sexta-feira, 30 de abril de 2010

Don't know why...

Espanta-espectros...

Deslizo pelas minhas faces em bolas de naftalina,
sou rios rápidos e repentinos de memorias
q julgava fora de prazo...
Mas o acaso tem destas coisas
e escreve as estórias como se fossem historias...
Na minha ânsia pequenina de esquecer,
guardei-te num armário a cheirar a velho,
oposto ao baú da minha infância
que cheira sempre a rebuçados!
Virei o armário com as portas para a parede,
para q nunca mais me sentisse tentada a soltar-te...
Mas tu sempre odiaste lugares fechados
e talvez por fobia,
ou mera sede
teimaste em sair...
Primeiro uma perna,
depois outra, depois um braço,
no fim um abraço a sufocar a minha imaginação toda
por a apertares com tanta força...
O meu coração a fingir-se desinteressado
e por dentro a galopar desenfreado,
num amor de rédeas soltas...
E eu de novo na prisão...
A dor de aço em grades...
A arrastar o grilhão de chumbo do meu sentir,
q pesa bem mais do q eu...
Talvez me agrades assim,
em movimento,
recalcado,
cá dentro,
em altos e baixos constantes,
às vezes tão distantes
q já nem os sinto...
Então minto a mim própria,
rio-me da loucura,
minimizo, desdramatizo,
tiro uma sapisciência estúpida qualquer
do tudo q foi nada,
dou outra gargalhada
mudo de assunto...
Evoco a impaciência toda
q me caracteriza
e martiriza
todos os dias,
em horas meticulosamente numeradas...
Simulo um adeus recorrente...
Mas sei q à noite,
volto a viver em casas assombradas de registos teus...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

You don't really care for music...

O meu casamento...

Vesti-me de bucólico,
num casamento melancólico comigo mesma...
A minha alma escorreu e vestiu-me de branco,
havia um cheiro de pranto a poluir o ar,
entre os passos em compasso de funeral que
me levavam ao altar...
A musica de chilreio de pássaros moribundos
era a minha banda sonora,
como galos entoando a alvorada,
está na hora, está na hora, esta na hora...
Os falos todos a dizerem-me adeus com lenços brancos
pareciam carpideiras...
Ainda dizem q um homem não chora!
Atrás de mim mulheres a desunhar-se
para agarrar o meu bouquet e eu
a chorar as flores mortas
q tenho na mão e a imagina-las cheias de larvas...
Somos tão parvas, nós, as mulheres...
Tão deliciosamente apaixonadas por sermos especiais...
Pé ante pé chego,
perto do senhor que se masturba às escondidas
e diz q o amor é pecado e o prazer é mortal...
Nas bancadas inúmeros casais q se odeiam,
mas estão juntos por causa dos filhos, ou do carro, ou da casa...
Desejam em segredo que eu seja tão infeliz como eles,
cheios de medo que eu lhes prove
que a felicidade é possível...
As crianças riem, choram mas afinal Deus não gosta,
porque toda a gente as manda calar...
Tinha esperança que Deus gostasse de escutar as crianças...
E o senhor manda-me ajoelhar ao nivel da cintura dele,
acho aquilo perturbador, mas faço-o...
Abençoa aquilo que ele não conhece,
o amor...
Casa-me comigo mesma e livra-me do pecado,
apesar de ter desejado tomar-me ali mesmo,
na bênção daquele altar,
ante os aplausos de todos
e os gemidos de muitos,
corados, transpirados,
de dedos e mãos tremulas buscando orgasmos,
deitados nos chão, olhando o tecto,
sentindo que o prazer nos leva até Ele...
Beijo-me repetidamente e acaricio-me
porque me pertenço
e aquilo q Deus une ninguém pode separar!
Separo o meu bouquet e dou uma flor
a cada mulher para q encontre o seu amor por si mesma,
acima de tudo!
Dou um beijo no padre, e mordo-lhe a língua
para q nunca mais blasfeme o prazer...
Arranco o Cristo da cruz,
porque me custa vê-lo ali nu,
cheio de frio...
Deito-o no meu colo
e digo às crianças q gritem e chorem e cantem,
que ensinem aos pais que não são responsáveis
pela infelicidade que os une
e o som das suas vozes não envergonha ninguém...
O som de vida na igreja aquece o Cristo...
Agradece-me com os olhos, sorri...
Nunca tinha visto o Cristo a sorrir,
tem um sorriso lindo...
Esta será a melhor memoria que guardarei do meu casamento!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

fiuuu fiuuu fiuuuuu!!!!! :D

Galochas cor de rosas (com bolas fluorescentes)!!!

