domingo, 8 de agosto de 2010

Quando um homem ama uma mulher...

Quando um homem ama uma mulher,
quando a respira em essência e carne,
ardem-lhe os olhos em vela
nos sonhos em que não sonha com ela...
Quando um homem ama uma mulher,
a sua,
que podia ser outra qualquer,
mas é aquela,
porque é a única
que lhe sabe daquela forma...
Quando a toma nos braços,
e o cheiro dela lhe perfuma a pele
A distancia é uma túnica de tormento
que veste cada momento
em que os braços são deslaços mornos,
onde não moram os seus contornos...
Quando um homem ama uma mulher e não a beija um dia...
Sem o mel do seu hálito
os seus lábios desidratam e gretam
e sangram...
Porque é no seu fôlego que se completam
e amaciam ...
Quando um homem ama uma mulher e não a vê um minuto...
Os minutos da angustia em afastamento
quase matam e alimentam o tormento em entranha,
em cada separação que se arranha de luto...
O silencio de não a ouvir,
ensurdece-lhe a alma e seca-lhe a vida,
em palma de flores,
numa agonia de quase-morte...
Sem Ascenção...
Onde não existem paraísos perfeitos,
ou sina,
ou sorte,
ou absolvição terrena ou eterna...
Porque não há céu maior do que o que mora nos seus olhos,
onde se demoram as utopias e os prazeres perfeitos
gemendo por leitos e caricias de amor...
E ele aprende a voar nesse olhar
e a perder-se na dor da noite,
se a tristeza a visita,
e a lavar-se no sal das suas lágrimas nuas,
lambendo-as numa sede aflita ...
Quando um homem ama uma mulher...
Quando a aprende
e se rende
e a entende
e a aceita,
nos meios termos da sua existência,
entre demência e lucidez insatisfeita...
Quando vive para sentir a maciez dos seus seios
em abobada perfeita,
e se deixa fluir dentro do mundo
que é o corpo que o recebe em sede...
Sente-se completo num existir maior...

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