terça-feira, 30 de março de 2010

How can you mend a broken heart?

Podia, se pudesse, poderia...

Podia pintar o mundo de cores diferentes,
podia amar cada rosto, enlaçar-me em cada abraço,
beijar o cetim de todos os lábios...
Sentir o gosto de cada sonho,
preencher cada espaço vazio da vida dos outros...
Podia segurar com as mãos toda a felicidade,
possuir toda a beleza da Natureza...
Dançar em plena liberdade,
nua e descalça na rua,
com a chuva a molhar-me e a colar-me a roupa,
moldando cada traço!
Podia partir o meu coração em mil pedaços,
dividir este amor todo q trago comigo
e oferecer a quem sofre o calor dos meus braços!
Podia ser abrigo de tanta dor,
ensinar a alegria a quem nunca sorriu,
vestir de amor quem morre de frio...
Podia ser berço de cada alma,
terço de fé,
mão q agarra quem morre sozinho...
Ganhar asas, voar sobre as casas,
sobre montanhas tamanhas e geladas
e derreter os cumes brancos com carinho...
Colorir as estradas negras de violeta,
ser ave, ou borboleta,
ou uma folha voando no vento,
dormindo singela e bela em pleno relento!
Podia ser trave de suporte,
amparando problemas e agonias...
Braço forte de todas as covardias...
Ser fôlego de coragem, viajando
em plena aragem...
Luz ofuscante, ou tiro no escuro
cruz de amor puro ou tridente em chama ardente!
Podia viver eternamente,
sem tempo, sem leito, nem vontade de dormir,
para não perder nada do q tenho para viver!
Ou morrer com tanto amor a explodir dentro do peito!

domingo, 28 de março de 2010

Gosto q anoiteça aqui...

Onde mora o sonho... Onde (se de)mora?

Vasculhei os caminhos insondáveis e maleáveis
do destino,
revirei-lhe as gavetas todas,
para ver se entre as meias e as cuecas
ele tinha guardado os meus sonhos, por engano...
Procurei no arquivo morto,
para ver se os tinha sepultado,
num momento de distracção qualquer,
enquanto falava ao telemóvel com o pecado,
segurando os meus sonhos na mão...
Mas não...
Fiquei sem saber o q fazer...
Pela janela do destino vi um quintal,
enchi-me de esperança,
entre flores e amores perfeitos,
talvez os tivesse plantado ali...
Respirei as cores todas daquele jardim
em busca de um cheiro que me levasse a ti...
Insuflando os pulmões como balões...
E quase flutuei cheia de ar, a transpirar emoções!
Mas nenhum cheiro era o teu cheiro,
nenhuma árvore dava o teu fruto,
sei,
porque experimentei um de cada...
Nenhuma raiz sustentava o teu ser,
sei,
porque revirei a terra ate me doerem as mãos...
Quando dei conta tinha destruído o quintal do destino,
num desatino de procura louco,
roçando tão de perto a loucura...
Seriam vãos os chavões q apregoam,
q todos os sonhos são dignos de se sonhar,
mesmo aqueles q magoam?
Sentei-me no chão a chorar,
tentando amparar cada flor, cheia de cor,
dos outros sonhos q não eram meus...
Estava na hora de dizer Adeus,
aos sonhos dos outros q chegaram sempre primeiro
aquele q era o teu cheiro...

sexta-feira, 26 de março de 2010

You said we wouldn't be apart...

270310 Sempre perto de ti A.A.M.!

No espelho do meu rosto podia ver o teu,
mas não vejo...
Não há reflexo que te traga de volta a mim...
Amo-te na imensidão dessa palavra,
com acento circunflexo,
q nunca podia delimitar aquilo q és...
No meu peito nunca foste,
pq não existe tempo de passado de verbo...
O ontem não faz sentido
porque te trago sempre comigo...
Porque te respiro agora
como te respirei sempre,
cheio de vida e sangue quente!
A minha alma não chora de saudades tuas,
chora de saudades nossas,
do tempo q se adivinhava curto
porque as gerações encontram-se naquele momento breve
em q uma chega e a outra foge...
Não cabe dentro de mim tudo o q me ensinaste,
por isso escorre,
tantas vezes para fora,
em palavras q ja foram tuas
e se tornaram a nossa linguagem universal de tão particular...
Hoje são nuas essas palavras,
porque a tua voz já não as veste...
Falaste-me dos castelos onde moram as princesas,
cheias de incertezas de serem resgatadas,
à força de espadas...
Falaste-me de meninos feitos Homens,
que escreveram a Historia com um H,
onde tb começa a Honra e a Humildade...
Ensinaste-me a diferença entre a mentira e a verdade
e a abolir a indiferença do meu dicionário...
Revelaste-me segredos q eu bebi incrédula,
deliciada com tanta sabedoria,
mascarada de magia...
Abriste o teu armário interior
e deixaste-me la morar contigo,
entre as ilusões das tuas camisas
e as calças dos teus princípios...
O teu colo foi o melhor,
porque estava tão cheio de amor...
Desejaste q descobrisse o mundo
enquanto fazia o pino,
para aprender a vencer as dificuldades...
Fizeste-me acreditar q sonhos serão realidades,
se os ousarmos sonhar de olhos abertos!
Legado perfeito de volumes completos
do teu precioso saber!
Cada lagrima desta saudade
é uma dádiva de amor profundo,
num tributo alem-mundo!
A imortalidade reside aqui
nesta vontade constante de te ter, dentro de mim!
Amo-te ontem, como hoje, como sempre!
Beijo-te e abraço-te hoje,
no trote da minha imaginação,
em jeito de homenagem à imagem leve
q conservo de ti,
meu viajante sonhador!
Com o coração e a alma na mão,
à espera do instante do nosso encontro
numa sorte breve qualquer
rendida à força do nosso amor
chamada morte!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Scream and shout... I wanna know you.... Inside out!