Gostava de ter umas galochas
cor de rosas,
(com bolas amarelas fluorescentes)
para saltar nas poças!!
Gostava de andar nua,
a saltitar pela rua,
só de galochas cor de rosas
(com bolas amarelas fluorescentes)!!!
E partir todos os guarda chuva
das outras pessoas,
q em multidões pretas de atropelos nem se olham...
Porque se protegem com varetas?
Porque não se molham?
Talvez pensem q derretem se molharem os cabelos...
Porque se esqueceram as pessoas boas,
de saltar nas poças?
Enquanto se olhavam e riam e se divertiam
a molhar a roupa?
Sim...
Sou louca...
Mas gostava de ter umas galochas
cor de rosas,
(com bolas amarelas fluorescentes)
E saltar nas poças todas!
Vou comprar uma bisnaga
de jacto bem forte
e umas galochas cor de rosas
(com bolas amarelas fluorescentes)
a molhar com um sorriso,
todos os indiferentes
q tenham a sorte
de se cruzar comigo!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Só vivemos nas sombras daquilo q somos, se não abrirmos as nossas janelas!

A pequena extraterrestre q vive em mim...

Vivo nas entrelinhas da diferença,
no espaço proibido q existe naqueles cadernos pautados
que nos tornavam a letra mais bela...
Gostava de escrever nesse espaço milímetrico,
segredos ilegíveis, camuflados pelo azulado daquelas linhas...
Sempre odiei aquela perfeição das letras
aprisionando-as numa caligrafia estereotipada...
Às vezes, escrevia o meu nome na obliqua,
ocupando uma pagina inteira,
com letras de diferentes tamanhos e sentia-me livre!
Sempre tive uma maneira estranha de ver o mundo,
até os meus desenhos eram diferentes,
desenhava as coisas de cores desirmanadas,
pintava as portas das casas de verde e a relva de azul...
Porque no âmago profundo da minha imaginação,
a erva podia ser um espelho do céu,
se estivesse coberta de gotas de orvalho...
E as portas deviam ser verdes,
porque representam a entrada da esperança...
Era uma criança complicada,
ora chorava por tudo,
ora não chorava com nada...
Qd estava feliz dançava,
rodopiava até cair no chão,
tonta, zonza, perdida em gargalhadas...
Se via um animal morto,
chorava durante horas
até adormecer,
ninguém devia morrer,
sozinho no chão,
na solidão do próprio corpo...
Não percebia pq gritavam os adultos,
se eu ouvia tão bem qd falavam baixinho...
Hoje sei q todos os adultos tem tendência para a surdez...
Hoje, de qd em vez, tb me sinto surda,
devo estar a chegar à idade adulta... :(
Ainda assim, dentro de mim,
existe uma criança estranha,
sempre a espreitar...
Q se entranha nos outros,
e ainda chora qd vê animais mortos...
Q da gargalhadas sem regulador de volume,
faz caretas em frente aos espelhos dos elevadores,
toma as dores dos estranhos,
acredita q o amor resolve quase tudo no mundo...
E ainda não sabe de q cor se devem pintar os desenhos...

I heard somebody whisper please adore me...

O breu da noite não é um vestido de gala...

Beijo os pés da aurora,
agora,
na hora ténue em q se cala a noite...
O tempo é um açoite voraz
q se faz valer de direito
e me enegrece o peito
com pancadas secas...
Divago pelo escurecer vago
do céu, vestido de breu,
não sei se repito os passos q já dei...
Talvez deambule na loucura
da procura...
Sempre a andar às voltas...
Apenas circule, em círculos circulares
de pernas soltas,
sem radares,
sem estradas,
sem caminhos,
sem direcções a seguir...
De olhos cerrados,
colados às palpebras
e mãos esticadas à frente,
sempre com medo de tropeções incapacitantes...
Vasculho a terra dos sonhos avidamente,
entre constelações de estrelas adormecidas
apaixonadas por cometas de cauda tardia...
Felizmente,
em breve será dia e tudo voltará a fazer sentido dentro de mim!
A noite é escura, mas não dura eternamente!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Silk...

Esfoliação....

