quinta-feira, 19 de agosto de 2010

La foule...

Je suis la foule, toute seule...
Viens, par que je pars...
Je ne regrette rien...



Tenho parafusos nos olhos e giro o mundo ao contrário...
A minha visão é uma maquina de roupa em centrifugação...
Roda e roda e roda e roda e roda e roda e roda...
E o mundo fica tonto à minha volta e cai no chão...
Pudesse a terra ser quadrada e tudo seria mais fácil,
apenas teria de caminhar para o abismo e deixar-me cair...
A culpa é dos verbos que nos seus tiranismos imperativos
sobrevalorizam as acções e desvalorizam os sentidos...
Eu amo (amo?)
Tu amas (sabes?)
Ele ama (quem???)
Nós amamos (quando compensa)
Vós amais (os materiais))
Eles amam (ser amados...)
E os parafusos dos meus olhos giram e desenroscam-se
e caem com os sonhos pendurados cheios de amor em serpentina
a escorrer...
E eu a agarrar os olhos
e os sonhos e o amor e a tentar enroscar tudo
e cada vez a cair mais mundo de dentro de mim
para esta bola quadrada onde temos que viver todos
os que nem sabemos viver...
Sim sou louca...
Sim sou...
E tu?
Tens parafusos nos olhos?

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