domingo, 15 de agosto de 2010

Quando um é a soma de dois...

Já cultivei mil ventos dentro de mim,
fui searas de revoluções,
fui campos de revolta,
fui cavalo à solta em prados de insatisfações...
A entrega sempre me assustou
e mascarei-me de independência muitas vezes,
quando era apenas a resistência que me vestia...
A minha alma edificou uma torre com degraus íngremes
e avisos de derrocadas para desencorajar o amor...
E o amor passava todos os dias por mim,
encolhia os ombros,
acendia um cigarro,
olhava para o cume da minha torre,
piscava-me o olho e sorria!
Pelas janelas dos meus medos via-o passar
e achava-o interessante no seu modo deselegante de andar...
Mas até os medos têm um dia de folga
e nesses dias os sonhos sobem as escadas todas!
Não sei em qual dos dias me rendi ao sonho,
mas sei que foram todos a partir desse dia...
O desafio venceu-me,
porque nunca passei de um desafio qualquer,
daqueles que são uma meta ridícula que se atravessa por curiosidade...
E a idade apenas me trouxe vários vencedores de desafios
que me venceram frios,
em dores muitas vezes...
Mas no meio de tantas corridas nasceu o gosto
por ser corrida e percorrida e descoberta!
E a vontade de pertencer aprendeu a saber-se valer de direito,
no enlace, enlacei-me e encontrei-me!
Não fui feita para estar só, só isso...
Os dedos não se entrelaçam ao acaso,
nem se deslaçam sem deslizarem, intimamente...
Tudo na vida é um gesto...
E nem o ocaso resiste ao toque
da areia morna e dourada deitada em dunas de seios cheios,
à sua espera...
Tudo é parte de algo que parte, às vezes...
E um deve ser a soma de dois,
numa soma perfeita, feita de parcelas imperfeitas!

1 comentário:

O Fim disse...

Bom dia.
Procuro escritores que tenham tentado ser publicados e não o conseguiram para dar uma entrevista sobre as dificuldades de publicação em Portugal.
Se estiveres interessada contacta-me para OfimdaNoite@gmail.com.
Obrigado