Às vezes sinto q o mundo gira ao contrario de mim...
Q não pertenço ca,
q me descompassei do seu compasso...
Q ocupo espaço a mais
e ha espaço q me sobra...
Q a linguagem q entendo
não é a mesma q o mundo fala...
É nessas alturas q o meu mundo
se cala ao mundo...
Encerro as minhas portas
e berro dentro de mim,
nos limites do meu fim
à fronteira q me magoa,
até q a voz do silencio me doa...
Quando me sinto subterrada
em escombros de células mortas,
onde os esfoliantes e os cremes hidratantes
têm pés e mãos atados e não me libertam a pele do sentir...
Obrigam-me a mentir,
os outros,
aqueles, q nunca serão como eu...
Q eu tento abraçar e me estendem a mão
mostrando-me q estou sempre fora do contexto...
Obrigam-me ao pretexto do enredo,
quando tudo não passa de medo...
Amam os grilhões das frustrações
E o mundo também se convence
das suas razões e envelhece com eles...
Os outros que estão velhos e acabados
mas são idolatrados, porque são todos...
Q devoram e povoam o mundo q não me pertence...
Os q amam as suas células mortas e sentem-se nus,
sem essas bengalas de linguagem e imagem...
Os outros q amam o mundo sem toque,
sem choque, sem abraço, sem laço,
sem mim...
Saberão amar alguma coisa?

sábado, 17 de abril de 2010

Inside my mind...

As adagas q amamos...

A princesa esbatia-se, como maquilhagem mate...
Nada lhe trazia os sabores adocicados dos sonhos, nada a convencia a soltar rédeas, a abrir portas, a abraçar fantasias de janelas sem persianas reflectindo o sol em todo o seu esplendor...
Os príncipes queriam aprender a ama-la, ofertando-lhe bouquets de atenções, perfumados com carinhos e desejos...
O reino era fértil em príncipes semi-perfeitos, apaixonados, sonhadores, de braços fortes e corpos transpirando um prazer que se adivinhava intenso...
Mas a princesa tinha desaprendido tudo o q se prendia com castelos encantados, não acreditava q os príncipes fossem capazes de amar algo q não se prendesse com linhas e curvas enlaçadas sobre si mesmos...
Fazia festas nos rostos, deslizava afagos pelas almas, amava-os em silencio mas sempre a uma distancia confortável, sabia q todos os príncipes possuem adagas...
Já em tempos, houvera um dia em q a princesa ousou quebrar esse conforto delimitado por um vidro invisivel...
Houve, então, um príncipe q subiu à torre dos seus sentimentos, abraçou-a de costas, cheirou-lhe a pele, acariciou-lhe os cabelos, tomou-lhe os seios dos sonhos e bebeu-os de um trago, matando a sede q o torturava...
A princesa nem teve tempo de resistir, deixou-se amar, pensando q se alguém tinha subido até ali, à torre íngreme e escorregadia do seu sentir, só podia merecer receber aquele amor q tinha guardado tanto tempo, com tanto empenho e medo...
Entregou-se, rendida, pensou q podia permitir-se amar...
Foi quase feliz nessa sua suposta liberdade, descobriu q o vidro era frio e por mais transparente q fosse nunca permitia conhecer o toque da realidade...
Abraçou a sua efémera loucura julgando q as princesas têm direito a finais felizes, só q tudo o q encerra alguma coisa nunca se digna ser feliz...
Hoje sabe que todos os príncipes possuem adagas, porque o seu corpo esta cravejado de cicatrizes de punhais, sabe também q o vidro q nos veste é fino de mais e o nosso anseio de o quebrar é a nossa maior fraqueza...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Até q as lagrimas se cansem...

As flores q se perderam pelas sementes...

Desgasto-me todos os dias,
como um calço numa porta,
como um pneu na estrada,
como rocha entregue à erosão...
Sinto-me morta, por dentro...
Todos os dias desaparece um pouco de mim,
pelas brechas do meu coração,
abertas por fissuras rasgadas por amarguras...
Sim, terei dias felizes...
Sim, darei gargalhadas...
Sim, terei filhos,
realizarei sonhos,
atingirei objectivos...
Mas esses bocados de mim q se perdem,
nunca mais recuperarei...
Esse pouco-muito de mim q morre,
mata aquela q sempre foi a minha liberdade,
q me deixava acreditar q a felicidade
quer-nos abraçar com força, um dia...
A lagrima q escorre, enquanto escrevo,
não se recupera,
nada supera a dor de cada lágrima q se gasta...
E morro, exausta...
Fervo e evaporo-me,
misturo-me com o ar
e chovo-me.
na terra q existe em mim...
Sim, um dia talvez a minha árvore
venha a dar frutos...
Mas jamais voltará a dar flores...

