segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Humus...

A cabeça é um relógio de cuco cansado,
as penas estão pardas e gastas
e os chilreios amordaçados...
O tempo é um sem abrigo morto na calçada...
Agora há quem lhe atire moedas
e quem o cubra de mantas...
Agora que já não mexe...
E cresce dentro de mim este frenesim de angustia...
os minutos são lutos lentos...
E as horas lapides imortais...
Não me chorem mais que eu já não ouço...
Já não me sinto,
estou mergulhada num absinto morto,
que respiro de pulmões sôfregos...
Ao longe dobram os sinos...
E as flores gritam arrancadas ao chão,
sobre o meu caixão de magoas...
Choram pétalas e esta seiva de saliva
que os caules entornam...
As ruas são abutres cegos
a comer gravilha...
E dançam almas nuas numa escuridão de pregos...
E um buraco no chão grita o meu nome,
esculpindo-me as medidas...

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