe a pouco,
porque já chamei tantos amores desta forma
e tu superaste tudo e todos...
Talvez o incondicional tenha sido inventado para ti,
para te fazer justiça como mereces!
Olho-te, enterneço-me, esqueço-me dos cinzentos
e dos dias de chuva e tu simplesmente,
adormeces no meu colo, numa inocência mais sábia que tudo...
Trouxe-te ao mundo e tu trouxeste-me o mundo todo
num sorriso,
nesse riso que arriscas cheio de cores por inventar,
cores sem nome, tão tuas,
que me pincelam as ruas da esperança!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Take my hand, take my whole life too!

A (O) que sabe o amor?

Existe um chilreio de esperança na alma cansada dos sonhos...
Um canto celeste que nos dá os bons dias de manhã
e nos lembra da amplitude do mundo, lá fora!
Há uma aurora que se perde muitas vezes, uma alvorada atrasada,
que nos deixa à espera de pijama,
sem vontade de sair da cama da derrota, que esgota as forças do recomeço...
Ás vezes também me esqueço de ligar o desperta(dor) e não estremeço como devia...
E o amor descalça-se e sai, sem fazer barulho,
para não incomodar mais...
Existem dias de luto, que mais parecem noites cerradas,
quando dançamos com as sombras angustiadas do nosso ser,
a valsa é uma auto-comiseração que desliza pelo nosso salão de baile,
que nos segue, mesmo quando lhe largamos a mão,
com um sorriso de Mona Lisa que acompanha e perturba...
O amor derruba todas as barreiras?
Não.
Dá-nos apenas um impulso para podermos saltar,
mas não nos pega ao colo, nem as torna mais pequenas...
A vontade depende sempre de nós...
O amor é uma voz imparcial, não obriga, nem permite,
nem impede lutos ou alvoradas...
É uma dádiva que escolhemos na nossa vida, ele não impõe a presença,
nem se deixa roubar...
Vive naquele chilreio das manhãs, às vezes deixamos que nos acorde,
às vezes nem reparamos na sua existência...
Passamos a vida a esperar por ele e a desdenhar o seu valor...
Pobre amor, tão mal compreendido,
sempre fez o melhor que soube...
Sabe tão pouco e a tão pouco...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O meu amor ja tem 2 meses! :)))

"Ser mãe é pêra doce, mas temos que ter dentes fortes" Crónica 2 "Cocós... Uma paleta cheia de cores!"

Quando eu pensava em ter de mudar fraldas à Inês, estava longe de imaginar que existe uma doutrina quase, na arte de interpretar os cocós... Para mim um cocó era apenas isso mesmo... Um cocó... Mas não, afinal era uma grande ignorante e nem sabia!
:o)
Claro que já sabia o que era o mecónio, o primeiro cocó dos bebés, claro que entre o saber que existe e vê-lo, ao vivo e a cores vai alguma distância!
O mecónio (há quem chame ferrado) é uma espécie de mousse de esparregado, um creme espesso, num verde muito escuro que se agarra ao rabinho deles e dura alguns dias quando nascem... Sei que hoje já não olho para o esparregado sem me lembrar dos primeiros presentinhos da minha filhota!Sei também que existe uma magia qualquer em ser mãe porque nos faz ficar felizes cada vez que eles fazem cocó, é um bocado pateta, eu sei, mas dou comigo a dizer:
-Boa filha deste um pum!
(E fico toda contente por aquele feito da pequenota!)
Ou então:
-Isso filha faz força, grande cocó filha!
(Quando a vejo a ficar vermelhita e a fazer sons do género: ahhhhhhhhhh!!!)

A verdade é que não tenho nenhum fetiche por fraldas, mas um verdadeiro pânico das cólicas... E se ela faz cocó à grande, é sinal que terá menos cólicas nesse dia, ou nem as terá de todo!
E as cólicas são um pesadelo... Ela chora, contorce-se, grita e eu sinto-me a pessoa mais impotente do mundo... :((((
Treina-se 30 mil maneiras diferentes de lhes pegar a ver se passa, faz-se massagens, tentamos ajuda-los a fazer puns, mas aquilo dói à mesma e eles sofrem imenso...
E nós sofremos de os ver sofrer...
O mais surpreendente é que passam as cólicas e ela sorri, como se não tivesse tido nada!
Os bebés são uns valentes, ao pé deles somos uns mariquinhas porque eu, quando tenho cólicas, mesmo depois de passarem, fico como se tivesse sido atropelada por um camião cheio de mamutes...

Agora estamos na fase do cocó amarelo, este cocó é um sabidinho escapadiço, porque de quando em vez, consegue fugir da fralda, ora sobe pelas costas, ora desce pelas meias... Ás vezes evade-se mais do que uma vez por dia, o safado e agarra-se à roupa com unhas e dentes...
:)
A Inês deve adorar este cocó fugitivo, porque sempre que isto acontece ela ri-se muito, deve ser quentinho...
:O
Ou então é de ver a minha expressão de incredibilidade quando vejo o que aconteceu...
:O
Há uma semana conhecemos uma nova "raça" de cocó, o verde com excesso de lactose, ora eu quando vi aquele ilustre desconhecido, na fralda da Inês, resolvi ligar para a Saúde 24 (ao menos aí não me vêem, sempre que pergunto alguma coisa estúpida)e perguntar se este cocó novo e verduxo era normal. Aí começou um novo drama na minha vida e da Inês que se arrastou por longaaasssss 24 horas!!!
Ora na Saúde 24, depois de um exaustivo inquerito onde inclusive me perguntaram se eu tinha deixado cair a Inês (deixar cair os bebés provoca cocó verde???), chegaram à conclusão que era excesso de lactose, ou seja:
Supostamente, a Inês estava só a mamar o primeiro leitinho da mama, sem chegar ao outro e esse leite é mais rico em lactose, isso provoca, supostamente, mais colicas e esta coloração nas fezes... E aconselharam a retirar com a bomba esse primeiro leite e só dar a mama a seguir.
Isto faz sentido certo?
Faz! Claro!
Eu meti logo em prática, confiante que a Inês ficaria boa num instante (só que a Inês não parecia estar mal, estava bem disposta e já nem tinha cólicas há 3 dias...)
Começou então a saga:
A Inês chorava com fome e eu pegava na bomba e freneticamente (porque entretanto ela estava a chorar com fome, certo?) retirava leite da maminha que lhe ia dar e não, não podia tirar leite antes dela ter fome, porque aí produzia mais e la mamava ela o suposto leite!!
A Inês chorava, chorava...
:'(
Incrédula por me ver a tirar o leitinho em vez de lhe dar logo a mama e depois irritava-se quando lha dava e gritava porque o leitinho não fluía, como era habito ( o segundo leite é mais espesso e dificil de extrair para o bebé)...
E depois era difícil perceber quando devia parar a extracção do leite, porque a mama não tem um nível, nem uma campainha que toca ou avisa quando chegamos ao outro leite... Certo?
O pior:
Começou a ficar presa dos intestinos, o cocó vinha mais espesso e mal fez nesse dia, resultado:
CÓLICAS MONSTRO!
E de 3h/3h o martírio de extrair leite enquanto ela chorava de fome e depois ela a gritar porque o leite não vinha como era habito...
Ao fim de 24h, que me pediram na saúde 24 para aguardar e ver se o cocó voltava ao normal...
Liguei para o centro de saúde, atendeu-me a enfermeira Susana, um amor, expliquei tudo o que estava a acontecer, ela deixou-me falar até ao fim (mas devia estar a tapar o telefone com a mão e a rir-se, do outro lado...)e disse-me aquilo que eu e a Inês, mais queríamos ouvir:
-Dê a maminha normalmente, sem retirar leite nenhum, se só a cor do cocó mudou mas a bebé está bem, não se preocupe que logo a cor volta ao normal, ás vezes a cor do cocó muda sem haver problema nenhum!

Assim fiz, confesso que apesar de aliviada por acabar aquela pré-ordenha-stress, com algum receio de que houvesse algum problema e o cocó não voltasse ao normal e habitual, amarelinho...
Mas, eis que rapidamente normalizou e voltou ao belo cocó escapadiço que se agarra aos bodys e às meias da Inês!
E la continuo eu:
Boa filha! Grande cocó!!
:)))


Crónica anterior:
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Chuva ácida...

Há um sabor a chuva na noite dos teus olhos,
um gotejar de lamento ácido,
que corrói as palavras e as rasga numa dor contida...
Talvez tenha sido um tormento efémero,
infantil, imaturo, ridículo até...
Um amor de verão que começou porque estavas receptivo
e te apetecia devorar o mundo em gargalhadas,
mas não terminou sem te trazer a noite...
Perdeu a beleza pueril de construir castelos na areia molhada
e hoje é um sofrimento puro que te veste da cabeça aos pés...
Sim. Amaste.
A pontuação já explicou tudo.
Terminou, como terminam as férias grandes dos miúdos...
Passou a correr e tu ficaste para trás,
encolhido, cheio de medo, cheio de vazio...
E o frio abraçou-te e choveste e desfolhaste-te
e hibernaste dentro de uma concha, ou de uma caverna sem luz...
A espera de uma Primavera que nunca veio,
que se atrasou a ver as flores à janela e se esqueceu de ti...
Houveram gestos de promessas que não fizemos,
que comeram os restos que ficaram no prato das frustrações...
E aqui jazem as migalhas das ilusões todas,
entre a chuva que escorre por ti abaixo,
debaixo do olhar de tanta gente,
que não sente o sabor a amor nos teus olhos...

E a todos Um Feliz Natal!! Este p'ra mim vai ser muito especial! :)))

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Xeque-Mate...

A vida é um tabuleiro de xadrez...
Seguimos nas quadriculas negras,
num caminho que está longe de seguir a direito...
Presos a regras efémeras, caímos muitas vezes
nos tanques cúbicos de água...
Nascemos peões felizes querendo experimentar o mundo,
atingimos a maioridade num galope ambicioso...
Somos apresentados à magoa e à desilusão e descobrimos
que somos torres edificadas de resistência,
mas vulneráveis aos sismos da vida...
Como bispos aprendemos a criticar,
temos consciência dos erros dos outros
e da pouca consistência dos nossos...
Como Reis sabemos amar quem admiramos,
apenas porque nos amam, ou porque nos deviam amar...
Desperdiçamos banquetes em cima dos mais pobres...
Aprendemos a perder batalhas,
a lidar com a traição e a trair o nosso reino...
A ver os olhos dos outros postos em nós
e a ter medo que nos vejam como vidro ...
Depois somos rainhas...
A nossa voz nem sempre é ouvida,
conhecemos tiranos que nos tiram do sério,
e ambicionamos um império que não ousamos conquistar
porque os castelos são muralhas de dois lados...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

I love U Baby!!!! :)))))))))))

"Ser mãe é pêra doce, mas temos que ter dentes fortes" Crónica 1 "Maminha, minha melhor amiguinha!"

Resolvi começar a escrever esta crónica porque um dia a minha Inês, provavelmente, também será mãe e nessa altura eu, como avó, vou cometer imensos erros ao ter a mania que sei mais do que ela e enerva-la quase à loucura.
Nessa altura, eu espero bem, que ela me esfregue na cara isto que escrevi neste momento, para que eu me recorde dos meus medos e stresses quando ela apareceu na minha vida e a compreenda melhor!


