terça-feira, 10 de agosto de 2010

Vamos fazer um poema...

Vamos fazer um poema,
escrito pela mão de pena da nossa alma...
Infinito no sentido de cada palavra,
rimado, ritmado,
protegido pela estrutura desafogada de estrofes,
onde cabem todos os versos desmetrificados...
Sem palavras eruditas que só convencem os intelectuais,
que as aprendem e as entendem,
sem saber mais do amor...
Um poema analfabeto,
descoberto ao acaso,
quando os homens forem maquinas, num futuro promissor,
deslavado,
quando a poesia for uma memoria
contada por velhos medicados e fechados em hospícios...
Uma cápsula do tempo, em marco de história,
feito em letras manuscritas,
saídas do peito, aflitas...
Pode ter erros,
pode ser simples,
pode ser bronco...
Mas que seja poema no sentir!
Que nos fale de sonhos e de esperanças,
mesmo que humildes!
Que nos lembre a inocência e a valência de todas as coisas belas!
Que fale de crianças, ou de gentes apaixonadas...
Que diga apenas:
Eu gosto de ti, porque sim e não sei escrever mais nada...
Um poema filho de poemas e neto de poemas e bisneto de poemas...
Sem brasão de família...
Mas com um pai e uma mãe e um irmão
que se amem no Natal com bacalhau com todos, (ou com nenhuns)
mas de corpos encostados em calor,
porque não há lenha para a lareira...
Um poema que nos lembre a primeira vez de um beijo...
Ou a vez seguinte...
Ou as lágrimas de uma partida em despedida...
Que nos fale de alguém que fez alguma coisa,
ou que não fez coisa nenhuma,
mas que fale de alguém...
Ou que se cale em silencio por ser recordação...
Um poema que seja canção,
ou oração,
ou adivinha,
mas que seja alguma coisa!
Uma ladainha carpideira, ou um alegria em euforia..
Que relate uma vida inteira,
ou fale de um dia, ou um momento, ou o relance de um olhar...
Um poema que se lance através de nós e nos toque,
nem que seja ao de leve...
Um poema, longo, breve...
Que nos liberte, que nos sufoque...
Que seja mar, que seja rio, que seja lago, que seja poço
que seja poça, que seja gota...
Que seja vago, concreto, abstracto, directo...
Um poema que seja...
Nosso...

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