segunda-feira, 31 de maio de 2010

We're just worlds apart...

Flores na campa do meu amor...

A noite cai como agua benta
em corpos profanados por amores sagrados...
Existem centelhas de estrelas
em constelações de paixões
de lustres a espalhar purpurinas no céu...
E os corpos dos homens
são mão cheias completas de sonhos,
quando se agitam na brisa de outros corpos
que transportam altares de promessas confessas
de um prazer nirvanesco...
Alguém escreveu nas nuvens
que só se ama verdadeiramente uma vez...
Eu escolhi amar uma pessoa de cada vez,
porque o amor faz-me falta,
como pão para a boca...
Podia ter-te amado só a ti...
Mas tanto amor não cabia dentro de uma pessoa só
e tu sempre foste só e uma pessoa...
Hoje amo toda a gente nos olhos,
para distribuir esta avalanche em flocos de afecto...
Sinto-te perto,
nos olhos dos outros,
porque me lembram que tu és um deles...
Nunca mais amarei ninguém como te amei a ti,
apenas porque não conseguiria morrer outra vez
e esgotei as minhas sete vidas contigo...
E não porque mereças qualquer tipo de devoção ou fidelidade...
Lembras-te de mim?
Torturas-te nas lembranças
a quem destruíste as esperanças?
(Como quem afoga gatos bébés
e acha q os gatos não sofrem porque ainda não abrem os olhos?)
Os cegos também se afogam meu amor,
só não têm noção de quão fundo estão...
Lembras-te de mim?
naqueles dias mais cinzentos,
nos tormentos, das tormentas?
Quando não aguentas a semi-vida q escolheste?
E penetras uma felicidade frígida,
num orgasmo morno, rápido,
pequenino de membro semi-flácido?
Talvez a felicidade não seja ambição
q te alicie...
Por isso te lambuzas em migalhas
de sorrisos amarelos...
O meu grau de saciedade é muito diferente do teu...
Tu esperas sentado pela felicidade
eu tento acompanhar a minha todos os dias...
Dizias, entre conversas, q ias amar-me até morrer...
E eu nunca me tinha apercebido q ja estavas morto,
há tanto tempo....

domingo, 30 de maio de 2010

Sinto no tempo, o meu tempo a morrer...

Banquetes romanos...

Todos os dias...
Procuro respostas dentro de mim...
Todos os dias...
Nos dias, q ás vezes são noites,
tento analisar factos a distancias confortáveis,
sabendo q a lupa dos sentimentos desculpa e distorce imagens...
Não existem motivos tacteis,
não resolvo verdades absolutas dentro de mim...
Ainda assim, sei,
porque cheguei a esta conclusão,
q cada coisa tem um motivo onde se encaixa,
na caixa magica e trágica da nossa vida...
Somos triângulos, cubos, esferas,
à espera de encaixar naquele espaço q nos delimita e aconchega...
Porque se apressa a vida em nos apressar,
sem nos deixar encaixar as peças todas?
Pudesse eu ter tido as peças,
antes de ter sido surpreendida pelas pressas da vida...
Mas a vida às vezes é uma cabra,
chega antes da hora e não quebra, nem cede
e o tempo urge e ruge-nos num tic-tac impiedoso...
Já não tens tempo...
Já não tens tempo...
Já não tens...
Já não...
E eu olho para aquela direcção,
onde deviam estar os meus sonhos encantados
e vejo outros q me habituei a reconhecer,
onde tu não moras...
Choras à porta do restaurante da minha vida,
onde a vida não se importa...
E eu choro contigo,
mas estou sentada à mesa,
num banquete q se come e regurgita...
No fim falta-me a sobremesa
e trouxeram-me o café...
E agora todos os doces seriam inúteis...
Gostava de te rever uma ultima vez nos sonhos q perdi,
para me despedir de ti,
de garfo pequeno na mão,
saboreando cada garfada...
Mas estou de dieta rigorosa de sofrimentos antigos,
polvilhados com sentimentos...
Só me sobra a cafeína q me obriga à espertina...
Sorvo a racionalidade a ferver, em chávena escaldada...
Sabes?
Todos os dias aprendo q existem sonhos q já nascem a morrer...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ai milonga d'amor...