Uma mente brilhante q não mente!

Bob Marley disse:
"Se as pessoas foram feitas para serem amadas e as coisas para serem usadas então porque amamos as coisas e usamos as pessoas?"
Disse ainda...
"A maior covardia de um homem é, despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de ama-la"
E disse tb...
"Não fumo cigarro, pois só tenho dois pulmões, fumo maconha porque neurónios tenho aos milhões."


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Q a morte nos separe a todos...

O viuvo...

O corpo dela ainda está quente, rosado, suave...
O coração ainda nem sabe porque não bate
julga talvez q chegou a sua vez,
de ter aquelas merecidas ferias q as emoções,
sempre em turbilhões nunca lhe permitiram...
A Alma observa-lhe o corpo, morto,
já cheia de saudade,
se tivesse textura seria um afago,
cheio de ternura,
beijava-lhe a face
q ainda revela uma mulher bela...
Mas Deus escolheu fazer as almas invisíveis,
não tangíveis...
E la fora? Ele chora?
Não...
Ela morreu e ele nem soube sequer,
perdia-se nos braços de outra mulher...
O ultimo pensamento dela foi de um amor imenso,
entranhado, estranhado, intenso,
pelo homem q nem sabia
q ela morria...
Pediu para Deus o proteger,
enquanto ele suava
a gemer,
infectado do cheiro de outro corpo
de quem nem tinha decorado o nome...
As ultimas palavras q os lábios dela
proferiram, nem o feriram em remorso...
Q tenhas prazer meu amor...
E Morreu...
A ama-lo, como viveu...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Porque a perfeição existe, se olharmos atentamente...

É tão facil amar os homens...

É tão fácil amar os homens...
Mas tão difícil deixar-me amar por eles...
Resumo a minha vida a um olhar,
fechado dentro de uma tombola
onde giram os números da sorte
q visitaram os meus lençóis...
Vesti-me algumas vezes de outros braços,
de outras pernas, de outros cheiros...
Em abraços q duraram momentos
ou se arrastaram por vidas inteiras
em cavernas da minha memoria...
Vesti-os inteiros e do avesso,
trancados de fora para dentro,
como cofres mágicos
q abri sem forçar fechaduras...
Quanto maiores as armaduras
mais franzinos os cavaleiros...
Amei-os pequeninos,
deitados no meu colo das confissões,
de prantos mordidos, encolhidos,
fui sempre muro de lamentações
e castigo de caricias...
Em absolvições selvagens de prazer,
gosto de os ver correr livres,
pelos prados, como cavalos alados...
É tão fácil amar os homens...
Mas tão difícil deixar-me amar por eles...
As mulheres são impérios complicados,
onde não voam dragões,
nem ganha quem tiver a espada maior...
As mulheres são galáxias de
planetas habitados por homens...
O amor devia ser pronome feminino,
o desejo está bem assim como está, neutro!
Amei todos os homens da minha vida,
até os q não estavam à altura
de qualquer manifestação de afecto...
Amei-os todos,
porque não conheço outra linguagem,
a minha língua materna foi sempre a mesma...
O tecto do meu sentir nunca os tocou,
ainda assim foram felizes...
Sem fazerem escaladas completas,
sem almejarem
ver o meu mundo la de cima...
Será o ar mais rarefeito na minha alma?
Porque vivem de conquistas,os alpinistas?
E nunca vêem, com olhos de ver
tudo o q alcançaram?
Limitam-se a sofrer por não terem devorado
uma montanha maior?
A estranha cama do meu colo,
quando os chama, nunca reclama,
os metros da conquista, egoísta...
Nunca os acha crescidos de mais...
Todos diferentes,
todos iguais,
todos amarrados,
apertados em cordas pequenas...
Apenas querem ser amados...
É tão fácil amar os homens...
Mas tão difícil deixar-me amar por eles...

sábado, 10 de abril de 2010

Salta, Pula, Upa!!!

