quarta-feira, 4 de agosto de 2010

EANOS

Os meus olhos são medusas sanguinárias,
à beira de explodirem e tingirem o mundo inteiro...
Por momentos sinto-me gravida de todas as fúrias,
parindo em cadeia a face mais feia da desumanidade...
E agradeço a Deus não dar ouvidos ás blasfémias,
que desejo e vejo tomarem forma na minha imaginação...
Ai se Deus me desse ouvidos...
Havia quem hoje rastejasse sem pernas
e de olhos vazados e lábios colados
entre uma terra de vidros
e larvas e ratos e lesmas
a gemer as dores pelo nariz,
com os ossos todos dos braços partidos
e eu em cima deles a saltar à corda
feliz e cheia de força!!!
Mas Deus até se benze quando me ouve...
Porque não morrem uns quantos mentecaptos no mundo?
O tempo que morrem tantas crianças de fome?
O mundo está cheio de inaptos que engordam
à custa dos outros,
em tronos de trampa!
Vestidos com mantos de estupidez
e coroados de inconsciência...
Porque odeiam tanto estes reis da decadência
a felicidade alheia?
Na sua vida cheia de nada e nas inseguranças
e acne imberbe de quem nunca será um homem,
têm os bolsos cheios de inveja...
Pobres crianças-monstro com tamanhos disformes
de pêndulos caídos e apodrecidos...
Tão nojentos, peçonhentos,
pavoneando-se em cavalos de soberba
a mendigarem sexo à noite
a mulheres frígidas que lhes lavam as cuequinhas sujas atrás...
E assim se faz o mundo dia após dia mais pequeno...

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