quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Permeabilicultura...

Existe uma permeabilidade transparente
nas aguas que lavam os sonhos,
um sussurro ausente de palavras...
Uma agilidade doce de mãos que nos fecham os olhos,
enquanto os dedos sossegam os lábios rebeldes,
ávidos de beijos quentes...
Há rituais ancestrais que se estendem nus
em florestas vestidas de árvores femininas
que se balançam e seduzem homens vento
que as desfloram e as exploram em gemidos uivados
e fecundados em terra fértil...
E as folhas são gestos que caiem em
orgasmos perfumados que rebolam no chão...
E as pedras das pegadas do tempo arrastam-se
invejam o cheiro a prazer dos meus sonhos,
o corpo de algas marinhas que se agita
numa fita aflita de esperança transpirada
e encharcada de desejo,
e encosta-me a paredes de recusas,
lambe-me indecisões e solidões intimistas...
Prova-me a carne ardendo e gemendo ordens...
Os meus cabelos de limos bravios e fugidios
entrelaçados em punhos autoritários
de medos, são crinas admoestadas
em rédeas frustradas...
As censuras são estribos
e o comodismo esporas
rasgando auroras...
E ao longo de tudo isto
uma noite de xisto que escurece
a permeabilidade das aguas,
as veste de magoas e as afoga em luto...

1 comentário:

Dany Filipa disse...

incrivel a tua imaginaçao...
a tua inspiraçao...
os teus adjectivos
até mesmo os "sinonimos"
incrivel te ler e sentir tua poesia ;)

beijoks