terça-feira, 30 de novembro de 2010

You'll be perfect just like me...

Ecolalia...

Amo-te!
amo-te...
Amo-te!
amo-te...

Vives no eco das minhas acções
repetindo mecanicamente
os meus sentimentos
em gestos testos de argamassa...
Minha estátua humanizada de mim
que chora as minhas magoas sem as doer...
E eu a ver o espelho que me colocas
à frente num ângulo diferente
que me distorce a imagem
e torce a vontade...
Gritas se eu grito
aflito se eu sofro,
amorfo de imitação
a levares o meu coração emprestado,
no bolso roto do casaco amarrotado...
repete rePETE REPETE REPETE
As coisas que eu sinto quando minto a mim mesma...
sente senTE SENTE SENTE
As minhas dores de amores massacrados,
mastigados,
enlameados de enlaces deslaçados...
Faz tudo como eu faço...
Cada expressão, cada emoção, cada traço...
Se eu me encontrar em ti
pode ser que me apaixone por mim...

domingo, 28 de novembro de 2010

Fight!

Feridas de guerra também são medalhas...

Não existem palavras mortas, nem caricias terminadas, nem caminhos errados...
Algures entre o caos e a ordem encontrámos e arrombámos as portas certas, entre beijos sepultados num prado de esperança qualquer...



Fiz-me mulher nesta vontade
de querer sempre mais,
porque é a condição soberana
da insatisfação eterna!

Existe na nossa ânsia um toque de asas pelo divino
que os comuns homens, mortais, jamais entenderão...

Sempre usei armaduras
e espadas aladas em guerras desalinhadas
que me perseguem etapa a etapa
das quais a minha alma não escapa
impune ou imune...

Deus deu-me as armas todas, deu-me aulas de esgrima mental
deu-me uma pele que sara rapidamente e deixa cicatrizes leves e breves...


Felizes dos pobres de espírito que nunca enriquecem...

E a ti?

E aos tantos outros que olham para mim
como se eu fosse duma espécie diferente?

E aos outros tantos que me querem meter no picadeiro, fazer-me correr às voltas,
colocar-me o arreio e montar-me à inglesa?

Estou cansada de lutar,
espernear,
arrebentar arreios
mandar cavaleiros ao chão...
Estou cansada...


Talvez devesse deixar-me ir, pela corrente, de trela ao pescoço, pesos nos pés, olhar rente...

(Talvez...
Talvez...)

Se a maré dos outros me levasse,
se eu me deixasse ir,
a desistir aos poucos dos bocados loucos de mim...
Se eu me deixasse e me abandonasse,
se me esquecesse de como sabe bem voar...

(Se...
Se...)

Mas Deus não me iria armar se não fosse para lutar!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

E o sonho acontece, entre brisas e sabores de terras magicas e longiquas...

Permeabilicultura...

Existe uma permeabilidade transparente
nas aguas que lavam os sonhos,
um sussurro ausente de palavras...
Uma agilidade doce de mãos que nos fecham os olhos,
enquanto os dedos sossegam os lábios rebeldes,
ávidos de beijos quentes...
Há rituais ancestrais que se estendem nus
em florestas vestidas de árvores femininas
que se balançam e seduzem homens vento
que as desfloram e as exploram em gemidos uivados
e fecundados em terra fértil...
E as folhas são gestos que caiem em
orgasmos perfumados que rebolam no chão...
E as pedras das pegadas do tempo arrastam-se
invejam o cheiro a prazer dos meus sonhos,
o corpo de algas marinhas que se agita
numa fita aflita de esperança transpirada
e encharcada de desejo,
e encosta-me a paredes de recusas,
lambe-me indecisões e solidões intimistas...
Prova-me a carne ardendo e gemendo ordens...
Os meus cabelos de limos bravios e fugidios
entrelaçados em punhos autoritários
de medos, são crinas admoestadas
em rédeas frustradas...
As censuras são estribos
e o comodismo esporas
rasgando auroras...
E ao longo de tudo isto
uma noite de xisto que escurece
a permeabilidade das aguas,
as veste de magoas e as afoga em luto...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fly away...

Nenufar...

E ela nasceu, assim...
No seio de um botão de rosa qualquer, com um perfume próprio e terno e nas costas duas asas decalcadas por um sonho imenso...
Abraçou o mundo com o primeiro sorriso, embriagada por esperanças de linho em mantilhas de inocência...
Nos olhos duas crisálidas de brilho esvoaçando utopias, nos lábios gargalhadas rodando saias e na alma um nenúfar de profundidade à espera de se deixar descobrir!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Love is all you need! :)))))))))))))

O amor é cego e vê, não sei porquê...

O amor é um rascunho da eternidade,
uma fenda de paraíso que nos lambe as mãos,
num gesto impreciso de afecto...
É aquela busca interminável
por uma verdade absoluta,
uma demanda resoluta
por uma causa maior!
Esta além e aquém de nós mesmos,
numa centelha que nos transforma
na utopia que não se conforma...
É a humildade descalça e simples
e a magia que nos permite beijar o céu!
O véu de sonho que nos cobre a alma
e nos descobre tal como somos!
A calma que conforta
O silencio que entende
O olhar que se importa e compreende...

domingo, 14 de novembro de 2010

...

E depois da meta?