É indescritível o prazer que eu vejo que a minha filhota tem, quando vê as maminhas, ri-se para elas e quando começa a mamar parece que o mundo à volta se torna mais pequeno e eu, quando a vejo tão feliz e tranquila sinto-me importante e melhor pessoa!
Mas convenhamos amamentar não é fácil!!!
Primeiro foram os mamilos gretados, eles são amorosos e nós amamos-os com a força toda da nossa alma mas caramba, tão pequeninos e parece que já trazem dentes naquelas gengivas pequenas e muito cor de rosa...
Antes da Inês nascer eu, para me precaver, besuntava os mamilos com uma pomada à base de lanolina, que hidrata os mamilos e é também reparadora, na esperança de nunca ter de passar por essa tortura...
Deve ter ajudado porque só tive os mamilos gretados, depois dela nascer, uma semana... Uma semana... 7 longos dias...
Ora nessa altura a minha vampirinha do leite, mamava mais ou menos de 2h/2h e nem sempre agarrava o mamilo à primeira... Ora quando temos os mamilos gretados, (ou seja feridos com sangue e tudo...)tudo o que queremos é que eles agarrem no mamilo de uma vez, enquanto nós pensamos em 34578964 mil asneiras cabeludas, porque aquilo dói como um raio... Se correr bem, ou seja se eles não perderem o mamilo, fizerem bem a pega, ou seja abocanharem a aureola da mama e tudo e não interromperem a mamada, ou resolverem adormecer a mamar e logo a seguir acordar e retomar, só dói p'ra aí uns 30 segundos (uns longooossss 30 segundos... que parece pouco, mas não é...)e depois passa, o resto até é gratificante porque dá gosto vê-los mamar! E quando eles terminam, nós pensamos só volto a passar por isto daqui a 2 horas...
O meu pior momento foi uma bela noite em que a vampirinha descobriu que a maminha também fazia de chuchinha e queria lá ficar, feliz e aconchegada! Ora eu no meu estado normal teria percebido isso, mas eu estava longe de estar no meu estado normal... Logo, quando a Inês não queria largar a mama e chorava desalmadamente se eu a tirava do peito, a minha conclusão foi:
Oh! Meu Deus o meu leite deve estar a enfraquecer, a bebé não fica satisfeita...
Resultado:
Eu a desesperar e a avó da Inês a dizer muda a menina de mama que já não deves ter leite nessa... (na Maternidade disseram para eu só dar uma mama de cada vez... Mas naquele momento qualquer ideia era bem-vinda...) E assim fiz e a Inês chuchava, irritava-se qd saía o leite (porque tinha a pancinha mais que cheia já e só queria brincar com o mamilo) e eu pensava, o leite está fraco de certeza, porque ela irrita-se ao mamar...
:((((((
Esta saga durou 4horas e eu com os mamilos gretados e completamente desfeita por pensar que ia deixar de conseguir amamentar a Inês...
A sorte:
:O)
No dia seguinte tinha, felizmente, de ir fazer o teste do pézinho ao centro de Saúde, a Sra. Enfermeira Paula, uma querida, a quem eu devia erguer uma estátua pela paciência, compreensão e sobretudo por não olhar para mim como se eu fosse uma idiota (o que não deixava de ser verdade...) deu-me colinho, tranquilizou-me e fez-me ver que afinal a Inês não tinha fome, era apenas bem mais esperta do que a mãe! (Ora se podia chuchar na maminha porque havia ela de querer chuchar num bocado de silicone que nem sequer pinga leitinho?!)
;)
Pesou a Inês e afinal a pobre bebé, mal alimentada, tinha aumentado 250g nessa semana...
:0)
E afinal devia continuar a dar só uma maminha em cada mamada, porque o leite materno primeiro sai mais aguado (essencial para hidratar o bebé) e depois sai mais espesso (mais gordo, essencial para alimentar o bebé)e se o trocarmos de mama, diminuímos o tempo de mamar em cada uma e corremos o risco de só o deixarmos beber o leite que sai primeiro de ambas as maminhas.
A Inês também aprendeu que a maminha não é chucha, lá teve que se contentar com o silicone para esses momentos, depois mudei para chuchas de látex e ela lá ficou mais convencida, gosta mais!
Mas a maminha continua a ser o seu verdadeiro amor!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Maré da meia tarde...

(...)
E as saudades tropeçaram, entre as correrias de salmoura que as lágrimas rasgaram, foram cristais líquidos de atropelos, intermitentes...
A dor caiu-lhe nos lábios, num movimento brusco, os dentes abraçaram-lhe as palavras e sangrou sem se dar conta...
Ensaiou discursos disparatados que se esfumaram no horizonte dos olhos dele, galopou no silêncio cego de um adeus sem sílabas de despedida... O tempo era agora um vento cruel a secar-lhe o rosto com rugas... Tentou esticar os braços mas o aço do desalento puxou-lhe os músculos da esperança até rasgar... E deixou-se ficar, viva, num corpo morto, de olhos em maré alta a vê-lo partir com as gaivotas dos sonhos...
in:"Purpurinas"

sábado, 3 de dezembro de 2011

Muda em riso esse lamento...

Cair da folha...

No Outono, quando as árvores se despem e deixam cair
por terra, o dourado da sua entrega,
será que se esquecem que se vestiram de esperança
o resto do ano?


Há um egoísmo des(humano) na mudança...
Ainda nos falta aprender que não devemos esquecer o amor,
mesmo que tenha sido breve,
ou tenha roubado o sal dos nossos olhos...
O amor deve ficar connosco,
mesmo o que passa...
Devemos guarda-lo numa taça da nossa alma,
para sorvê-lo em golos espaçados,
mais tarde,
com calma,
quando a dor tiver passado...
O amor arde e consome-nos,
mas no fim restam as cinzas,
que também aquecem e o calor da pele tolera melhor...
Há nele uma parte de nós que não deve morrer,
que existiu, que foi real, que importou...
Uma primavera antes do Outono,
quando se despem as árvores...
O abandono do que foi, é a amputação do que somos,
um membro fantasma doloroso...
Deixemos que adormeça devagar,
que acorde transformado, tranquilo,amadurecido...
Que seja uma recordação feliz e não um sentimento penoso
a devorar-nos a carne...
Deixemos que pertença à alma e se esqueça do corpo ferido e orgulhoso...
Deixemos que faça sentido, porque nos fez importantes,
a nós e aos outros que nos importaram...
Permitamos que tenha sido bonito, porque valeu a pena!
Guardemos os instantes felizes, os momentos só nossos,
o brilho de cada olhar, os movimentos partilhados...
Que dure para sempre, porque foi digno de durar
e nos perpetua no infinito!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Este levava-me ao altar... Prrrrrrrrrrrrrrrr!!!!

Cegueira...

Existem náuseas de cores escuras a tingir os teus olhos,
entre a retina do desgosto e a íris da melancolia,
há um refluxo de arrependimento que te marca o rosto
como navalhas...
Existem gralhas no texto do teu caminho,
falhas pequenas, quase imperceptíveis,
invisíveis a olho nu...
Tu abraçaste-as numa morte anunciada,
quando escolheste selar com velcro o teu sentir,
aprendeste a mentir a ti mesmo e a verdade partiu de madrugada,
depois de fazer amor contigo uma ultima vez...
A boca sabe-te à acidez do adeus,
quando a dor da tua voz mente ao redor,
num desamor próprio tão impróprio para consumo...
E o rumo segue, sem ti, porque já não existes,
desistes de o alcançar ou de te cansar a persegui-lo...
És um estimulo involuntário de pena,
num gesto autoritário de auto-controlo...
Um resto do nada que te abandonou e que se deixou ficar para trás,
que já nem falta te faz...

domingo, 27 de novembro de 2011

E porque não?

Neste Natal vou oferecer cabazes de produtos portugueses de empresas portuguesas, produtos gourmet, miminhos que sabem bem e ajudam a nossa economia!

Deixo-vos algumas sugestões de marcas:
-Zira Cadaval (compotas e bolachas)
-Oliveira da Serra (azeites, azeitonas)
-Arch Brito (sabonetes)
-Casa da Prisca (patés, compotas)
-Casa Mateus (doces, compotas)
-Regina (Bombons, chocolates)
-Vieira de Castro (rebuçados, amêndoas)
-Delta (café)
-Espiga (especiarias)

:)))

Fado património da humanidade, mas antes de mais património nosso, parte de nós, alma do nosso povo, canto das nossas lágrimas...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Every man in sight...

Pedestais...

Deslizam-me as palavras em xailes de seda pelos ombros,
numa caricia delicada, beliscada de sentido...
Num arrepio de suavidade , mordido pelos lábios,
devagar...
Houve uma malícia burlesca nas gargalhadas espalhadas
aos ventos da saudade,
entre promessas dispersas em casas escritas no céu..
E um véu de juventude irreflectida que despiu os olhos
proibidos e desnudou as rugas da razão...
A vida deslizava em carris de montanhas soviéticas,
divertidas ou invertidas ou simplesmente patéticas...
O chão fugia-nos, corria à nossa frente,
era um galgo anémico e anoréctico mas arrogante...
Não havia trela que o segurasse ou algo que o tornasse humilde...
E nós só queríamos que o tempo se tornasse nosso amante
e nos permitisse amar...
Mas o tempo fez um voto de castidade há muito tempo atrás...
Tornou-se um assexuado com um passado sombrio...
E o frio da recusa encontrou-nos,
tornou-me uma musa intocável e a ti um escultor sem amor,
criando estátuas ocas que embelezam igrejas fúteis em altares inúteis...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Não perca a 4ª parte do 1º Capítulo de " O acordar dos sentidos"

Já disponível mais uma parte desta fantástica e controversa estória, viaje pelas letras deste brilhante autor e situe-se na historia do nosso país, afinal você é uma das personagens!

Siga em:
http://rabiscosdealma.blogspot.com/

A não perder!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

I've got my pride and I know how to hide...

Vicissitudes...

As pedras descalças da calçada correm rua abaixo,
apressam a tua chegada nas sombras fugidias das esquinas...
Existem viúvas em prantos de luto em céus cabisbaixos,
velando o amor em dias de choro,
como aves de rapina entristecidas...
Todo o mundo se apressa para te ver chegar,
mas se vens, vens sem pressa...
Ao fundo das ruas não se sente o perfume dos teus passos
a marcar compassos inquietos,
no lume ansioso de um encontro duvidoso...
Já vivi muitas vidas sem ti,
mas vivi, apesar de tudo e da dor de o saber...
Tu desfolhas os dias sem morrer pela distância,
porque te ouço rir ao longe, muitas vezes...
Se calhar, porque calhou assim,
nunca esteve destinado sermos destino um do outro...
E os dias angustiados, à espera, hão de sarar,
lambendo feridas com a língua salgada...
E as pedras da calçada, cansadas de correr descalças,
vão aprender a caminhar, devagar, nas montras da vida...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Paint the sky with stars...

A primeira Primavera...

O teus olhos sabem-me aos dias de Primavera,
àquele sabor morno que têm as tardes num alpendre,
à espera do perfume das primeiras flores...
O amor assume um andar majestoso nos sabores da tua voz,
nesse palrar, sem falar, que me diz tudo,
onde me iludo a pensar em significados tacteis...
Sempre te amei!
Mesmo quando não existíamos sequer,
numa escravidão feliz da inevitabilidade...
Meu sentido de dever sem sentido,
que me aguça os sentidos todos!
Minha irracionalidade cheia de razão de ser!
Fruto do meu corpo, sangue do meu sonho...
Quem deu a vida a quem, meu amor?
Já não me lembro de mim antes de ti...
Será que existi mesmo?
Vivi na dor de me perder antes de te encontrar,
morri na permanência da espera,
no suplicio do teu tardar...
Renasci no nosso encontro,
agora respiro os segundos todos da tua existência,
num vicio eterno e terno de sentir a primeira Primavera!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Livro "Poetar Contemporâneo" Sessão de Autografos Amanhã em Lisboa!

