domingo, 19 de setembro de 2010

Claustro Fobia.

Prisão de sonho envolto em pó dourado,
onde me abraças esperançado...
Claustro do meu rasto solto,
envolto em betão cego e morto,
cimento que sopras no meu pulmão,
enquanto me acenas de gaiola na mão...
Os comedores estão cheios?
Admiras orgulhoso os poleiros
que me construíste...
Quando decidiste ser meu dono?
As asas das minhas guias foram cortadas
por dentadas...
Entro...
Os braços medem o espaço que os confinam,
os pulmões definham num ar a conta-gotas...
E eu não grito porque não posso...
As ampulhetas viraram-me as costas,
Os passos confinados no chão,
a mão tacteando limites impostos,
rostos que me analisam a toda a hora...
Clausura insegura de olhos perscrutantes,
que me condena em pena, à pena,
nas penas que me despiram..
Não me roubes o ar...
Morta de que te valho?
Sobrevivo melhor longe,
meus pulmões são velas soltas,
ou velas acesas...
Temo e corro...
E morro na areia do tempo...
Deixo-me ir para um purgatório metafórico...
Dizes e pensas que me amas...
Mas matas-me às migalhas...
Há um escrutínio cruel nos teus dedos de pincel...
Que só me tocam para ler mensagens subliminares,
para ver se eu gemo ou temo alto o suficiente...
Queres marcar-me a carne com um ferro em brasa?
Etiquetar-me?
Por-me uma corrente à volta da alma?
Vendas-me os olhos
mas eu mesmo
cega vejo o mundo la fora...
Agora está na hora de abrir a gaiola...
Encerro a minha porta à tua lupa,
fecho-me em casa...
Desculpa...
Mudei-me e não deixei contacto,
num acto irreflectido e protegido...
Odeio caixas fechadas e mulheres amordaçadas...
Quanto mais me apertaste,
mais escorri entre os dedos...
Não tenho segredos,
nem símbolos secretos...
Por baixo da minha pele, só carne e sangue...
O espaço da prisão que detens na tua mão,
esta preenchido por ti...
És o maior grilhão da tua perna,
essa angustia eterna é a tua tumba...
Desculpa, apaga a lupa, apaga a luz,
apaga a dor...
O amor não se vê...
Sente-se...
Aqui a única gaiola sempre foi tua...

1 comentário:

danyfilipa disse...

intenso...

"Dizes e pensas que me amas..."

"O amor não se vê...
Sente-se..."

--

Não se acha que se ama...
ou se ama ou nao se ama
nem se ve o amor
so da para senti lo
e se possivel
vive lo!!!!

lindo teu poema!!

(como smpre):-)