terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dissertação sobre o nada...

A utopia tem o sabor do açúcar de cana, sorve-se devagar, em prazeres suaves, num convite a saborear cada momento intimamente...



Há um tormento prateado na saudade,
que se destaca na escuridão
e nos prende a atenção
entre divagações belas...
É uma verdade que se aprende a aceitar,
que nos decalca a agrura dos dias
numa insegura impaciência
de sermos incompletos e inacabados...
É a demência que cresce
na metade que nos falta,
há falta que temos de nós mesmos...
Porque há sempre algo nosso que amamos
e emprestamos aos outros...
Um gesto, um afecto, um esgar de sonho...
E aprendemos a viver nos outros,
mudando de casa, mudando de alma,
mudando de cama, de norte, de sorte...
E ao longe a morte que nos acena,
todos os dias mais perto...
E vagamos os dias,
procurando a solução na palma da mão,
num destino qualquer que justifique,
ou quantifique sentidos...
E choramos semi-vivos a semi-morgue
que nos guia, dia após dia...
Adormecidos num coma profundo...
Alheios do mundo...
Protelando, esperando, planeando...
De olhos presos num futuro...
Baço, escuro que não conta connosco,
nem nos conhece...
A escrevermos projectos que caem dejectos
e podres no chão,
e pobres comemos
as migalhas na mão do presente...
Porque não entendemos que amar é o suficiente...

Sem comentários: