quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mensagem numa garrafa...

O ar é um fôlego fugidio,
que se estrangula devagar
na ânsia de chegar a ti...
Como se a respiração fosse codigo morse
adocicado num embriagado travo a anis,
numa vontade etilicamente inebriante
e viciante...
Travo após travo...
Gole após gole,
Inspiração após inspiração...
O meu peito esta cheio do teu cheiro e de gestos teus...
É um baú amachucado onde cabes inteiro,
cheio de arestas por limar,
onde passo os dedos e aprendo
a amar todas as falhas...
O amor não só é cego como também
tem um tacto permeável...
Nego-me tantas vezes e
renego-me outras tantas,
tentando entender recados divinos
e mensagens codificadas do destino
em tudo o que me rodeia...
Juntando peças invisíveis,
absorvendo sinais aleatórios,
numa cadeia articulada de propósitos
que só eu vejo...
E desejo ter razão no coração
que me guia,
dia após dia,
noite após noite...
Açoite... Após açoite...
E acho-me louca...
Mas luto pelo meu inaceitável luto...
E grito aos meus ouvidos,
gemidos de improviso,
num aviso de esperança...
Grito até ficar rouca...
E sem voz escrevo com os dedos
em letras garrafais até se gastarem as mãos...
E as mãos gastam-se mas a vontade
não desiste e o sonho insiste,
insiste, insiste...
Talvez um dia acordes
deste sonho-miragem...
E vejas a mensagem que segue na garrafa...

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