sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Via de sentido único...

Que sabem os outros?
Que sabem eles para emitirem pareceres esquematizados
e documentados por vidas de outros outros,
se nunca lhes rolaram na cara as lágrimas?

Estou cansada de ideias idealizadas por idiotas...
De me dizerem para tentar o intentável,
para ter coragem quando nunca fui cobarde...
Estou farta de pensar que é da próxima vez
porque as vezes anteriores não estavam destinadas...
Não estavam?
Porque não estavam?
Que sabem os outros do meu sonho, ou dos sonhos dela?
Das nossas expectativas?
Que filosofias selectivas e elitistas são essas???
Tenta mais uma vez, os que morreram antes não contam...
Não contam?
Morreram dentro de mim, eu fui a campa que os abraçou,
morreram comigo,
não morreram sozinhos, houve quem os chorasse,
quem os perfumasse de flores...
Que sabem os outros das minhas dores,
ou das dores dos outros?
Existem lapides dentro de mim
que são visitadas muitas vezes...
E são minhas, não as arranquem de mim
nem as subestimem, nem as minimizem,
nem as atropelem de asneiras...
Há tantas maneiras de morrer,
eu vivi...
(Má sorte ser assim,
resistente à puta da Morte...)

Segue em frente, dizem-me os outros,
os que são estúpidos se acham que posso voltar para trás...

1 comentário:

danyf disse...

na verdade, 'os outros' nao sabem...dos sonhos, das dores...

poema cheio de revolta....

beijos