Edições Vieira da Silva e Autores (onde me incluo!)
Têm o prazer de a/o convidar para a sessão de autógrafos da obra poética "Poetar Contemporâneo", amanhã dia 5 de Novembro de 2011, pelas 17h30, na livraria Portugal, na R. do Carmo 70,72 em Lisboa.

Os direitos de autor desta obra reverterão a favor da Instituição "Ajuda de Berço"

Apareça, teremos muito gosto em falar consigo!
:))

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

E sugiro...

http://rabiscosdealma.blogspot.com/

Já se encontra disponível a segunda parte do primeiro capítulo de "O acordar dos Sentidos" de Rogério Paulo Peixoto. Acompanhe esta fantástica estória que nos faz pensar e questionar a situação actual do nosso país!
A não perder!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Just breathe...

Paz Dor(mente)...

Calam-se os ventos, dispersam-se as nuvens,
aquieta-se o sussurro morno da terra...
Tudo é lentidão e silêncio...
Qualquer movimento áspero é um murro no estômago...
Há um momento em que nos encontramos no âmago
de nós mesmos,
quando tudo é sublime e se enterra em nós
esta vontade de pertencer a um lugar qualquer
e que todos os lugares nos pertençam...
Fecha-se a voz à chave...
Abrandamos os olhos, humedecemos os lábios de sonhos
e saboreamos a esperança em golos delicados...
O tempo faz um intervalo de espera e espera pelo nosso tempo...
A paz é o ar quente que nos preenche os pulmões,
que se liberta através da pele em arrepios doces
e obriga-nos a dissertações ridículas sobre o amor...
Os sentimentos tornam-se crianças precoces a correr descalças
pelos pátios da nossa imaginação indiscreta...
O coração a bússola que nos encontra o Norte além-morte...
E a dor passa a ser uma palavra obsoleta!

domingo, 30 de outubro de 2011

O novo e brilhante romance de Rogério Peixoto "O acordar dos Sentidos"

http://rabiscosdealma.blogspot.com/

Leia em primeira mão este fantástico romance de um autor brilhante que não me canso de acompanhar. Uma obra de ficção que retrata a realidade actual do nosso país. Um trabalho que o fará pensar e quiçá agitará consciências!
A não perder!!!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Truz Truz!

O mundo é um punho cerrado,
amordaçado pela intolerância e a fraqueza...
Os outros viraram as costas aos outros
e vivem a incerteza da solidão...
Existe uma discrepância tangível
entre o corpo e a alma que nos impede
o brilho nos olhos...
Antes éramos crianças, de saias de folhos,
a rodopiar tentativas e a saltar cordas de gargalhadas!
Hoje somos adultos cinzentos, cheios de directivas,
a tactear a parede claustrofóbica do nosso limite...
Deixamos de estar atentos e passamos a estar adormecidos,
envolvidos numa redoma que nos torna selvagens...
Um dia talvez voltemos a falar do cheiro da chuva...
Deitados no chão, olhemos os desenhos das nuvens,
esboçando a vida...
Hoje o mundo é um punho cerrado...
Amanhã talvez seja apenas, uma mão estendida...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

E o meu legado poderia bem ser este...

Se um dia a minha voz soprar além de mim e trouxer o eco daquilo que fui, quero que deixe um sorriso sempre que pousar nos ombros de alguém... Não desejo ser intemporal, memorável ou irrepetível... Basta-me ser como a brisa, que passa e agita, levemente, o cabelo dos amantes e refresca e conforta mesmo que nem notemos a sua presença!"
(Inês Dunas)

E voas sobre o mar com as asas que eu te dou!

Á deriva no mar...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Em câmara lenta, como na T.V... :))))

As intermitências da vida...

Erguem-se os minutos, como muros embandeirados,
publicitando distancias ténues...
Há um vazio preenchido de lutos e sonhos desfeitos,
estilhaçados pelas opiniões medíocres dos outros,
provando os olhares reprovadores que trazem as dores
a cada momento...
Existem romances contrafeitos,
alugados, copiados, ou falsificados,
por memórias roubadas a casais intemporais
que morreram precocemente porque tinham experimentado
e sugado o melhor da vida...
(Não fazia sentido
descer do cume das emoções e ser banal
e acordar com mau hálito, ou envelhecer,
ou simplesmente ter falta de erecção...)
A morte pode ser o Cristo redentor do Amor...
A perfeição tem uma esperança de vida reduzida!
Não tem razão de ser, andar por cá, muito tempo,
se se achou e teve aquilo que procurámos sempre...
A cruzada termina e o soldado despe a armadura
e arruma a espada...
(O que lhe chamamos agora?)
Vivemos aquilo que a vida nos põe na mesa,
na certeza porém,
de que não adianta reclamar,
se está salgado, ou insosso,
ou existe alergia alimentar...
Ela venda-nos os olhos e obriga-nos a comer,
garfada, a garfada...
Às vezes, podemos optar pela peça de fruta...
(Para nos sentirmos a dominar alguma coisa...)
Mas foi ela quem foi a mercearia escolher tudo...
Viver não custa...
Custa aceitar viver, continuar e ser feliz!
E esta é a única sabedoria que tenho.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O silêncio é de ouro...

E o sonho dorme...
Os seus lábios desenham sorrisos etéreos,
nos olhos esconde caminhos atentos
de paraísos por descobrir...
E num desfolhar de graça,
enternece
e o tempo esquece a cadência...
O corpo é perfeição e inocência,
na mão traz-me o mundo e a vontade
e o prazer da idade...
No cheiro o verdadeiro
sentido da vida,
despida de outra coisa qualquer...
Meu privilégio de ser mulher,
de ser ventre e universo...
Meu amor de ontem, de hoje e de sempre,
que jamais cabe em estrofe, ou verso...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sometimes it lasts...

As 4 estações de Vivaldi...

As folhas douradas rangem-me em Outono,
no sono breve do sopro que traz o frio...
Houve um vazio que se preencheu
com o teu coração,
ou com uma parte desapertada do meu...
Hoje, no nada dos dias,
caminho de mãos vazias
à procura daquele Inverno de loucura
que se amou em Primavera...
A espera traz-me de volta a mim,
assim, devagar,
como um suspirar hipotérmico,
num ansiar dérmico de toque...
E a secura dos dias avança,
sem que encha o peito, sem que sufoque,
num respirar monocórdico...
A esperança são alvéolos pulmonares,
numa virgindade pura, intocável,
distante...
Numa castidade vestida de mórbido,
de escolhas,
ou de razão à vez...
Não vês?
Um dia seremos as folhas a morrer debaixo dos pés...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Que eu quero ser (e fazer-te) feliz!

Contrações (In)voluntárias...

Os músculos são mãos fechadas,
encolhidas, contraídas,
que se inibem de tocar...
São mulheres contorcidas
com medo,
observando ao longe o prazer...
A amar aquilo que nunca entenderam...
Há um segredo nos meus olhos,
renascido no meu ventre quente,
escondido pelos sonhos que se venceram pelo cansaço...
Há um regaço à tua espera
e um abraço interminável,
que supera todas as dores...
Os amores são guerreiros de cristal...
Se caem quebram, se se pisam, cortam...
E nós capitães de Abril a cheirarmos cravos
de plástico...
Sós, no meio de uma espiral de emoções,
de cacos nas veias e anéis nos dedos...
Embalando sorrisos e projectos,
alimentando-os em seio farto,
cheios de fome...
Confiantes, como antes também fomos...
Enquanto o tempo nos come por dentro...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

E deu-me a poesia a mim...

Adeus o que é de Deus...

Há uma lágrima mais pesada
que escorre por entre o tempo
e morre no lábio entreaberto e seco
de um adeus qualquer...
É um ciclo desfeito em sal e água morna,
que nos segreda ao ouvido que o inicio e o fim
são virgulados por capítulos cujas portas
se vão fechando
e encerrando fragmentos de nós próprios que se descamam...
São lágrimas mortas que nasceram num auge de sonho
e se amam na efemeridade que as dissolve...
A mortalidade que nos confina em tudo
é a beleza ingrata que nos faz amar tanto,
porque não dura, pode morrer,
desaparecer ante as nossas mãos nuas...
Antes de sermos, morremos muitas vezes...
Adeus ao que é de Deus!
Porque o amor nunca pertence,
é-nos emprestado para entendermos um pouco
o que é superior a nós próprios...
E vence tudo porque nos mostra que nós somos nada,
nada sem ele e nada por causa dele...
E quando a porta range e bate e estremece
com o embate da nossa dor,
fechamos-nos à chave...
Chamamos de novo capitulo, seguir ou fugir em frente,
chamamos de ultrapassar,
ou amarmos-nos mais...
E acreditamos que estamos melhor assim...
Habituamos-nos ao vazio que não nos rouba,
porque não há nada para levar...
E o fim já nem assusta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Who can say if your love groves?

Limite

Rosto...
Desgosto, charco de rugas...
Bússola cansada,
desmaiada por ponteiros quebrados,
devassados por atrasos constantes...
Amantes abandonados pelo ócio,
ódio de pertencer, ou escolher, ou querer
algo mais além de nós...
Voz escrita em silêncio
que grita por entre as vendas que a gente traz...
Lendas de amores impossíveis,
passíveis de existir entre os mortais...
Juras de nunca mais,
de nunca menos, ou apenas de nunca...
Penas choradas por mulheres vestidas de espera,
em mera nudez de amor-próprio...
Pequenez dos homens todos,
fraqueza e beleza reprimida,
desmentida por mentiras frias de pernas curtas...
Sombras surdas de sonhos pardos...
Fardos, com nomes de coisas e de gentes
e de desculpas...
Culpas...
Remorsos e perdão e outros actos de contrição...
Réstia de modéstia falsa,
dançando a valsa com o medo...
Segredo...
Vergonha...
Fronha da cobardia onde repousas de noite...
Antes rebeldia,
ou açoite,
ou castigo...
Antes a morte...
Antes...
Sem depois.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

E hoje li isto num mural do facebook e achei piada, por isso partilho!

Vou escrever num tijolo "TENHO SAUDADES TUAS!", e vou andar com ele sempre junto a mim e no dia em que te vir, vou atirá-lo direito à tua cabeça para que saibas o quanto a SAUDADE me tem magoado!

...

Quem nunca fomos...

Havia uma inocência doce nas palavras proibidas,
um segredar suave,
sussurrado numa malícia pueril,
que se perdeu entre os anos da minha maturidade...
Havia uma verdade absoluta no olhar nos olhos,
no tocar de mãos, em sentir o cheiro,
que hoje se alcunha de adolescência,
ou outra coisa qualquer e deixou de existir,
entre uma manhã, ou outra, nem sei bem quando...
Quando foi que amar deixou de ser prioridade?
A voz de comando das nossas vidas alterou-se,
envelheceu ou simplesmente padeceu de racionalidade...
Mudou-se o tempo e as vontades e nós próprios,
entre facturas da luz, da agua, da creche,
porque nós também crescemos...
Deixámos de ter tempo para amar os amigos,
os mais que amigos, os nossos filhos
e os filhos dos outros...
Porque queremos ter um sofá confortável
para dormirmos à noite, na nossa solidão,
ou uns cortinados novos para tapar a janela
da nossa vida com vista para um muro de betão...
Continuamos a trocar um piropo amável com aquele
ou aquela que nos enche as medidas,
imaginando que um dia podia haver um diluvio
e sermos sobreviventes no mesmo barco...
Adiamos os nossos sonhos porque já nem nos lembramos quais foram,
mas se calhar era ter uma carrinha,
ou mais um quarto,
ou talões de desconto do hipermercado...
Masturbamos a nossa liberdade uma vez por dia
a olhar para o lado e a invejar qualquer coisa,
que pode ser uma coisa qualquer,
desde que nunca possa
ser nossa...
E a vida passa...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Do baú...

