segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Avant-morte...

Há um dueto vago de sombras que descem dos meus olhos, às vezes...
Caminham em passos lânguidos nos passeios do meu sofrimento e entoam versos que mais não são do que desesperos em listas de compras, onde faço cruzes que me recordam as dores que já suportei para não ter de as repetir...
Há dias em que todos os sentidos se perdem e todos os caminhos parecem rudimentares e pouco iluminados, nesses dias fecho os olhos e penso que quando os abrir talvez as luzes me acompanhem, mas as luzes são pirilampos rebeldes que só alumiam quando lhes apetece e nos abandonam num breu angustiante que nem as mãos à frente confortam...

Hoje o dia escureceu, entre nuvens, desilusões e intenso breu, num imenso negrume, entre ausências e betume de um cimento cinzento que se chama ciume...

E os meus olhos são viúvas de véus negros com caras lavadas de pranto, espelhando uma dor que não passa porque se habituou à tristeza e já nem sabe viver sem ela...
Falta-me o ar todas as noites e eu prefiro assim porque algum dia, se faltar de vez a dor também se cala e eu ganho a batalha por desistência... Quem me dera ter 80 anos e ver a vida a escapar-me entre os dedos e não recear mais nada porque já tinha vivido mais do que supunha, mas os anos não são ambiciosos o suficiente para caminharem mais depressa e cada martelar do minuto rasga-me a alma por dentro...

Um dia quando morrer hei-de saber porque motivo o destino foi tão esquivo comigo...


1 comentário:

Dany Filipa disse...

um desabafo, sobre a dor, a vida e os sonhos por cumprir!
apesar de triste ...esta culto e belo :)

beijokasss