sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pintando tectos de azul...

Ela voava, entre as copas das árvores, entre os sopros que beijavam as montanhas, cansadas de estar sós e geladas...
Atravessou nuvens, vestiu-se de correntes marítimas e condensou dentro de si todas as lágrimas do mundo...
Ao longe havia um ele, de costas, de mãos cobrindo olhos de magoas presos a águas profundas...
Havia um corpo magoado e curvado pelo tempo e um orgulho que partira à procura do amor...
E havia um amor que nunca encontrara o corpo onde construir o lar perfeito, onde pudesse envelhecer e morrer em leito quente, depois de uma vida inteira num peito inquieto qualquer...
E por cima de tudo isto havia um tecto mascarado de céu, além do céu azul que conhecemos em manhãs de Agosto onde as nuvens foram à praia e passaram horas a flutuar dentro de água...
Um tecto só porque tinha de haver um limite, até mesmo para os sonhos...
E porque ela, eventualmente teria de descansar de voar e ele, eventualmente, se cansaria de olhar para o chão...

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