Teorema dos sentidos...

Suave, quente, doce...
Numa lentidão q permite fotografar cada imagem
com a memória avida...
Como se o tempo fosse mar,
imenso,
onde os ponteiros naufragassem
e se amassem às escondidas,
por baixo da espuma das ondas!
Num entregar intenso e confortante
de almofada de suma-a-uma...
Assim é o meu corpo,
ondulante...
Ofegante,
quando se faz vontade...
Balançando em liberdade nesta procura
do teu corpo...
Existe uma coreografia q nos abraça,
em sons q se respiram no ar,
na pele q transpira aromas de desejos rasgados...
Onde a loucura é apenas um conjunto de silabas,
sem significado...
As formas desenham-se em sombras chinesas
na parede, no tecto...
Há velas aromáticas acesas
ao longo das pernas...
Enlaça-se o sonho,
ao sabor do nosso encontro
e de repente o meu fim é o teu principio...
E tornamos-nos mito, verdade absoluta,
tréguas em tempo de luta...
Somos objectivo, objecto de adjectivo,
substantivo, designação, continuação,
teoremas, equação, ciências sem definição...
Amor apenas, desenhado no chão,
escrito no céu!

terça-feira, 23 de março de 2010

I hope you blow away!!!!

Carta ao Amor... (aquele sentimento...)

Querido Amor:
Escrevo-te esta missiva na esperança cativa de q me leias...
Já q me tramaste a vida,
tem pelo menos o discernimento de me dares atenção,
grande cabrão...
Tu, filho da p...:
que me levaste o coração
numa luta desigual,
e o trataste mal, sem razão...
Tu, meu grande ordinário:
q me fizeste agir como uma miúda do secundário,
a suspirar nos intervalos...
Que me fizeste baldar às aulas
da racionalidade...
Tratas-nos como vassalos
da tua vontade
e nem te dás ao trabalho,
de avisares, que vens a chegar,
para virar tudo ao contrario...
Odeio-te,
espero q morras,
cheio de formigas na boca,
loucas por te devorarem...
Que apanhes piolhos nos olhos,
e lendeas entre os dedos dos pés...
(Onde já moram as carraças q te desejei da outra vez...)
Talvez assim te portes melhor...
(estupor)
Ou então,
que te apaixones,
desesperadamente,
pela amizade inocente,
q só te vê como um irmão!
Q a desejes loucamente,
sentir-lhe a pele quente
e que ela te diga sempre: Não!
E tu tentes uma, e outra vez,
e outra vez e outra vez...
Sem conseguires evitar de insistir...
E q eu possa assistir,
ao ruir do teu sorriso
e ao sucumbir do teu juízo...
Ass.
Quem tramaste desta vez...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Perdidos num rio sem leito...

A princesa tonta e a neve...

O sonho salpicou-me de uma estranha neve,
branca e leve,
q não se derretia no calor da pele quente...
Na boca deixou-me um travo a aguardente
disfarçado com mel,
chamado amor...
A neve, semi-fria,
sepultou-me em ilusão...
Num estranho cemitério de Amendoeiras em flor,
chorando o chão de branco e perfume...
E o lume doce que me queimava por dentro
entre miragem e alento,
confundia-me com a paisagem...
A imagem do sonho perfeito,
a mastigar-me todos os dias o peito
num leito branco, frio, cru...
E tu?
Onde andavas, o q fazias,
nesse entretanto em q me vias
morrer entre neve, leve
a cair à minha volta,
aos pedaços?
Ansiando abraços q nunca chegaram
porque abraçavam outros tantos sonhos?
Sempre vivi na margem tépida
da tua miragem,
quando tinhas tempo a sobrar,
para gastar, numa viagem
ao mundo profundo dos meus sonhos...
Amei-te e tu deixaste-te amar...
O império sedento do meu coração,
foi-te deixando ficar...
Agora,
nas lapides todas,
do meu cemitério a mesma mensagem:
Aqui jaz sonhadora,
morta por nevão violento...

domingo, 21 de março de 2010

The eyes of truth are always watching you...