Tango dolor...

Um dois
três quatro...
O fogo nasce-lhe nas pernas,
em fósforos carnudos, torneados, desejados...
Os pés dela são mulheres provocadoras,
de saias diminutas,
travando lutas com pés machistas...
Um dois
três quatro...
Bicos de sapatos fetichistas lambem a perna dele devagar...
Sabem cruzar no meio, num salto fino, feminino...
Enroscam-se parafusos de coxas,
num turbilhão de fricção,
a ferver...
Um dois
três quatro...
Os braços são laços violentos,
ela é arado castigado em terra de desejo,
rastejando por um beijo a quatro tempos...
Cravando unhas na cintura q a privou de altura...
Um dois
três quatro...
A musica cerra-lhes os dentes,
os olhos são gumes quentes,
corte de faca felina afiada de gestos...
Escorrem acordeões argentinos de suor...
Um dois
três quatro...
O cheiro a orgasmos no ar a libertar pernas e braços
compassos latinos em rasgos de dor,
amor em marca-passos,
espasmos de prazer,
pescoços opostos, roubando os rostos...
Um dois
três quatro...
Lábios decorados de vermelho esbatidos com dedos
q se sugam ao passar,
abraços que são quase angustia porque a paixão os corrompe
e os rompe e os tortura e os joga ao chão da loucura...
Um dois...
Nós dois?

domingo, 23 de maio de 2010

C'mon...C'mon... ;)

Recifes de pecados...

O tempo sussurra,
num murmurar doce, humedecido
de libido quente,
numa mousse de algodão,
pele e especiarias...
Visito habitats de desejos
nunca antes navegados...
Os toques suaves são cheiros,
são afagos de palavras,
são silêncios partilhados
em línguas de código Morse...
Existem recantos vagos, quase dispersos
nos sentidos q se acendem
em instantes de pirilampos,
copulando nos campos
como luzes de Natal intermitentes...
O pecado mora em cima, em baixo,
ao lado e de frente para mim,
num frenesim de corais e anémonas,
q acasalam uma vez por ano
e tingem mares quentes...
Lambo respirações constantes,
de amantes cúmplices q se confundem no olhar...
Existem sons q fogem dos lábios
em matilhas selvagens
e se escondem em bocas alheias...
No meio de tantos impérios
apenas tu e eu,
rendidos em mundos alternativos,
iluminados por frestas e velas,
dançando em sombras de arestas e contornos...
Perdidos um no outro,
tacteando o chão das emoções
de razões vendadas,
sôfregos recifes de corpos eternos...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Que hasta en su muerte la fue llamando...

O principio do fim...

Já não caibo em mim...
Os contornos foram todos forçados,
os limites foram ultrapassados
por fronteiras patéticas
q me encurtaram o chão de manobra...
Saltam-me torneiras frenéticas dos olhos,
em desgarradas de agua fria e agua quente
sempre salgada...
E a garganta tem um ancinho q se arrasta devagarinho
a cultivar silabas mordidas
semeadas por um agricultor cruel
q mastiga a terra em vez de a amar...
Caminho sobre pregos para a frente e para trás
e nenhuma dor me faz feliz,
apesar de precisar da dor para me saber viva...
Quando já não doer
estarei ao colo de um anjo qualquer
q me beijará as nódoas negras
e as mãos ensanguentadas...
Porque me viraram as costas os anjos?
Afago-lhes as asas q de penas nada têm,
são arames farpados de desprezo
q me rasgam os olhos até escorrer
toda a cor da terra q albergam...
Antes o amor acariciava-me com as mãos
e beijava-me carnudo e fogoso...
Agora só esta morte andrajante
que me caminha nos seios...
Porque não me verga de uma vez,
nem a morte me faz sua amante
e eu jurei-lhe fidelidade eterna...
Sabe-me a sangue, o gosto,
num coagulado sombrio de cicatriz...
Maquilho-me de rosto feliz e saio p'ra rua
de garrotes nos braços,
cada dedo é uma lamina,
cada cabelo archote em chamas,
toda a gente se afasta,
como sempre se afastaram as gentes...
Basta de amar impotentes...
Já não caibo em mim,
nunca soube caber em alguém,
mas cá dentro,
houve um tempo em q coube um mundo inteiro...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

