quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Espantalho...

Sou o espantalho ridículo onde pousam os teus pardais...
O meu corpo de fitas magoadas pelo vento que sopras
já não me isola...
Tenho frio, mas os campos não me aquecem,
nem se compadecem as nuvens que me choram em cima...
Ás vezes fazes de mim um alvo fácil,
atiras-me pedras, pegas-me fogo...
Mas logo te cansas...
E vais-te embora porque sabes que eu não me movo...
E os pardais troçam de mim,
fazem-me ninhos atrás das orelhas,
usam as minhas palhas para se aquecer...
E o meu olhar fixado no caminho
que te viu desaparecer, uma vez mais...
Perguntam-me os pardais:
-Porque não cais espantalho
de coração feito em frangalho?
Porque não vais para longe daqui?
Mas os meus braços abertos teimam esperar por ti...

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