Quebra-me o medo em passo de corrida,
levantando poeiras mortas fartas de inércia...
Há caminhos ávidos de passos e cheiros de terra molhada
que eu nunca abracei...
Os meus braços estão laços de tantas desilusões...
Mastiga o tempo por mim,
estou cansada da borracha que não consigo digerir...
Existem em mim recantos inóspitos
que nunca foram explorados, ou descobertos...
E céus de cores boreais que nunca foram
paraíso de ninguém...
Sou penínsulas de praias desertas sem bússolas,
onde só se chega pelo coração
e pelo instinto da alma...
Talvez seja destino permanecer longe das mãos de todos,
mas cheia de mãos para todos...
Há um universo de solidão cheio de luas
onde me invado e deambulo e me preencho...
Há esta incerteza de destreza natural para ser livre...
Quando a angustia me anoitece, não me mexo, deixo-me ficar
à espera que o sentido das coisas me encontre...
Andamos desencontrados há algum tempo...
Porque é sempre o tempo que nos desencontra...
Temos tanto medo da felicidade...
Se a alcançarmos o que podemos desejar depois?
Tem de haver sempre uma meta discreta na nossa existência
que desafie a consciência, a racionalidade, a mortalidade...
Sim somos felizes...
E depois?
Sim somos...
E depois?
Sim...
E depois?
...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Without my wings i feel so small...

Senhoras e senhores, meninos e meninas....

Eles não sabem...
Eles não querem saber...

Ela é um circo de riso,
com trapezistas de lágrimas
a brilharem nos olhos...
Os domadores de leões alimentam-se
de aplausos e os leões sonham savanas
e mordem as dores de açaimes invisíveis...

Eles não sabem...
Eles não querem saber...

O corpo dela foi cortado em ínfimas partes,
por um ilusionista sebento,
sedento de fama e de magia a serio...
Existem mulheres fúteis rapando barbas
de nada em belezas inúteis...
E um palhaço pobre que ambiciona ser mais...

Eles não sabem...
Eles não querem saber...

O sonho dela é um palco destruído
por avalanches de elefantes mancos,
que sobem em bancos, cheios de medo...
Onde malabaristas cortaram as mãos
e deixaram cair no chão bolas de todas as cores...
Há um apresenta(dor) vestido de gala
que chora de joelhos no meio da sala vazia...
E uma criança lança facas à mãe ante a alegria do pai
que a ensina a ter pontaria...

Eles não sabem...
Eles não querem saber...

Porque a tenda é tão colorida...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Loneliness is such a waste of time...

Quando o carvão dos olhos arde...

(O meu olhar de carvão já não pinta quadros, perdeu-se na mistura das sombras,
enquanto raspava os dedos, ao de leve, para dar expressão ao rosto...
Hoje vê ao longe as obras de arte, perguntando a si mesmo, qual a parte de si que morreu, no breu eterno de um carvão de Inverno...
)

Antes ardiam estrelas na noite dos meus olhos,
eram constelações inteiras
de ursas cheias de afecto
que floresciam primaveras num deserto austero...

(Talvez tenham sido nuvens que tenham vestido as estrelas...)

E havia uma brisa bravia que se erguia,
dia após dia, a dançar uma gargalhada!
Hoje nem brisa,
nem bravura,
nem dia,
nem riso,
nem nada...

(Agora, só a poetisa morta e velada na noite escura, que ninguém chora...)

Antes haviam janelas no meu olhar,
hoje só uma porta ferrolhada,
por onde me canso de espreitar...
Houveram pálpebras de braços
sempre à espera dos teus passos
que passaram ao largo,
num escárnio amargo...

(E este abraçar de promessa que ficou suspenso, até que o tempo se esqueça...)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cause this time you won't control..

Mensagem numa garrafa...

O ar é um fôlego fugidio,
que se estrangula devagar
na ânsia de chegar a ti...
Como se a respiração fosse codigo morse
adocicado num embriagado travo a anis,
numa vontade etilicamente inebriante
e viciante...
Travo após travo...
Gole após gole,
Inspiração após inspiração...
O meu peito esta cheio do teu cheiro e de gestos teus...
É um baú amachucado onde cabes inteiro,
cheio de arestas por limar,
onde passo os dedos e aprendo
a amar todas as falhas...
O amor não só é cego como também
tem um tacto permeável...
Nego-me tantas vezes e
renego-me outras tantas,
tentando entender recados divinos
e mensagens codificadas do destino
em tudo o que me rodeia...
Juntando peças invisíveis,
absorvendo sinais aleatórios,
numa cadeia articulada de propósitos
que só eu vejo...
E desejo ter razão no coração
que me guia,
dia após dia,
noite após noite...
Açoite... Após açoite...
E acho-me louca...
Mas luto pelo meu inaceitável luto...
E grito aos meus ouvidos,
gemidos de improviso,
num aviso de esperança...
Grito até ficar rouca...
E sem voz escrevo com os dedos
em letras garrafais até se gastarem as mãos...
E as mãos gastam-se mas a vontade
não desiste e o sonho insiste,
insiste, insiste...
Talvez um dia acordes
deste sonho-miragem...
E vejas a mensagem que segue na garrafa...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

We don't say goodbye...

Disturbios psico-motores...

A nostalgia tem o tom escuro e aveludado das amoras, uma seda de noite que se desfaz na boca e tinge os lábios... Como se a saudade tivesse o paladar dos frutos silvestres e a mesma sede daninha de crescer sem poiso certo, ou lugar pré-estabelecido...
Talvez seja como o perfume do louro que dizem venenoso, mas nos seduz a lambe-lo para nos contagiar daquele aroma quase hipnótico que se perpetua para além das folhas, numa espécie de incenso proibido...
Talvez apenas uma palavra que reúne em si todas as letras das dores do mundo, num dedilhar de ausencias em harpa, numa invulgar paleta de sentimentos ásperos em degradé constante...
Mas seja qual for a definição mais justa, ou poética, ou pratica, ou ridícula que guarde em si e para si é na nostalgia e nos recantos secretos que abriga que encontramos aquele estranho prazer de amarmos algo num alguém além-nós!