Antes da palavra...

Os sonhos trautearam poemas sem sentido,
fecharam os olhos,
esticaram os braços,
entreabriram os lábios trémulos,
na ânsia de um mundo diferente...
Mas a realidade é apenas uma parede serigrafada
a preto e branco,
sem espaço para lágrimas de aço...
Amei cada letra do nome da minha pena,
cada milímetro da dor de um amor enfermo
que me levou pela mão ao Inferno demasiadas vezes...
Já não tenho mais escadas para descer,
ou salinas de alma para espraiar...
Virei-me do avesso para me encontrar
e perdi-me entre costuras e remendos...
E lá fora, no mundo dos outros,
nada mudou,
nem ninguém notou a minha ausência...
Se nunca tivesse nascido quem sentiria a minha falta?
Nunca quis ser indispensável,
bastava-se que me vissem de quando em vez...
E talvez sorrissem antes de olhar em diante...
Tenho em mim todas as magoas do mundo
e aguas límpidas de prazer, numa mescla homogénea...
Não sei descrever melhor este universo que cabe em mim,
assim, meio inverso aos outros,
criado por uma super-nova qualquer...
Sou mulher e sou um mundo
e esse ar todo que existe no entretanto...
Amor em estado liquido,
pranto ou canto de sereias mitológicas,
alheias a lógicas cientificas...
Um mito perdido num povo esquecido,
ou extinto,
ou evoluído no vazio...
Um nada que não se explica...
Um riso que não existiu,
porque ninguém o tivesse escutado...
Um poema sem sentido,
que passou ao lado,
apenas porque morreu na caneta inacabada
que o escreveu antes da palavra.

domingo, 4 de setembro de 2011

All the lonely people live beneath the ground...

Não se morre duas vezes...

Que me importam as vitórias,
as gargalhadas,
ou inspirações de peito aberto?
Se o meu mundo é um deserto por descobrir?
Talvez árido de mais...
Não existem jornadas miseráveis,
ou caminhantes instáveis,
mendigando por água, ou apenas uma sombra...
Fico a muitas horas de voo de distância
e o jet lag torna-me pouco apetecível...
Sei que um dia amei e quase fui amada
e isso valeu alguma coisa...
Essa ânsia estranha de me partilhar
quase aconteceu, mas morreu na praia...
E ainda que saia esta lágrima
do meu universo,
escrito em sonho, lamento, ou vulgo verso,
não vale de nada olhar para um Passado
desesperado por se ir embora...
Nasci antes do meu tempo, talvez,
numa época em que amar não conta,
em que não há tempo para olhar o mundo,
ou contemplar as marés sem ter um motivo...
Vivo, dia após dia, olhando toda a gente,
porque me apaixono pelas imperfeições dos outros...
Nunca quis alguém especial...
Se o quisesse, teria uma cama do tamanho do mundo!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

4000 visitas!!! :)))))))))))

Obrigada a todos os que passam por aqui para ler um pouco de mim!
Fica um beijinho para vocês!
Inês Dunas

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Where is the Love? My love...

O mel do masoquismo...

Existe um fascínio mórbido pelo sal da despedida
que nos comove e envolve a todos...
Quer seja uma morte leve, ou breve,
mascarada de até já,
não há quem não lamba esse momento e não o grave
em trejeitos de voyeurismo...
Se andássemos de coração na mão,
seriam muitas as vezes que o deixaríamos cair no chão,
só para vermos o estrago feito...
Porque somos nós o primeiro prisioneiro
do nosso doce sofrimento...
Somos nós, o dependente agarrado, viciado
naquela dor que nos parte, quando alguém parte,
ou nos diz: Acabou...
O amor tem tantas faces, nem fazes ideia...
Passamos a vida inteira a tentar ser amados,
fingimos amar os outros, num servilismo interesseiro,
de obrigar alguém a retribuir algo que nem sabemos dar...
Porque o amor magoa e a mágoa assusta...
Custa admitir que somos egoístas de mais,
que nunca fomos capazes ou simplesmente audazes,
de conquistas heróicas,
porque conquistar implica possuir alguma coisa...
Nas nossas estóicas batalhas pelos corações alheios,
somos esgrimistas armados em falhas,
cheios de sonhos de moinhos de vento...
Lamento tanto...


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

I'm dreaming my life away... (Roy Orbison... Simplesmente único...)

O berço do sonho...

O sonho começa em nós...
No breve momento em que os olhos se viram para dentro,
roubando um pigmento ao céu e imortalizando a alma...
No leve tocar do amor num ocaso de loucura,
quando, por mero acaso,
descobrimos que existimos além-dor e além-nós...
Na voz que se eleva no cume das vontades e se impõe!
No lume de todos os desejos que nem os beijos aliviam...
O sonho começa em nós!
Na nossa imortalidade
e na condição de sabermos que a vida não dura para sempre...
Na mão que se alcança e não se cansa de lutar por pertencer...
Na lágrima mordida que se guarda para derramar outro dia,
enquanto se agarra o agora e se soltam os braços!
Nos passos que ousamos e damos, mesmo descalços...
O sonho começa em nós...
Na aurora de cada principio,
no entardecer de cada acabar...
Num terço de fé de uma prece qualquer...
No ventre que nos faz mulher, nos faz começo e nos faz leito...
O sonho começa em nós,
nasce connosco, torna-nos o que somos...
Mas também esmorece
em pena e respeito pelo que não fomos...




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

:))))

Três razoes lógicas para ser benfiquista: A razão natural: nascemos porque a mulher dá à luz, não dá ás antas nem a alvalade. A razão bíblica: dominarei os leões e os dragões e no céu voarei sobre as asas de uma águia. A razão teológica: Jesus Cristo encarnou, não azulou nem esverdeou! Se fores Benfiquista partilha esta mensagem tão cheia de verdade, se não fores... Deixa lá... Deus perdoa-te! (autor desconhecido)

Autofobia...

Bebi-te os lábios ébrios de sonho,
amurei na tua saliva cálida,
uma e outra vez, sorvi-te...
Houve um passado que nunca quisemos,
na espuma doce das palavras que nunca dissemos...
Hoje, ponho os olhos a secar,
no estendal das minhas virtudes,
na gélida madrugada de cada adeus,
não os deixo amarrotar muito...
E se tudo fosse diferente?
Se nos encontrássemos, de frente,
que conversa de circunstância surgiria?
Falaríamos do tempo? Das rotinas?
Das sinas que escolhemos,
das pessoas,
boas ou não,
com quem partilhamos a cama
e o chão que pisamos,
no conforto cómodo de cada dia?
Não...
Seriamos apenas mais um rosto familiar
na multidão,
talvez me pedisses perdão com o olhar
e eu já nem soubesse perdoar...
Talvez sorrisses e eu olhasse para o outro lado,
ou fizéssemos de conta que não nos vimos...
Houve um passado que já passou,
um pretérito perfeito ou imperfeito
que já não faz sentido questionar,
ou lembrar,
ou viver...
Um momento findo pelo tempo
que deixou de valer a pena,
com muita pena minha...






terça-feira, 9 de agosto de 2011

I even get lost in this song...

Quimeras...

Caminho devagar pelos sons da minha consciência,
tacteio a dormência da tua voz...
Perdemos-nos do voo das plumas e das aves,
somos espigas sós a perderem o trigo
no abrigo de um silêncio mórbido...
Nunca mataremos a fome aos sonhos,
o tempo come-nos devagar e as rugas nem pedem licença...
Não há pertença sem dor, nem amor sem pertença...
Os finais felizes jamais seriam finais,
por isso são mitos em que não acredito...
Seremos estranhos, numa manhã qualquer,
em que tudo estará longe demais
e pensarmos que nem existimos...
Desistimos...
Rendemos-nos ao comum, às vidas alheias,
às meias verdades, ao peso do chão...
Meras realidades baças...
Já não temos asas...
já não somos um...
Quimeras perdidas em fumo,
desvanecendo sem rumo,
morrendo.




terça-feira, 2 de agosto de 2011

O sonho mora aqui...

A queda dos anjos...

Houve um dia em que fomos o beijo húmido de um orvalho proibido... Entre todas as madrugadas amanhecemos os dias com promessas entrelaçadas em sonhos roubados ao tempo...
Cabíamos nas mãos um do outro, pertencíamos aos mesmos lábios e a todos os horizontes longínquos que foram descritos por escultores intemporais, como obras de uma vida incompleta, mas satisfeita...
Lambíamos, descompassadamente, os dias dos nossos encontros, entre risos e lágrimas de chuva, que floresciam nos sentimentos mais leves de um amor sem leis de física, escravo e senhor de uma química intensa...
Fomos o inicio e o fim dos nossos ciclos, numa repercussão interminável de entrega, pautada apenas por um desejo interminável, que se diluiu nas ondas salgadas e acres de praias desertificadas...
Tornamos-nos na areia volátil e solta, entranhada de medo que a saudade já nem conhece.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

We let it slip away...

A lenda da espera...

Num tempo esquecido pela história, houve um amor intemporal que ainda vive na memória das pétalas dos sonhos...

Ele, um poeta perdido em demandas interrompidas, queria imortaliza-la em palavras, vestindo-a de metáforas e tocando-a em versos, ecoados por uma alma inquieta e frágil...

Ela, uma gota de chuva, numa força descontrolada e sensível queria apenas viver tudo, pois sempre soube que ia morrer cedo de mais... Amava-o além dela mesma e sabia que o amor é a imortalidade de tudo e a resposta que nos falta todos os dias...

Conheceram-se porque o amor é como a água e encontra sempre um caminho de proliferar e conquistar espaço, amaram-se imediatamente e descobriram que o imediato trazia recordações de outras mil vidas, onde sempre pertenceram um ao outro...

Ele tinha medo que o mundo não compreendesse e quis proteger o amor adiando-o para um tempo em que fosse possível serem felizes. Ela apenas queria que ele compreendesse que o amor existe quando tem de ser, uma dádiva acontece sempre no tempo certo e é arrogância dos homens pensarem que sabem mais que o Universo...

Ele pediu-lhe para esperar e Ela aceitou mesmo sabendo que o tempo não chegaria a tempo e quando ele voltasse ela não estaria à espera...

Devagar, cuidadosamente, preparou o mundo para que a união deles pudesse ser perfeita, beijou cada detalhe, desejando que dessa forma eles pudessem sempre felizes! Achava que esperar por Ela jamais seria tempo perdido e que iria recompensar tudo...

Ao longe ela definhava, dia após dia, com uma esperança infantil de que ele chegasse a tempo e o amor de ambos se compadecesse e permitisse que ficassem juntos pelo menos um instante, antes dela ter de partir... Um momento com ele seria uma eternidade de felicidade para ela...

Mas a vida sabia que ele não ia voltar a tempo e não valia a pena esperar, roubou-a, carinhosamente, transformando-a em lágrimas...

