terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pablo Picasso também via o mundo aos quadrados...

Sou o sopro roubado do sonho,
entre o ar que se solta e o ar que se retém...
O imaginário que contem o espolio livre das ilusões,
em transpirações perfumadas de sacrifício...
Sou o selar de ambos os lábios num toque suave,
como um beijo de desejo rarefeito em sussurro...
Um murmúrio quente que te prende a voz,
que te despe e te abraça e se enlaça
em nós num momento intimo,
breve, belo...
Sou o desfolhar leve de uma árvore,
que se casa com o Outono,
num abandono apaixonado de si mesma...
Sou uma resma de preconceitos
a ajoelhar-se nos leitos lascivos
dos amantes possessivos que se amam em segredo,
num medo mordaz e incapaz de se entregar,
sem magoar...
Sou a letra trabalhada de cada palavra
articulada, demoradamente,
no teu pensamento mais sóbrio,
numa insensatez deliciosa e orgulhosa...
Que GRITA!
Que se agita numa rebeldia infinita
de alquimia linguística que modifica
a metafisica de um mundo sempre desfasado
e desarticulado do amor maior...

Porque choram os homens sem lamberem as lágrimas,
se a dor tem um sabor deliciosamente viciante?

3 comentários:

Porta-Sonhos disse...

A dor tem o seu que de encanto.

Belíssimo teu poema.

Saudades que já tinha de te ler assim.

Bjo.

Dany Filipa disse...

De facto, belo...terno...suave...
ler e ouvir a melodia...adorei!

isto nao era para se dizer
mas ja tinha saudades da tua poesia :-P
(pronto ficou toda babada) :P
claro que era para dizer

ADORO TE LER!!

beijo da borboleta! :P

VÓNY FERREIRA disse...

Finalmente tenho acesso à tua escrita que tanto me fascina, Inês.
O que dizer desta proa poética?
És certamente uma pessoa sensível e
com um grande talento para moldar as palavras ao sabor das tuas emoções.
Gostei muito.
Um beijo
VÓNY FERREIRA