domingo, 22 de agosto de 2010

Descalça às escuras?

Conto os passos,
recapitulo,
meço o tamanho das pegadas
que se imprimiram no tempo...
Não sei se tenho tempo que me sobre,
nem se as pegadas prevaleceram
num registo nobre ou vergonhoso de passado...
Mas há um imenso cansaço que me embriaga
na fúria dos dias...
Acho que me perdi de mim,
enquanto procurava por ti...
Agora entre esquinas e encruzilhadas,
as minhas pegadas tornam-se desconhecidas
porque o caminho que eu percorri,
para chegar a ti,
apagou aquele que era o meu...
E as vidas que me acompanham
estranham o meu passo,
num andar diferente
de abraçar ausente...
Há um traço que já não traceja
o meu chão...
Não sobeja passeio largo
neste caminho vago
para que alguém me acompanhe,
sem que estranhe a irregularidade do piso,
outrora leve, liso, breve...
E ha sorrisos que me acenam ao longe
e que os sinto perto cada dia que passa...
E o tempo avança...
E os dias correm...
E os passos partem...
E eu?
Continuo a olhar para o chão,
à procura da passada que segura e liberta a pegada...

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