Ela pediu um único desejo, antes de fechar os olhos, que a morte dela transformasse o mundo em tudo aquilo que ele julgava necessário para que o amor deles pudesse ter sido perfeito...

domingo, 24 de julho de 2011

Tanto talento... Que menosprezo por um dom tão grande...

Vidro moído...

Já não me destilo em sonhos,
as promessas de outros alicerces,
de horizontes mais além,
já não me embelezam de suspiros...
A vida tem revezes que a razão desconhece
e retiro daí uma resposta semi-vaga,
que me alimenta de água com açúcar durante uns tempos...
Havia um cheiro almiscarado na tua pele,
mascarado de medo talvez...
Nos momentos que me sentia perdida
inspirava um pouco de esperança,
mas os pulmões insuflados de sonhos,
estão cansados de desilusões sucessivas...
As promessas foram um cristal frágil
que projectaste no chão e pisaste com a planta dos pés...
Nas conversas lascivas de tantas vezes
foste a impotência de ti próprio
e a desistência de tudo o resto...
Morremos, definhamos à mingua,
com a mesa posta ao nosso lado...
E eu... Olhei pela janela e vi um riacho de escolhas,
de águas ténues mas límpidas,
onde os teus braços já não cabiam...
Foste tu que me viraste as costas,
nunca houveram altruísmos debaixo dessas atitudes frias,
só te iludes a ti ao pensar que sim,
mas foi a covardia e o egoísmo que te embalaram,
mais nada...
O amor não vive em eufemismos de abandonos,
com máscaras de bondade,
morre sufocado, um bocado todos os dias,
apenas isso...
Um dia descobre que morreu tudo
porque não tens mais por onde sangrar...
Temos uma oportunidade de viver cada respirar,
porque o ar também se acaba...
Talvez tenhas feito bem,
eu não sei,
ninguém sabe, provavelmente...
A resposta já nem me interessa,
os motivos não me mastigam,
as perguntas já se vestiram de silêncio...
Eu aprendi a desistir contigo,
a minha promessa também já não faz sentido.
Cansei-me de mastigar vidro moído...

terça-feira, 19 de julho de 2011

'cause it makes me feel sad...

A teoria das cordas...

Desentrelacei-me muitas vezes,
esmiucei o meu interior à procura
de um amor que me completasse,
de uma cura milagrosa para a incompreensão...
Mas o amor não é um penso rápido impregnado
de um anti-séptico qualquer...
A solidão nasce em nós e a felicidade
tem uma chave que nos pertence...
Na verdade somos cordas independentes
que se enlaçam umas nas outras...
De comprimentos e texturas diferentes,
nascemos na mesma trave e buscamos as mesmas coisas,
desde que sejam só para nós...
Muitas vezes esgaçamos-nos, desfiamos-nos devagar,
na esperança de partilhar os nossos sonhos...
Depois, de fios soltos e frágeis, balouçamos as desilusões,
as frustrações, a indiferença que nos rasgou a força...
E descobrimos que não existem cordas iguais,
umas amam menos, outras amam mais e nunca se entrelaçam no mesmo sentido.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cause loving u means so much more! :)

Heritage...

Trilho o caminho por entre arrozais de incerteza,
nunca tive certezas absolutas de nada,
nem procurei essa firmeza translucida de espírito...
Acredito que faz sentido sermos humildes perante a vida,
aceita-la como uma bênção sem questionar demasiado...
Deixar rolar as lágrimas sem nos zangarmos com o todo,
ou nos sentirmos miseráveis...
Nunca me vitimizei, mas também nunca gostei de vitimas conscientes...
Há um lodo de desamor próprio que se agarra às pessoas,
as torna deploráveis, as deforma, minimiza e martiriza
em semi-coisas, com semi-vidas, em semi-mortes...
Eu nunca gostei de orlas de casas mortuárias,
gosto de estar viva todos os dias, mesmo quando chove...
Acho que os meus pertences cabem todos numa caixa de sapatos,
gosto de existir assim,
nada de metálico me prende,
nada de papel me move, nem me rende de joelhos a obediência cega,
podia recomeçar-me em qualquer lugar, se fosse preciso...
A minha entrega é a minha liberdade, não tem um formato fálico,
nem se deixa ludibriar pelo poder de ter seja o que for...
Chega-me este amor todo que tenho e ofereço
como adereço de maquilhagem a quem me rodeia...
Resta-me uma mão cheia de vento e de sonhos!
Resta-me saber que uma vida cheia de nada
é melhor sorte que uma morte cheia de tudo!

domingo, 10 de julho de 2011

É de pedir aos ceus... A ti, a mim e a Deus! Porque este amor é meu!

O cronómetro...

Lambo o gotejar do tempo,
esse amiúde suave que me prende na espera da saciedade...
Humedeço os lábios cheia de sede e peço
que o tarde...
Os segundos são um delicioso oxigénio liquido,
uma saúde aparente de tranquilidade que sufoca...
Sorrio, rio, brinco com as mãos em puzzles mentais
de peças indecifráveis...
E a paciência toca-me ao de leve, quase por acaso...
Tento dormir o mais possível a ver se os dias saltam,
mas acordo constantemente a ver se estás bem...
Só quero o tempo que nos cabe, nem mais, nem menos...
Não peço tudo, nunca pedi...
E tu sossegas como se entendesses...
Aninhas-te, sonhas, cresces em vontade!
E eu mastigo mais um ponteiro de ansiedade,
numa vitória de um dia!
Um dia tudo será irrisório e já nem me vou lembrar
do tempo agarrado aos meus dentes...
Mas hoje tudo me sabe a cronómetro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Se Strauss fosse bucólico...

Não quero saber a religião dos pássaros, a ideologia política das borboletas, ou a metafísica das nuvens…
Não quero saber os motivos rebuscados, ou taxativos, que envolvem a beleza à minha volta!
A poesia da liberdade não deve ser analítica, nem mover-se em metas concretas…
A natureza é fabulosa na sua simplicidade, no seu pequeno e imenso milagre de acontecer todos os dias…
Quero apenas existir e coexistir no seu seio, ser parte da arte elementar que a compõe,
estar no meio de tudo isto!
Tenho os meus guias espirituais, a minha fé e o meu amor que cresce e se transporta…
Um olhar que se importa pelo agora e que chora, sem vergonha, muitas vezes!
Vivo nas pedras de xisto lavadas pelos rios frios, nas penas sopradas das aves,
nas pétalas aladas de dança das borboletas, no algodão intocável e manobrável das nuvens!
Em tudo o que o meu coração alcança!

Um dia morrerei de pé como as árvores, não por orgulho, mas porque quero dançar a ultima valsa com o vento!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Your love is growing cold...

Escombros no luar dos dias...

Pudesse eu arrancar de mim o muito que tenho...
Distribuir pelos cantos mortos do mundo
esta vida toda que me move
e se comove com tão pouco...
Encerro em mim os segredos simples dos teus lábios...
Sábios monossílabos em jeito de afirmação
que tornam as frases irrisórias e supérfluas...
Amo com todas as forças que tenho,
vivendo a incerteza de saber de que me serve...
O desejo ferve-me a pele, tolda-me a luz dos olhos,
agarra-me nos braços, queima-me...
Mas o tempo vestiu-se e virou-me as costas,
não me quis amar, ou simplesmente não o soube fazer...
Resta-me Ser assim, senhora de mim, meio só,
meio cheia de multidão, rasgando passos na areia,
abrindo caminhos pelo chão...
Talvez tenha nascido com o sentido ingrato
de ser o espelho que espelha o mundo
mas que não se reflecte em lado nenhum...
E sigo...
Sem a costela que me falta num castigo de alegria aparente...
Ausente de mim e presente nos outros,
vasculhando lágrimas entre o pó e o sonho...
No fim seremos cinzas sem identidade e sem historia
que já não fazem sentido algum,
nem guardam a memória do que fomos...
Não vivemos, nem morremos, nem amamos,
nem edificamos nome entre os escombros imortais...
Somos, fomos, seremos, nada mais do que algo
que podia ter sido, mas não foi...
Uma casa inacabada, uma planície inerte,
um pantanal inanimado,
dois amantes que não amam...

sábado, 18 de junho de 2011

"When a lovely flame dies Smoke gets in your eyes..."

... Até que fura...

A minha alma é a rocha que a chuva arranha...
Um entranhar de fluidez fresco mas afiado
que me rasga e esmaga a rigidez dos dias...
Talvez, num passado mais brusco,
entre o fusco da luz que se esbate e nos bate
de relance nos olhos virgens,
tu fosses a resposta às perguntas que nunca foram feitas...
(Desfeitas, talvez, na interrogação certa...)
Mas eu sempre gostei de afirmações
e caminhos bem delineados...
Calei os sinais de alerta demasiado tempo,
hoje não os posso ignorar, nem calar...
As minhas prioridades são roupas gastas
que renovei com amor novo...
E na minha incondicionalidade de amar
mais do que a mim mesma aprenderei a ser feliz...
Cada sorriso dela será o meu,
porque não sei ser de outra forma...
O presente toma-me nas mãos, beija-me cada dedo,
aconchega-me a roupa e liberta-me
do medo de estar só...
Desde que a sinto nunca mais me senti
sem ti, ou sem alguém...
Nunca precisei de um mundo muito grande,
apenas de um canto que fosse meu...
Doeu sempre olhar os outros que não me vêem,
mas os olhos servem para ver tudo...
Desnudo-me de mim, visto-me de sonhos e casas
cheias de correrias e gargalhadas escorregadias
e sorrio...
No fio ténue do tempo também a agua fura a rocha,
ainda que de inicio apenas a beije de frio...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Somos eternos amantes, que não amaram mais nada...

Desperta(dor)...

Larga a minha mão,
desprende-te,
deslaça-te,
desAbraça-te de mim...
Vira a página, arranca a folha,
a escolha foi tua, crua e simples.
Os nossos dedos já não são
uma parte da mesma mão,
seguiram tactos diferentes...
Vira as costas,
segue em frente,
desaparece na multidão...
Dissipa o sabor do nosso Amor na boca,
esquece,
tudo é efémero e mais pequeno do que parece...
A entrega é relativa e mortal,
como nós,
afinal...
Nada dura para sempre,
nem a amargura...
Não olhes para trás porque eu já lá não estou
e o passado nem sequer existiu...
Fugiu ou desistiu de nós,
com o timbre da tua voz,
sem eco...
Amarás outra vez e talvez muito mais,
eu sei que sou capaz...
Somos leitos feitos para amar...
Faz de conta que foi um sonho,
que o despertador da dor, tocou
e que tivemos de acordar...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

But you'll be allright now Sugar...

A entrega...

Os olhos de luz que atravessam o estore
da janela do meu pudor
despem-me, devagar...
Peça ante peça, a minha intimidade cai no chão
ante um semblante provocatório de prazer!
Escorrega-me pelos seios o tecido mordido
do meu tempo despido,
ansioso de me tocar mais abaixo...
Há um gemer de purgatório a lamber-me o ouvido,
como se a língua moldasse figuras em
esculturas de saliva fluída e quente...
E a vergonha morde a fronha da minha almofada
de razão...
Não se sabe conter, invade o espaço reservado
à reflexão e esfrega os dedos na nuca...
A entrega acontece!
Os medos fecham as persianas, acendem velas,
arrepiam a pele, devagar...
Como um soprar suave que se faz gradualmente...
As sombras são telas vivas de pintores incansáveis...
E o orgasmo açúcar em ponto espadana a crescer
no calor do abdómen...
Sussurrando que o Amor é um homem incompleto...
Implorando silêncio, compreensão
e um tempo que transpira pelo chão, ofegante...
A vergonha?
Essa perdeu-se, na minha mão
entre gestos e penetração ante a luz...
E hoje seduz o tempo de todas as escolhas!

terça-feira, 7 de junho de 2011

I never meant to do those things to U...