Salta, pula, upa!!!!
A vida é um carrossel magico!
Cheio de bonecada animada,
de cores garridas, divertidas...
Deixem-me ser o Franjinhas ou o Saltitão!!!
Vou andar à roda até cair no chão,
de joelhos esfolados e olhos revirados
a dar gargalhadas escancaradas!
Salta, pula, upa!!!!
Quero voar sem parar,
lá num país cheio de cor,
com a Abelha Maia, obesa,
mas leve!
Que tem um espigão no rabo
mas um sorriso rasgado!
E não mete protector solar,
como a branca de neve...
Vou cantar: Está no ar o Batattoon!!!
Salta, pula, upa!!!!
Vou ser assobio de Verão azul,
viajando em bicicletas aladas
guiadas por E.T.s com dedos acesos!!
Vou andar descalça, de pés sujos,
como o Tom com chapéus rasgados de palha!
Nadar entre marés com o Conan de tubarão na cabeça!
Vou cair em tocas magicas de coelhos
apressados!!
Vou viajar pelas cidades de Ouro
com formiga Freddy, ou o Besouro!!!
Andar com o Marco e o macaco à procura da mãe
e encontrar a Heidi e o Pedro
a fugir do avô pelas montanhas!
A tristeza q me largue as entranhas,
serei a Candy, Candy a subir às arvores!
Salta, pula, upa!!!!
Não tenho desculpa para não ser feliz,
os meus olhos de criança vêem todos os dias
o mundo pela primeira vez!
Sou uma aprendiz da alegria,
cheia de esperança q um dia o Pai Natal
me devolva a confiança!

Hoje contei p'ras paredes coisas do meu coração...

Foi tudo em vão...

Foi tudo em vão...
O chão pisado, trilhado, percorrido, sofrido...
As lágrimas q verti, q fiz verter...
As palavras q escrevi,
o prazer q emprestei,
o coração q entreguei...
Foi tudo em vão...
Ilusão ou demência cruel
mastigada em papel,
reticencia q fugiu ao ponto de exclamação
e agora é ausência...
Foi tudo em vão...
Pudesse eu arrancar a carne do corpo
e alimentar os cães famintos da minha paixão,
negros, retintos a uivar e a salivar
por refeição,
na escuridão dos meus olhos...
(onde moravam os sonhos...)
Foi tudo em vão...
Que tenha sido em vão,
sem sentido, talvez...
Uma estupidez...
Sedução sem razão,
preenchimento de ego...
Com quem lutas cego,
se eu já tombei no chão?
Foi tudo em vão...
Não te atrevas a amar-me,
um dia...
Arranca a nostalgia da tua cabeça,
deita-te, antes q anoiteça...
Não penses no q podia ter sido,
mantém-te assim, despido de mim...
Promete-me q nunca sentirás nada
q nunca olharás para trás...
Promete-me amor,
q a minha dor,
será sempre indiferente...
Eu sofro pelos dois o q houver para sofrer...
Morro em mim tudo o q tiver de morrer...
Vive a partir do meu fim...
A tua felicidade será o meu sustento,
o alento q sobrevive em mim...
Foi tudo em vão...
Antes assim!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Venço-me...

Venço-me pelo veneno,
sabor adocicado q me lambe os lábios,
ardor vincado em desejo,
beijo de morte...
Venço-me pelo sabor,
do membro q me desmembra,
q me inunda
numa clandestinidade profunda,
profana q se entranha em mim...
Venço-me pelo adocicado,
pelo salgado pelo insonso cheiro
do teu rosto, posto em mãos de pranto...
Venço-me pelo q me lambe o sangue,
as lágrimas, o suor a correr
metros, quilómetros atrás de sombras...
Venço-me pelos lábios q se calam,
impávidos ao sofrimento,
desprezando o desespero,
secando num cieiro distante,
cheio de peles secas e gretas...
Venço-me pelo ardor,
q me rasga, me desflora,
me magoa a toda a hora,
me penetra, sem me beijar sequer...
Pelo amor q se arrasta
sem pernas para andar,
sem braços para abraçar,
sem olhos para ver...
Venço-me pelo vincado,
pelo mordido, pelo parido sem mãe,
pelo coração de ninguém,
pela oração em escárnio,
pelo pecado mortal e intencional...
Venço-me pelo desejo do corpo contra o corpo,
numa luta de prazer em igualdade,
onde é permitido gemer, gritar,
implorar, saciar, pertencer,
sucumbir, deixar-se vir...
Venço-me pelo beijo de bocas sedentas,
sumarentas, q se sugam, q se provam,
q se aprovam,
em línguas q se amam na mesma linguagem,
espraiando à margem de continentes
de outros homens e outras mulheres
q não entendem,
q nos ofendem (entre dentes)...
Venço-me pela morte na sorte
de pertencer
a quem não me sabe querer...

I memorize every line... (...) And darling then, I read again right from the start...

Mais um dia... menos um dia...