:(

Odeio-te...

Lágrima...
Lamento em agua e sal...
Cal q me caia a alma de branco
em mágoa e pranto...
Dor de corte transversal
meu meio partido ao meio,
funeral de metades
onde choram as vaidades...
Morte em abraço q eu respiro
num suspiro de retiro escuro...
Odeio-te por te amar tão inseguro
e covarde,
na urgência q se fez tarde...
Cadencia q se sustem
no teu mundo de ninguém sem compasso,
sem abraço, sem espaço,
sem... Sem... SEM...
Odeio-te por nao te conseguir odiar,
por perder-me a perder-me neste intenso
sufocar de ar imenso de sentir...
Vejo-te sempre a fugir e a levares
aquilo q sou contigo,
nesse abrigo semi-morto q encontraste
para o amor doente q nos prende...
Agarro-me às minhas pernas,
mas esperneio-me para partir contigo,
sempre a correr para te apanhar,
sempre a ver-te suplicar
por seres metade daquilo q és...
Os meus pés escorregam nas minhas mãos
como enguias masoquistas...
Odeio-te porque me conquistas
sem conquistar,
por me fazeres acreditar
q amar era possível,
quando te é impossível amar seja o q for...
Odeio-te amor...
Odeio-te...
Odeio-te...

Sampled and soulless...

Polinização e clorofila....

Não entendo as atitudes dos outros,
nunca lhes encontro no olhar a felicidade
e a sensatez q encontro nos animais...
De quando em vez,
vou de carro e vejo os campos a correr
ao meu lado,
fecho os olhos
e sinto cada folha a embater contra o meu corpo,
num estranho momento de paz e prazer...
A natureza faz amor comigo
de uma forma q os homens não sabem...
Porque nunca tentaram abraçar o vento,
os homens,
aqueles q são os outros,
q se confundem connosco...
Eu tento, todos os dias,
abraçar-me a qualquer coisa...
Procurando, no intimo de mim mesma,
o olhar q têm os animais
q são tão inteligentes q não falam,
mas ouvem-nos,
como nós não nos sabemos ouvir...
Os animais nem sabem mentir,
não precisam aprender
aquilo q não lhes faz falta...
Almejo a sabedoria das árvores,
em força de raiz milenar...
Ser feliz é apenas ter onde pousar
e fazer parte da obra de arte da Natureza...
A beleza não nasce em clínicas,
não é tubo de ensaio...
Mas pode despontar em Primaveras estéticas
q nos enchem de uma estranha esperança
de voltar a ser criança...
Os homens não fecham os olhos a ouvir os ribeiros,
por isso não podem renascer,
nunca aprenderam os segredos da agua,
não sabem ser um ciclo,
só sabem ser um traço,
tantas vezes destroçado...
Hoje visto-me de abraço,
sou campos em corrida,
sou olhos de animais,
árvore erguida, entranhada em terra,
sou um dos outros,
a aprender a ser um dos nossos...
Sou clorofila em guerra aberta à estupidez!
Polinizo cada pessoa até q a alma me doa,
pq o sonho merece mais do q o espaço q lhe cabe...
Mas porque o Homem nem sabe sonhar,
não me agradece e enxota-me uma vez mais...
Reduz-me ao conceito reles q tem dos animais,
porque o Homem só cobiça as peles...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ja q a má sorte assim quis...