Ultimo acto...

Já lambi lágrimas de mais...
Já as saboreei todas, as acres, as ácidas, as doces...
Temperei-as, demolhei-as, aromatizei-as com esperanças,
impregnadas de oregãos e noz moscada...
Disfarcei-as de gargalhada forçada
e tu, tu... Nem deste por nada...
Bebeste-as como um chá de menta, aconchegaste o ego,
fumaste um cigarro e falaste das vicissitudes do tempo...
Emprestei-te os meus olhos para chorares,
nem sei quantas vezes o fiz...
Mas foram, numa incerteza infeliz,
demasiadas vezes...
Devolveste-me os olhos sempre vazos...
Rasos de desilusões e mentiras,
cortados em tiras de escárnio e cansaço...
Agora passo o tempo a cola-los,
a tentar reconstruir o mundo que vivia,
no fundo de um olhar que te conhecia,
melhor que devia e deixou-se cair
num abismo de desconhecimento...
Tento perdoar-te e tento perdoar-me,
de te ter perdoado tantas vezes...
Reflicto, medito e riu-me do ridículo
que construímos juntos, entre tijolos,
telhas e projectos de arquitectos que eram umas bestas...
Tu, sorris...
Numa certa condescendência doce, irritante,
que transforma o meu sofrimento num espectáculo amador,
num sarau de lágrimas ensaiadas por uma professora de dança,
de meia idade que nunca entrou para o conservatório...
A minha dor é um palco improvisado num bailarico de Verão...
E tu... Sorris...
E eu fico no chão, de lágrimas em espargata,
rompendo os músculos do esforço,
porque me esforcei tudo o que pude...
Faço uma vénia, olho para ti...
Agradeço...
Desapareço entre a cortina da sina,
as lágrimas seguem-me, de mãos dadas,
cansadas da coreografia infeliz...
Agradecem e despedem-se...
E tu...
Tu... Sorris...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Um miminho de um amigo muito querido que escreve maravilhosamente!! :)))

"As incandescências de Inês"

Dizia-se que Inês tinha um segredo. Um segredo

como têm os oceanos. Mas em vez de falar,

Inês escrevia. E escrevia sobre a areia

e sobre os rochedos.

Escrevia sobre o amor

sobre a luz

a dor

e a esperança. Nunca exprimia mais do que

aquilo que o seu coração podia sentir.

Mas as ondas que chegavam à orla

eram tantas e tão diferentes

que precisava de escrever

sempre mais,

e cada vez mais de modo mais perfeito.

Um dia, uma criança viu uma luz

que cintilava entre as algas,

uma luz que se movia como se fosse real:

uma mulher, uma molécula viva,

um orgasmo poético e sensível.

Era Inês - chamou-lhe assim – Inês,

que nome belo - pensou.

E todos os dias, a criança visitava a luz,

essa luz que fugia por entre os ventos,

as águas e as conchas,

por entre os rochedos e as areias, as dunas.

Era Inês que deixava rastos de palavras

que essa criança colhia em silêncio.

Quando se tornara mulher,

essa criança pensou que já tinha colhido tantas palavras,

que já tinha tantas memórias e tantos sentires,

que decidiu colocar uma por uma

organizadas e recortadas todas as palavras

sobre a brancura de um livro.

Percebeu ainda que essa luz não era mais

do que ela própria

sentindo

caminhando

fugindo de si para se encontrar.

- O meu nome de agora em diante, será Inês,

Inês Dunas.

E a luz no mundo nunca mais se apagou…

(Qual era, afinal, o segredo de Inês?)

Por: Ivo Brooks

segunda-feira, 30 de maio de 2011

When will they learn this loneliness?

O sorriso do mendigo...

O sofrimento é um mendigo triste,
que se arrasta andrajoso pelo peito,
dormiu muitas vezes no chão pedindo pão p'ra boca...
Agora já não se arrasta só, pelo pó implorando sustento...
Aprendeu a ser feliz com menos estômago e de braços mais magros...
Nunca soube fazer lutos muito longos,
luto contra a dor que mastiga a ferida aberta da saudade,
tentando olhar para o outro lado da vida,
dando esmolas de alegrias ao mendigo
que se consola a conta-las na mão esguia,
multiplicando-as mentalmente...
Olho-o nos olhos, sorrio e parto,
sem me despedir ou dizer se volto...
Ele fica de sorriso tremulo,
cobertor rasgados pelas costas,
dentes amarelecidos e quebrados de trincar as pedras dos outros...
É um mendigo de amor, não aspira mais nada,
senão alguém que o entenda e o prenda a uma vida melhor...
E eu amo-o por isso!
Pelos tempos perdidos vincados nas rugas,
sem fugas ou ambições de ilusões soberbas...
Pelas falhas nos dentes que amaram até mesmo as pedras,
apenas por terem sido dos outros...
O cobertor rasgado que teria partilhado de bom grado,
ou até mesmo dado enquanto morresse de frio...
E o sorriso de quem perdeu tudo mas ainda se importa
em manter-se no mundo que não o ama e o chama de margem...
Amo-lhe as lagrimas de chuva,
benzo-lhe o corpo sagrado
e deito-o na minha cama de esperança, em embalo de criança...
Porque é o meu mendigo e digo-lhe com carinho,
muitas vezes,
o dia em que te fores ficarei mais pobre
porque perderei a parte mais nobre de mim...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

SepulTUrA...

O meu coração hemofílico sangrou até morrer...
Esvaiu-se em Amor e destroços,
abrindo roços no meu peito desidratado...
Eu torci-o vezes sem conta para sorver a dor toda,
tentei arranca-lo antes que me arrastasse com ele,
desfragmentando os bocados envenenados de sentimento...
Sangrei-o, num ritual impiedoso e lento...
E ele olhava-me nos olhos receoso e traído
porque nunca me traíra...
Mas eu não suportava mais aquele sentir todo...
Transplantei-me de maus fígados e sobrevivi
sem os palpites do seu palpitar...
Não podia definhar com ele e por ele,
impus limites ou eutanásia aquele sofrimento vago.
Hoje trago os seus restos mortais numa caixa,
enterro-o sem gota de sangue, num túmulo estanque,
sepulto-o sem lápide ou oração...
Aqui jaz coração desconhecido,
morreu por ter vivido...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Geometria descritiva...

Fossilizei-me...
Tornei-me num estranho cristal opaco e estático
num estado semi-apático do querer...
Talvez tenha sido o sal das lágrimas
que me secou por dentro e aspirou os órgãos todos...
Talvez um sofrimento-temporal que tenha arrasado
os meus campos e atrasado as colheitas...
Talvez as escolhas feitas que nem se dignem
chamar de escolhas...
Não sei...
As minhas pernas-esquadros flectidas
são a base da minha estátua...
Cansaram-se de correr e resolveram morrer
em posição de redenção...
As minhas mãos-círculos fendidas
negam um dia terem-se estendido a alguém...
Estão em negação, talvez...
Os meus braços-régua só medem o chão...
Um dia fomos hexágonos, polígonos, cubos mágicos de sonhos...
Hoje só faceamos as figuras de lados pobres...
E os escantilhões calaram as letras dos nossos nomes...
Passamos de arquitectos a projectar sonhos sem tectos
a calceteiros de joelhos, dias inteiros...
A marcar passo no compasso sádico do tempo, eternamente,
em circunferências mal afiadas, desenhadas...
Mecanicamente...

domingo, 15 de maio de 2011

Conte Connosco

"A História" por: Inês Dunas
Leia, divague, permita-se viajar pelo amor intemporal e se lhe agradar, deixe o seu voto!

(basta clicar no link, fazer login com o facebook no canto superior direito e clicar em votar!)

http://www.conteconnosco.com/trabalho-detalhe.php?id=192


Obrigada a todos
Inês Dunas

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os ninhos das garças...

Acabaram-se as farsas breves de rios de caudais incertos...
As garças já não pousam nos meus olhos,
em movimentos abertos de entusiasmo...
Já não se passeiam em pontas sobre os lagos
límpidos das minhas íris...

Antes, em outros tempos que foram nossos,
haviam canaviais de pestanas que nos protegiam do mundo...
Éramos lágrimas correntes em torrentes de emoções,
abençoadas pela cruz do destino,
abraçadas a sonhos cristalinos embebidos em ingenuidades doces...
As ilusões eram luares gentis que nos brindavam nas noites frescas...
E haviam pirilampos pequeninos a perfumarem-nos de luz...

Antes, quando fomos nós e deixamos de ser sós entre as pedras
e os nós que a garganta nos prendia...
Havia um mundo de gargalhadas por descobrir
em águas frescas e intocáveis...
Éramos cursos indomáveis em leitos feitos de quereres intensos...
Suspensos por desejos bafejados de amor intemporal
que afinal, era mortal, como os outros...

O nosso rio está morto, as aguas escurecidas pelo torpor...
As garças já não nidificam em nós,
são aves migratórias de voz própria, de hastes flectidas
em arrozais de outras vidas, ancorando noutro porto...
Não nos reconhecem como conforto...
Não amor, as garças não regressam, nunca mais...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O sussurro das colheres...

Há uma curvatura subliminar nos corpos que se contorcem,
uma espécie de aurora boreal de formas que ecoa pelo tempo e pelo espaço..
Num passo ledo, lento, em angustia de pertença,
somos colheres vazias à procura de conteúdos doces!
Uma vaga diferença que se encaixa numa caixa de Pandora
que se abre agora, entre suspiros,
somos retiros breves um do outro...
Onde nos perdemos?
Porque sofremos separações precoces?
Esquálidos, leves...
Metais gélidos que aquecem em bocas alheias,
cheias de palavras por dizer
e arrefecem cedo demais...
Mais um contorno de aço sem braço que o percorra,
antes que morra num prato farto qualquer...
Somos colheres a colher um caldo a ferver,
humedecendo as línguas que nos provam,
emudecendo os sons que nos encontram!
A raspar o fundo de um sonho a sorver as ultimas gotas
que se deixaram ficar a desenhar
o fim...

Pobre Manta de Retalhos...

Perdi-me num lastro incandescente que me seguiu tempo demais...
Pensei que se deixasse migalhas dos meus sonhos, ao longo do meu percurso, as poderia seguir mais tarde... Mas o teu fôlego frio soprou as migalhas, despiu-as ao relento de pão e de corpo e deixou-as dispersas... Olhei para trás e já lá não estavam...
Num desespero hipócrita tentei refazer o caminho, mentalmente, remendei os trilhos dos sonhos, como uma manta de panos velhos, esburacados pela traça que teve a honra de os comer... Tentei encaixar a agulha da esperança no seu tecido comido, esgaçado, que adiei tanto tempo à espera do momento certo para os deixar acontecer...
A linha do perdão partiu-se e a agulha apenas estraçalhou, mais ainda, o que já não tinha remédio...
Eram migalhas, já não faziam sentido unir-se...
Eram retalhos de uma peça única que eu não respeitei, nem amei a tempo...
Eram estilhaços de sonhos que eu pensei sonhar mais tarde e hoje o tarde era afinal um tarde demais.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A farta fartura que nos farta....