Ouço o compasso dos passos marcados
em caminhos cruzados q se tocaram,
mas não se encontraram...
Os riachos choram, copiosamente,
correm em agua doída, transparente,
bebida por rebanhos de amantes tristes...
Pergunto-me, muitas vezes se existes mesmo...
Ou se és mais uma das personagens q vestem
as historias q se atropelam dentro de mim
e q vomito em romances para lhes dar espaço...
Um dia olharemos para trás,
q veremos disto tudo?
Saberemos recordar?
Um dia, sentiremos q passamos um pelo o outro,
q seguimos caminho,
q nos encontramos,
talvez por nos termos perdido...
Um dia, não estremeceremos em lembranças,
não estaremos atentos aos nossos nomes
gritados na rua, numa crueldade crua
q nos tortura,
dentro da nossa saudável loucura, instável...
Um dia, seremos sombras tímidas
de um amor q não soube prevalecer,
nem vencer obstáculos...
Um dia, mais dia, menos dia...
Mais hora, menos hora...
Mais minuto, menos minuto...
Mais tu, menos eu...
Estaremos os dois vestidos de luto
pelo nosso amor, q faleceu...

sábado, 3 de abril de 2010

Purificação em banho, Maria...

Despe-te..
Devagar...
Deixa cair a culpa no chão,
entre peças de perdão e remorso...
O teu corpo esta cansado
e magoado de tanto agasalho
a apertar-te a circulação da liberdade...
Arranca a camisa do sofrimento
q se colou a ti no ultimo momento do lamento soluçado...
Rasga as calças pela fuga das pernas,
por onde tb anseias fugir...
Observa-te nu,
despido de dor
em puro amor a sorrir
como criança a descobrir-se em nudez
cheia de porquês deliciosos...
Lava-te da mágoa,
purifica-te em água,
ensaboa-te de esperança...
Liberta-te do cheiro a tristeza,
esfrega o sal das lágrimas
q te secaram anos e anos no corpo imundo...
Seca-te no algodão
do meu amor profundo q se perde
da tua alma inerte q o cuspiu num fôlego frio...
O meu carinho será a toalha turca
q te encontra e agasalha...
A minha alma nua veste-te,
aconchega-te,
acaricia-te,
conhece-te!
Agora repousam no chão,
as dores, os sofrimentos, as mentiras, os tormentos...
Agora a agua lavou o corpo, abraçou a alma,
aclarou as cores da tua aura,
agora, esta na hora de voltares
a encontrar o Homem q perdes-te...
O corpo q mordes-te,
o amor q sacrificas-te...
O caminho q erraste...
Agora, não cabe aqui nada mais
para além de ti...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

I'm way too tired...

Ment(e)iras...

A minha alma faleceu ontem de madrugada,
declarei-lhe o óbito,
na ausência de sinais vitais...
Em lágrimas arranquei-a de mim, pela raiz,
dissequei-a,
separando cirurgicamente
cada fragmento,
cada sentimento,
cada principio activo dos fármacos dos meus sonhos...
Fiz uma biopsia,
procurei tumores e temores
procurei as causas do estado vegetativo
do sofrimento...
Não tinha nenhuma má formação,
não tinha problemas de cromossomas...
Na soma de tanta investigação,
de tanto corte,
profanando-lhe a morte,
para descobrir d q tinha padecido,
percebi q o mal era externo,
a doença nunca tinha morado em mim...
Foi vitima de maus tratos...
Viveu um inferno,
deu tudo de si,
mas foi espancada diariamente,
por um amor bêbado,
q lhe batia porque gostava dela...
Foi violada por mentiras
de mentes iradas e despedaçadas,
todos os dias...
Morderam-lhe os seios dos sonhos
até lhe arrancarem os mamilos,
puxaram-lhe os braços até rasgar
os tecidos...
Morreu entre gemidos e lamentos
ante os olhos de todos...
Meteram-lhe um freio na boca para
a obrigar a morrer devagar...
Meteram-lhe molhos de flores murchas
por cima do corpo,
para tapar-lhe as nódoas negras
e as amputações...
Sofreu horrores, respirou tormentos
e ainda assim viveu tanto tempo
ligada à maquina das ilusões...
Ninguém lhe segurou a mão,
ninguém rezou por ela,
ninguém lhe pediu perdão...
A minha alma faleceu ontem de madrugada,
declarei-lhe o óbito,
na ausência de sinais vitais...
Foi espancada por um amor bêbado,
q lhe batia porque gostava dela...