Meu estranho fado...

Meu estranho fado,
abraçado em lágrimas de xailes,
dedilhado no meu corpo de guitarra...
Amarra sombria da minha alma...
Destino acre
que me prendeu ao teu
que não se destina ao meu...
Maldição feita cola,
feita selo, feita lacre...
Protecção de mim mesma...
Excesso de zelo, cuidado supérfluo...
Respeito q me prende o ar no peito
pelo q não entende...
Grito q morre na voz,
fadista garganta cheia de nós,
vista q escureceu,
sem cair do pano...
Estranho entranho,
desgarrada do meu ser,
entre canto e pranto,
alvorada q me vê nascer e morrer,
todos os dias,
minha maldição de orgulho...
Meu estranho enfado,
entulho entulhado,
mascarado de poesias...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Adeus? Porquê?

Nunca tive jeito para despedidas,
nunca soube utilizar as palavras certas,
dosear as medidas do abraço
ou o caudal das lágrimas...
Ás vezes, confesso,
nem consigo chorar...
Porque preciso da dor comigo,
numa estranha companhia...
Fujo com o olhar,
para o chão, para a parede, para o horizonte,
onde não se encontre com o teu...
Enquanto partes
e me partes aos bocados...
Distraio,
ou abstraio,
a mente
com coisas fúteis e inúteis
e mascaro a minha sensibilidade
com papeis sintéticos de rebuçados...
Tento imitar as pessoas frias,
q não sentem,
ou mentem
porque têm a flor da pele
mais na raiz...
E guardo pedaços de ti para rever mais tarde,
quando acordar em carne o osso
e perceber q a claquete vincou o tempo
q me permitia fazer de conta...
Lambo-te nas memorias e colo-te
na ponta dos meus dedos
como selos...
Tento memorizar cada palavra
no timbre certo,
cada gargalhada,
cada gesto...
Visto-me de carinhos q nunca me soubeste dar,
ou não pudeste...
Visto-me de ti e dispo-me,
porque estas ali,
enquanto a memoria me permitir,
nos meus braços,
q são os nossos...
Porque nos temos de despedir?
Porque deixamos partir,
as pessoas q nos permitem ser pessoas?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Make it right, just hold me...

Tudo passa...

Tudo passa...
A saudade q nos abraça...
Que nos treme a voz
e se agarra a nós como argamassa...
Tudo passa...
A desgraça q nos desgraça e nos devora como caça...
Tudo passa...
A morte q escolhe a hora,
nos toca e passa
mas escolhe levar quem nos enlaça...
Tudo passa...
A dor q nos molda e se torna na nossa massa...
Tudo passa...
O amor q nos tolda a alma em estado de graça!
Tudo passa...
A beleza q nos transforma em fétida carcaça...
Tudo passa...
Somos almas viajantes em escadas rolantes
à espera q o tempo nos desfaça...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Com perfumes de poesia....

Pesadelo da mudez...

Ás vezes gastam-se as palavras,
quando as silabas são meias rotas q andaram no chão,
com unhas macabras de feias...
Crescem-me ligaduras na boca,
agarradas à língua,
cheias de fios de gaze...
E eu puxo-as,
antes q me engasgue...
Vêem-me as letras à boca em vómitos...
Óbitos silábicos regurgitados e engolidos...
E as palavras amarradas,
são entorses,
incham dentro da minha boca
e colam-se ao palato...
Raspo-as com a língua,
tento arranca-las com o dedo,
mas as palavras têm medo e agarram-se aos dentes...
Quem diria q as palavras sofrem de agorafobia?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

In every way...

Passaste por mim, no outro dia...