Estou farta de paredes nuas...
Sem quadros de família,
sem rachas de humidade,
sem tinta descascada pela idade,
sem riscos e arabescos de mãos pequeninas
tingidas de lápis de cera,
á espera de braços maiores que chegam num fim de dia...
Estou farta da cama fria,
sem lençóis desfeitos, por leitos incendiados,
partilhados em almofadas roubadas,
em guerras de trevas perfumadas de suores...
Estou farta de jardins sem flores,
sem baloiços de corda,
sem escorregas de gargalhadas,
sem regas de chafariz de água a subir pelo nariz,
entre risos e soluços de sorrisos...
Estou farta de praias sem pernas a correr,
sem ondas abraçadas de bruços,
sorvida em golos inesperados,
sem lutas de bolos de areia molhada,
sem conchas a encher baldes de sonhos
em castelos de princesas encantadas...

Estou farta de não abraçar a fartura que a vida me dá...
E de me enterrar em amargura por projectos não cumpridos,
porque me gosto de viciar em sonhos interrompidos...

A Felicidade é a idade mais simples da nossa vida basta dar-lhe colo!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A fábula da bela adormecida e da cobra...

O tempo é uma víbora de cauda na boca,
circular, venenosa, imprevisível...
Eu sempre fui o centro com vista periférica.
que assiste ao desenrolar dos dias,
ouvindo o rastejar em espiral do mundo,
gritando um apelo mudo a quem passa, mas nem pára...
Todos os castigos trazem um pecado antigo,
o meu agarrou-se às minhas pernas,
morde-as, beija-as, arranha-as numa caricia prepotente...
Um dia tomei uma decisão, mas as decisões não se deixam tomar
sem um namoro prévio...
Defendem a castidade cínica de uma forma mordaz,
como quem faz crochet com os dentes...
Se existe um Deus maior que eu,
(que acredito que seja a força bela de todas as coisas
e o principio onde o Amor nasceu),
então, este medo punitivo não faria sentido algum...
Mas a crença é uma pertença volúvel
e abandona-me muitas vezes
porque gosta de dormir em outras camas...
Já não me chamas de Amor, pois não?
O verão do nosso contentamento nunca chegou
e as árvores não resistiram à dor da geada...
Será que tudo se repete?
Promete que pelo menos existiu
e numa madrugada de tempo frio,
soube derreter a geada e coube nos nossos sonhos...
Promete que metemos as mãos juntas por baixo
para apararmos as gotas todas que escorriam dos nossos olhos,
enquanto nos olhávamos e trespassávamos de compreensão...
Não sei mais nada amor, já nem te escrevo em letra crescida,
estou perdida, de mim e de tudo...
Há uma mágoa que me atravessa como água,
preenchendo os espaços todos...
Não quero passar por aquilo outra vez,
mas talvez o sofrimento se queira passear por mim...
Pensei que a tua mão me esticasse o alcance
dos braços, mas não...
O tempo é uma víbora de cauda na boca,
que me olha de relance, num tom desafia(dor)...
E eu louca apenas tremo e temo deixar-me morder
e adormecer sem beijo de Amor para me acordar,
desta vez,
quando passar...

domingo, 10 de abril de 2011

Pro (ver) bios...

Queria descarnar a pele da minha pele,
descamar a alma da minha alma,
destituir o sentir do meu sentir...
Pudesse eu nascer de novo,
mesmo que enfrentasse mil mortes dolorosas...
Pudesse eu despir o perfume dos espinhos das rosas,
que me vincam o corpo morto de carinhos violentos...
Pudesse eu sangrar-me e destroçar-me e desamar-me,
para desamar-te...
Pudesse eu odiar-me para odiar-te...
Estranha arte sacra que me marca a palma da mão,
onde a corda a arder corroeu a razão mais funda,
escapando-se a correr...
Queria desacreditar a vida da minha vida,
desesperar a esperança da minha esperança,
esquecer o querer do meu querer...

Mas no fim...

Deus dá vozes a quem não tem Entes...

sábado, 9 de abril de 2011

Rolling... In the deep...

Meus senhores, silêncio por favor...

As pancadas de Molière abrem em solenidade
o palco onde me descalço e me dispo...
O publico nem respira, vira os olhos para o chão,
onde repousam as roupas quentes da minha dor...
O amor é um cenário triste que insiste em permanecer
ao fundo, moribundo, mórbido, mordido, marcado...
Entram as figurantes que se afiguram a mulheres,
cabelos longos, traços embriagados em silhuetas esguias...
As mão bandeiras de nacionalidades vazias
onde dormem soldados que morreram sem saber porque guerra...
Nelas se enterra o desejo que prometeste e esqueceste a seguir,
como enxada em terra infértil...
O meu corpo é a nudez dos teus princípios,
mostro-o ao mundo em nome do teu enxovalho...
Vendi-me por ti,
para que o teu preço fosse saldado
nas lágrimas que não mereço,
mas que me lavam em pudor e sal...
O amor é o chão pisado do palco,
frio,
sujo,
ignorado pelo publico entesado...
(De mãos enfiadas nos bolsos rotos
a simularem um nervoso miudinho
no acto satisfeito de tremerem...)
Tu foste cada uma das pancadas de Molière
ou de outro qualquer,
talvez de ti mesmo...

domingo, 3 de abril de 2011

So what a hell are you so sad?

Fio de prumo...

Lentamente...
Como uma fina gota de agua,
que se esgota na magoa gelada,
de uma parede inacabada...
Timidamente...
Como a sede que nos bebe
depois de um beijo
e que se faz voraz
num imprudente desejo
que não sacia,
que se vicia em si mesmo
e se repete e promete que a seguir pára
sempre que se recomeça
numa promessa disparatada...
Sofregamente...
Como a respiração de um pulmão doente
que não sucumbe
porque se ilude que vai melhorar
desde que não desista de respirar...
Numa conquista de respeito
pelo peito de quem ama...
Apaixonadamente...
Como chama que acaricia a labareda fugidia...
Imolando-se a si mesma
como resma de papel vegetal,
largando cinza transparente...
Desesperadamente...
Como lágrima colhida
pela dor incontida,
suplicando Amor...
Descendo o rosto devagar,
deixando um rasto vincado
de gosto salgado...
Gemendo nos lábios,
morrendo no queixo a tremer...

E a alma obedece...
O equilíbrio é um lastro...
O equilíbrio é um lastro cruel...
O equilíbrio é um lastro cruel a pender...
O equilíbrio é um lastro cruel a pender e a prender a razão que o coração desconhece...

quarta-feira, 30 de março de 2011

...

A(braços) repentinos...

Como posso perder os teus braços?
Se todas as dores se calam quando me cruzo contigo
no abrigo dos meus sonhos?
Faço de olhos fechados os passos do teu colo,
já conheço de cor onde se esconde a tua voz,
deixo-me guiar pela mão do meu coração
que sempre foi a minha bengala branca
e encontro-te...
Naquela casa encantada onde corri tantas vezes
e te espreitava às escondidas enquanto trabalhavas...
Como posso perder os teus braços?
Se os meus estão doridos de esperar por ti todas as noites?
Não te despeças, nem me peças para o fazer,
por favor,
nem lhe chames egoísmo...
É apenas amor sem altruísmo...
Não sei dizer-te aDeus, não quero aprender sequer...
Se fosse suposto saber não sentia este desgosto
apenas por pensar em tentar...
A velha figueira ainda me sabe a sombra
e as uvas ainda me convidam a sujar vestidos de doce...
Ainda sinto os nós do teu banco de madeira
e o cabedal das tuas botas...
Os cheiros daqueles tempo continuam a passear-se por mim...
Não me abraces com força, não quero
que seja o derradeiro momento
em que o tempo pára entre nós dois...
Abraça-me à pressa para voltares depressa amanhã,
ou depois,
eu espero!

(Ainda não... A.A.M.)

domingo, 27 de março de 2011

.. .. .. _ _ _ .. .. ..

Sede...

Hoje devolvo-me ao mundo num copo de água,
O mundo bebe-me num copo de vidro barato...
Saboreia-me,
está farto de beber homens sem sabor...
Lambe-me nos lábios as ultimas gotas,
de olhos fechados...
Desapareci,
para sempre,
num golo sôfrego...
Despojo-me dos bens...
Do mal...
Da minha singularidade anormal...
Dos utensílios de beleza,
da simplicidade sem artifícios...
Da inocência e da esperteza de ter sobrevivido ate aqui,
nem sei bem como...
Dos sacrifícios que fiz e não quis,
das sortes, dos acasos
e dos casos premeditados
das mortes da espontaneidade...
Das poucas mentiras que disse quando a verdade me abandonou
e bateu com a porta e voltou pouco depois,
cheia de lágrimas nos olhos secos...
Matei a sede de mim mesma ao mundo,
hoje aqui, neste copo grosseiro, de vidro grosso e irregular...
Deixei-o beber-me devagar, sorveu-me toda,
com vontade, com desejo,
como um beijo que se dá antes de morrer...
Os meus sonhos sairão, em breve,
em surtos mictórios amarelados,
os meus prazeres, escorrerão,
ao de leve,
pelos poros da pele
quando suar espasmos, encharcados, masturbatórios,
quando se agarrar com força,
numa caricia violenta de prazer descontrolado...
Serei o gemido incontido, num respirar mais intenso,
num orgasmo imenso e demorado...

domingo, 20 de março de 2011

Kiele Aloha...

O filho do vento...

Prendi uma ultima imagem de um sorriso teu nas colinas da minha alma,
semeei-a ao vento para florescer livre...
Amei a terra que te acolheu, a chuva que te deu de beber,
porque perpetuavam uma nesga do meu sonho frágil...
Com calma, vi-te despontar, esticar o caule, como braços ténues
ansiosos de abraços deliciosos e quentes...
E sonhei com o dia em que déssemos as nossas sementes ao mundo...
Pensei que em algum pergaminho remoto do destino
estivesse escrito que pertencíamos um ao outro...
Noite e dia vivia à tua espera acariciando a terra com as mãos,
na ânsia que sentisses o meu amor
que de tão impaciente,se tornou paciente...
Alimentaste-te de mim e eu deixei,
porque era tua
e não fazia sentido ser sem ti...
Bebeste da minha essência, alimentaste-te da minha carne,
aqueceste-te nos meus cabelos...
Dormiste no meu colo muitas vezes
e eu nem dormia para te velar o sono...
Viste-me enfraquecer,
definhar, devagar...
Mas a tua sede era cada vez maior e a tua fome mais voraz
e eu pensava que quando se ama, faz sentido ser assim...
Tu crescias e eu morria feliz de te ver crescer,
se vivesses através de mim estaríamos juntos em ti,
pensava eu...
Mas tu querias viver mais, sem amarras, sem saudades,
sem promessas, sem mim...
Olhavas-me sem Amor, com vontade de partir,
revoltado por te sentires obrigado a agradecer-me...
O meu amor era agora a prisão de que te quis soltar
quando te semeei ao vento,
não eras feliz e a culpa era minha,
porque tinha te entregado o coração
e tu nem tinhas onde o guardar...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Samaritana (Letra de Álvaro Cabral)

Dos amores do Redentor
Não reza a História Sagrada
Mas diz uma lenda encantada
Que o Bom Jesus sofreu de amor!

Sofreu consigo e calou
Sua paixão divinal,
Assim como qualquer mortal
Que um dia de amor palpitou.


Samaritana,
Plebeia de Sicar,
Alguém espreitando
Te viu Jesus beijar
De tarde quando
Foste encontra-Lo só,
Morto de sede
Junto à fonte de Jacob.



E tu, risonha, acolheste
O beijo que te encantou,
Serena, empalideceste
E Jesus Cristo corou.


