domingo, 28 de novembro de 2010

Feridas de guerra também são medalhas...

Não existem palavras mortas, nem caricias terminadas, nem caminhos errados...
Algures entre o caos e a ordem encontrámos e arrombámos as portas certas, entre beijos sepultados num prado de esperança qualquer...



Fiz-me mulher nesta vontade
de querer sempre mais,
porque é a condição soberana
da insatisfação eterna!

Existe na nossa ânsia um toque de asas pelo divino
que os comuns homens, mortais, jamais entenderão...

Sempre usei armaduras
e espadas aladas em guerras desalinhadas
que me perseguem etapa a etapa
das quais a minha alma não escapa
impune ou imune...

Deus deu-me as armas todas, deu-me aulas de esgrima mental
deu-me uma pele que sara rapidamente e deixa cicatrizes leves e breves...


Felizes dos pobres de espírito que nunca enriquecem...

E a ti?

E aos tantos outros que olham para mim
como se eu fosse duma espécie diferente?

E aos outros tantos que me querem meter no picadeiro, fazer-me correr às voltas,
colocar-me o arreio e montar-me à inglesa?

Estou cansada de lutar,
espernear,
arrebentar arreios
mandar cavaleiros ao chão...
Estou cansada...


Talvez devesse deixar-me ir, pela corrente, de trela ao pescoço, pesos nos pés, olhar rente...

(Talvez...
Talvez...)

Se a maré dos outros me levasse,
se eu me deixasse ir,
a desistir aos poucos dos bocados loucos de mim...
Se eu me deixasse e me abandonasse,
se me esquecesse de como sabe bem voar...

(Se...
Se...)

Mas Deus não me iria armar se não fosse para lutar!

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