terça-feira, 2 de novembro de 2010

Disturbios psico-motores...

A nostalgia tem o tom escuro e aveludado das amoras, uma seda de noite que se desfaz na boca e tinge os lábios... Como se a saudade tivesse o paladar dos frutos silvestres e a mesma sede daninha de crescer sem poiso certo, ou lugar pré-estabelecido...
Talvez seja como o perfume do louro que dizem venenoso, mas nos seduz a lambe-lo para nos contagiar daquele aroma quase hipnótico que se perpetua para além das folhas, numa espécie de incenso proibido...
Talvez apenas uma palavra que reúne em si todas as letras das dores do mundo, num dedilhar de ausencias em harpa, numa invulgar paleta de sentimentos ásperos em degradé constante...
Mas seja qual for a definição mais justa, ou poética, ou pratica, ou ridícula que guarde em si e para si é na nostalgia e nos recantos secretos que abriga que encontramos aquele estranho prazer de amarmos algo num alguém além-nós!

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