Passaste por mim,
no outro dia,
num dia qualquer,
q podia ter sido hoje...
Senti o teu cheiro na rua,
(porque as espécies reconhecem-se...)
olhei e seguias tu,
de olhos vidrados e passos quebrados
seguindo caminhos castrados,
de sorriso largo e amargo nos lábios...
Segui-te com o olhar,
acelerando as pálpebras,
correndo com as solas da íris,
rua abaixo...
Contei os passos todos
q me distavam de ti,
pousei os meus sonhos nos teus ombros,
mas o teu semblante cabisbaixo
nem reagiu...
Estavas frio de morto...
Nunca tinha tocado
no teu corpo tão gelado...
Eras apenas escombros de um homem,
destroços de um barco, sem convés,
perdido sem porto, nas marés...
Abracei-te com a alma o melhor q pude,
fechei os olhos, rezei por ti,
pedi a Deus
q te desse a alegria q me ilude
e insuflasse a minha vida nos teus pulmões...
Mas acho q Deus não ouve as orações
dos apaixonados,
porque os acha abençoados o suficiente...
Beijei-te os lábios roxos
q se esqueceram do sabor
de um beijo de amor
porque nunca o aprenderam...
Entrelacei as minhas mãos nas tuas
em juras de amor eterno...
Mas as tuas mãos eram Inverno rigoroso
de dedos de árvores velhas, cheios de nós...
Abracei-me aos teus joelhos porque de repente
estavas alto de mais...
E fiquei a sós com os teus pés
porque continuaste a crescer,
e de repente deste um passo maior q eu,
e o meu abraço não foi forte o suficiente...
Deixei-me ficar no chão,
de olhar-mão estendido,
a ver-te correr vestido
de passos gigantes e distantes....
Passaste por mim,
no outro dia,
num dia qualquer,
q podia ter sido hoje...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Eu tenho medo, tu tens a paz...

Porque caem as pontes?

Não quero magoas escurecendo as aguas
q passam por baixo das nossas pontes,
tu de um lado,
eu do outro,
e aguas escuras la em baixo,
magoando as pedras duras...
As aguas merecem um fim mais nobre,
do q vestirem-se de cobre ensanguentado...
As pedras são pedras,
não são armas férreas...
As pontes são conectas,
ligam margens indiscretas...
Porque caem as pontes
q ligam os montes,
q ligam as gentes?
Porque tombam, pesadas no chão?
Como gigantes, tropeçantes e deficientes
no andar?
Porque se soltam da mão?
Porque desistem de se abraçar fortes?
Porque se cansam de ser suportes?
Porque deixam de se suportar
e optam por quebrar?
A nossa ponte ruiu,
caiu, desistiu...
As margens já não se tocam,
nem se provocam com o olhar...
Não há passagem de uma margem para a outra,
não há caminhos seguros,
não há suportes ou muros...
Não esticam as mãos, não esticam as pernas,
não partilham chão...
Não...
As pontes não são eternas...
Mas as aguas serão sempre transparentes...

sábado, 1 de maio de 2010

É mais facil perceber como voa um avião...

Mademoiselle butterfly...

Collants rasgadas, pernas arqueadas,
lábios esborratados, dentes mascarrados,
lambidos e retingidos de vermelho sangue...
Passos gingados, espaçados, deslizados
em saltos altos,
desafiando o asfalto...
Segue ela,
o oposto da donzela,
decote descoberto,
peito liberto,
saltitando ao ritmo da dança da anca...
Desce a rua, semi nua,
desafiando quem passa,
olhar atrevido,
parco e feio vestido,
tenra idade,
sem virgindade,
sem classe...
Não há quem passe q não repare,
no rabo vincado,
arrebitado, cheirando a leite...
Enfeite doloroso e espinhoso da noite,
onde o corpo se vende e castiga...
Maço de notas pequenas na liga,
q pagam o sustento,
da heroína q de heróico nada tem...
Tatuado no braço
as asas de uma borboleta preta,
pequenina,
q nunca teve espaço para voar...