terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um nome em todas as coisas...

O meu rosto tem muitos nomes,
porque existe uma multidão dentro de mim...
Sempre fui um cais suspenso,
de braços voltados para o mar,
a ver chegar e partir muitos náufragos...
Tenho esta estúpida vontade de curar o mundo...
De lamber as feridas dos outros
e ama-los de muitas formas...
Um dia, num dia qualquer
fui mãe de muita gente
num colo de agua salgada que os embala
e lhes cala as dores...
Amamentei os silencios todos,
beijei-lhes as mãos doidas,
comidas pelas desilusões
que hoje são cotos de vontade...
Cresci sem ter idade e morri
sem estar doente,
mas renascia no dia a seguir
para permitir ao tempo fazer um trabalho
mais tranquilo...
Hoje, não sei quem sou,
perdi-me entre tanta gente,
confundi-me nas vidas todas
e amei alem mim...
As vezes sinto-me como o chão
que sustem toda a gente,
mas ninguem olha com atenção...
Ou a agua que mata a sede mas não tem um sabor definido
e mascaramos muitas vezes com sumo de limão
e passa a ser outra coisa qualquer...
Tenho mil nomes em mim,
mil rostos,
mil dores,
mil sonhos...
E um sorriso constante que é a minha capa de chuva...

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