Corou por ver quanta luz
Irradiava da tua fronte,
Quando disseste: - Ó Meu Jesus,
Que bem eu fiz, Senhor, em vir à fonte.

Que bem eu fiz, Senhor, em vir à fonte...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Exumação...

Sinto a fúria de mil lâminas a esventrarem-me a alma...
Dissecam-me devagar, sangram-me,
secam-me por dentro...
Sou uma carcaça asfixiada pela dor...
Estou cansada desta hiena de sofrimento sádico,
porque não me matas de uma vez?
Amor? O Amor não rasga os membros desta maneira...
Não vês que mais tarde ou mais cedo me esvaio entre os teus dedos...
Atiras-me as estacas inseguras dos teus medos,
feres-me a pele, rasgas-me o peito,
fazes-me leito de mortalha, urna de cinzas, jazigo de desconhecidos...
Perguntas se eu acho que o nosso amor preferia ser enterrado,
ou cremado...
E eu que só o ouço segredar-me, ao ouvido,
que gostaria de viver connosco,
sem entender porque tem de nos deixar...
E eu olho-o a chorar, porque sei que ele adoece,
fenece aos teus pés, desesperado,
cheio de dores...
E tu? Tu nem o viste morrer...
Estavas demasiado ocupado com a merda das flores...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Porque às vezes um murmurio é o que basta para dizer tudo...

Circulo Perfeito...

Há um infinito fundamentado por nós,
onde a voz é mais melódica e as visões harmoniosas...
Acredito que dormimos lá, muitas vezes...
Cerramos as pálpebras, damos as mãos
e o movimento elíptico da terra abranda...
Quem nos manda conhecer e amar tanto o outro lado?
Esse rosto apaixonado do nosso prazer,
não sabe dizer porque nos sabe tão bem a chuva...
Mas é no sopro dos nossos movimentos,
arqueados e ondulados,
que me encontro com a paz...
Há uma miragem nos teus olhos que me faz acreditar
que o impossível é apenas uma palavra triste...
Que existe no coração de quem nunca conheceu
a plenitude de uma caricia suave,
ou de um afago de pertença...
De que valem as palavras quando as línguas se conhecem
e se compreendem numa fluidez de gestos húmidos?
Há uma imensa planície à nossa espera,
onde todas as espécies nasceram e os elefantes
dormem pela ultima vez...
É feita de instantes nossos, momentos que não vês,
porque se entranharam na terra, para perpetuar a vida...
São agora crisálidas frágeis que voam em contra-luz
e tingem o céu das nossas almas na aurora do nosso principio...
Porque nascemos repetidamente,
dia após dia, em ânsias ágeis de reencontro
e todos os dias nos voltamos a encontrar, apaixonar
e perder...
Para nascermos em sonho, do inicio, eternamente...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Danny Elfman sempre brilhante... :

Hipotermia...

Perdi a noção do cetim que se veste de saudade,
da sua maciez suave enquanto me desliza pelos dedos esguios...
Os meus lábios frios são tulipas tristes mordidas,
esquecidas no jardim perdido de mim...
Tenho medo...
Medo de acordar e o dia parecer-me confuso ou distante...
Medo de fechar os olhos e deixar de sonhar contigo,
ou de um dia pensar que tudo não passou de um sonho...
O instante já não nos chega e cega-nos devagar...
Um dia o tempo do teu dia não chegará,
nem a noite que me cabe dentro da noite...
O meu corpo será um peso morto na minha vontade
e o teu corpo esquecerá os meus contornos...
Sabe o tempo o que nos faz quando nos traz os desejos?
Falta-me passar a mão pelo teu rosto agora...
Mas a hora parte e não me leva à boleia...
Soltam-se bandos de beijos baldios a correr atrás de tudo...
Tenho medo que morram vadios vagueando pelas vagas dos desencontros...
Tenho medo que se cansem de correr...
Tenho medo de os ver morrer de mão estendida,
no Inverno da vida à espera da nossa Primavera...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Para viajar para longe...

Genesis...

Há um tempo impaciente roendo as maçãs do nosso rosto,
o suco doce das nossas lágrimas amargam o mel dos sonhos,
num gosto acre de medo que em lacre de segredo sela promessas...
Há um caroço de nó de garganta que nos desce devagar,
rasgando esperanças em intolerâncias ridículas...
Vi-te partir milhões de vezes mas nunca te vi chegar
às margens dos meus braços...
Caminhei milhares de Invernos em desertos dos teus passos
e saciei a sede em pegadas tuas,
bebendo devagar as palavras que nunca me disseste...
Há um horizonte onde o Oriente se encontra
entre o poente e o nascente num crepúsculo despertado...
E mãos desenhadas por um destino sábio que sempre nos amou...
As sombras nuas do meu corpo esperam por ti
no rubor de um pôr do sol qualquer,
onde deixaste a mulher que um dia amaste longe demais...
Num sonho tatuaste o teu nome no meu lábio
e nunca mais proferi outro sem pensar em ti...
Depois o espaço nasceu entre nós semeando universos e constelações de angustias
onde apenas só existiam versos e poemas...
Erramos separados e arrancados das nossas almas a redimir-mos o amor...
E hoje estou nos limites do Éden da vida de joelhos a rezar
a redenção do nosso regresso...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Au claire de la lune, mon ami pierrot, prête-moi ta plume pour ecrire un mot...

Auto-retrato...

Há um estranho em cada sorriso que desvanece,
uma luz que se apaga no olhar que se desvia,
um passo que se perde no entardecer da despedida...
Há um silencio que ensurdece a palavra,
e rasga o grito em tiras de papel...
E aquele instante que parte e nos parte por dentro...
E no meio disto tudo a nossa vida a exigir tudo de nós...
A decepar-nos tempo, a pavonear-se de saltos altos
no alento dos nossos sonhos,
cheia de varizes...
E existem projectos empertigados de narizes empinados
a olharem-nos de soslaio,
a verem-nos falhar
tudo o que queríamos alcançar quando crescêssemos...
E desejos que satisfazemos e deixamos de desejar...
E amores que nos cansamos de amar e que se cansam de ser amados...


E depois de tudo o que não fomos,
fica esta dormência que nos resta,
a felicidade que não nos presta,
mas na verdade é a essência do que somos...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

:) Julio Iglesias um mundo de charme...

SohnoS...

O mármore e o ébano do piano do tempo
tocam baixinho,
beijando devagarinho as lágrimas do acaso...
No meu ocaso, de todos os dias,
há nuvens que nem se tocam,
mas que esticam os braços num gesto desesperado
e apaixonado de amor...
Ao longo de todo este quadro que é a minha vida,
(envolvida em tantas outras telas)
existem pincéis de crina
que não cabem na mão pequenina da minha esperança...
Mas o sonho espraia as velas,
navega areias de saudade que voam num sopro
e se amontoam mais tarde,
num castelo feito pelo balde de uma criança...
E eu a querer o querer disto tudo,
num gesto mudo de espera...
Quando a espera às vezes só alcança uma espera ainda maior...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Pq o infinito cabe neste tema de Hans zimmer...

...

Se coubessem em mim todos os segredos do mundo, todos os mistérios profundos do universo, toda a grandiosidade que nos torna efemeramente imortais e minuciosamente invisíveis... Se coubessem em mim todos os sentimentos dos homens, todos os afectos, todos os sorrisos e o sal de todas as lágrimas... Se coubessem em mim todas as respostas e todas as questões e todas as angustias e todas as alegrias que nos lavam os olhos e nos enchem a alma...
Talvez possuísse a humildade necessária para poder definir o amor, sem me esquecer de nenhum detalhe...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

no love, no glory... no hero in the sky...

Acluofobia...

Há dias que se fazem noites
e noites que são vendavais cansados,
onde me derrubo aos bocados em lágrimas...
São momentos breves que duram eternidades
dentro de mim e onde sinto
que estou cada vez mais só
e este nó na garganta me aperta mais do que devia
se quiser manter-me viva...
Então minto a mim mesma,
abraço-me e digo que tudo passa...
Mas sinto-me a tremer porque sei
que cada dor que me agita
me grita aos ouvidos que não aguento muito mais...
E o amor?
O amor anda ocupado a fazer bolas de sabão...
Cada vez que me aproximo dissolve-se no ar,
ou então deixa-se ficar a ver-me ao longe...
A envelhecer na agrura dos anos,
entre desenganos e desilusões de vidas
e de gentes revolvidas...
Porque a dor é para sempre
e o amor enquanto dura...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

On your knees...

Glândulas sudorí(feras?)...

Ás vezes acho que não pertenço aqui...
Nem aqui nem a nenhuma parte do mundo...
Talvez nem a nenhum mundo sequer...
Respiro o mesmo oxigénio,
respeito a mesma gravidade,
mas na verdade sou estranha a tudo o resto...
Se calhar não presto para ser humana!
(Se calhar ser humana é que não presta...)
Ás vezes, que são tantas, olho à minha volta
e tudo me revolta ou entristece...
Há um encanto sedutor qualquer na maldade
que não entendo...
E uma insegurança triste no poder que me causa muita pena...
O poder deveria ser uma responsabilidade,
mas não, é uma estranha e tacanha ambição
que castra quem o recebe de medo
de o perder...
O mundo é governado por poderosos castrados,
de pernas encolhidas,
montados em falos de borracha...
E eu nasci com a terrível capacidade de os reconhecer
à distancia,
impotentes e incontinentes,
a mijarem-se de medo que os descubram,
a gritarem e a gesticularem todos suados,
a escorrerem incompetência pelos poros encharcados...
E eu rio-me...
E ás vezes estendo um lenço de papel enquanto lhes digo:
-Limpe-se porque fede!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Olé!

Pigarrear...

Lento o leito ledo que me acolhe,
onde se encolhe o meu peito e me quedo...
Lúgubre medo íngreme,
que me escala
em gume de navalha cega...
Lívida a palavra que se cala
na entrega submissa...
Mortiça a vontade que me invade e resvala
para a covardia vadia que me abraça...
Baça a vaidade que me perfuma
e se esfuma na minha derrota...
Morta a ousadia que já não canta,
nem trauteia em desgarrada
e se aquieta em enxovalho...
Meia cheia a coragem esvaziada,
mendigando trabalho, latindo aos cães...
Húmida a secura de um orvalho de terras amargas
de reis de espada erguida,
esgrimindo com sombras,
que tombam de joelhos...
Velhos os novos precoces que comeram as sobras dos dias,
e levaram coices da mula da vida...
Nula esta verdade e os chavões que
nos enchem de teorias e os motivos dos intelectuais
que as escreveram nas casas de banho publicas,
ou nos jornais, ou nos pacotes de açúcar...
PORQUE A VIDA NÃO SE APRENDE NOS LIVROS!!!!!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

There's no victory...

Terra a meia haste...

Jazia num chão que ele nem sabia
pertencer a bandeiras...
Os olhos eram pérolas de ingenuidade
humedecidas por um medo que não compreendia,
mas sempre vivera dentro de si,
entre dois pulmões de esperança...
Num longe que se ouvia perto, gritos
de animais que um dia foram pessoas,
que nem souberam ser animais...
O corpo estilhaçado de criança
era agora uma estátua estendida,
erguida à ignorância e à intolerância,
duas palavras que nem aprendera a escrever...
Não sabia dos pais, pensou no sorriso da mãe
e sorriu...
Tinha frio...
O seu corpo era um lago a evadir-se...
A fundir-se com a terra que pertencia a uma bandeira qualquer...