Altar feito de lama...

Pudesse eu saber para onde olhas agora...
Por onde viajas, onde demoras o olhar,
onde pousas os pés, se é q os deixas pousar...
Os meus olhos são como os teus, cor de lama,
gosto de os ter desta cor...
É como se a agua e a terra fizessem amor,
nos nossos olhos a toda a hora,
em orgasmos perpétuos e completos,
no prazer perfeito de se unirem
eternamente!
Quase q os ouço gemer, às vezes,
quando me deito a pensar em ti...
Porque Deus deu cor aos nossos olhos?
Porque nos fez todos diferentes?
Se procuramos tão arduamente,
alguém q nos seja igual?
Afinal qual é a sua imagem e semelhança?
Será q nos ama a todos?
Barro do seu barro, ou lama viva?
Perco-me na esperança de um dia,
sermos a lama lasciva e apaixonada
que os nossos olhos idolatram...
Peco nos lodos profundos das ilusões,
em pedidos repetidos na rua do destino...
Ajuda-me meu Deus,
rezo nua e penitente...
Sejas tu igual, ou diferente de mim...
Seja tua filha, ou enteada,
prima afastada...
Deixa q a lama q me forra os olhos,
corra no meu corpo,
ou então q morra,
dentro de mim este amor...
Por favor, pinta os meus olhos de outra cor....

quinta-feira, 18 de março de 2010

And if you... could let them... hold you...

Toca-me...

Toca-me...
Devagar numa espécie de desfolhar do tempo,
decora cada caminho,
para te permitires voltar...
Abraça-me com os olhos,
Toca-me...
No rendilhado da alma,
cheio de folhos,
quando se acalma o mundo lá fora...
Onde mora o silencio,
no chão dos meus versos inversos,
envolto numa solidão cândida...
Toca-me...
Faz desta caricia lânguida teu estandarte,
torna cada parte do meu corpo
obra de arte...
Ambiciono o sopro da vida...
Quando suspiro perdida pelos teus braços q me vestem,
quando me despem...
Toca-me...
Sufoca-me de beijos,
que sempre me pertenceram...
Devolve-me em desejos redobrados
as dores q te atormentam...
Quero ser o cais que te acolhe,
quando o teu sorriso recolhe ou desfalece...
Não sofras mais...
Estou aqui...
Toca-me...
Adormece no meu sonho para sempre,
minha personagem presente,
tão ausente de ti...

I can hardly wait...




Mal posso esperar...
Mal me posso conter no tempo incontido e esmigalhado,
almiscarado de sonhos em cadencias de cores quentes,
almejando por ordem decrescente,
deixarem-se cair na cama...
Porque precisa o corpo de dormir assim,
porque desliga a ficha?
Porque apaga as luzes?
Porque desiste noite, após noite e sucumbe,
entre linho e algodão?
Entre cetim e seda selvagem?
(Porque dormir tb tem estratos sociais...)
Quem quer enrolar-se em cobertores, ou mantas de retalhos,
quando podem matar patos de penas leves?
São violentos, os caminhos breves dos sonhos...
Vivo à margem de mim mesma,
entre sonho e realidade...
Amo os meus dois mundos separados,
dia após dia e noite após noite!
As asas q me embalam os dias,
não são feitas de penas de patos mortos...
As asas q me envolvem à noite,
entre caricias desgarradas de promessas de vidas alternativas,
escondidas em ampulhetas de areias douradas,
são pretas, mas não as roubei aos cisnes reais...
Sempre tive asas, sempre pude voar,
sempre voei alto, para alem das nuvens,
para alem dos radares,
para além das trelas q os homens oferecem às mulheres,
entre lençóis e tachos mascarrados de amor...
Não quero futuros de palha de aço,
não quero torres de castelos,
onde me possam idolatrar...
Não quero coleiras com chapas identificativas...
Quero a tua alma,
quero a tua essência,
quero a tua pele,
quero-te, a ti,
mar a dentro, cá dentro...
No fundo de mim existe uma ilha, sem náufragos...
Mal posso esperar...

sábado, 13 de março de 2010

Se tu fores o meu final, eu não serei o teu começo...

"Há amores assim, q nunca têm inicio muito menos têm fim, na esquina de uma rua ou num banco de jardim, quando menos esperamos... Há amores assim..." (Donna Maria)




Procurei-te no meio do meu circulo perfeito, entre o inicio e o fim...
Mas as pontas do meu arco não se permitiram tocar com os olhos,
nem contemplar com as mãos...
E todos os gestos se perderam nessa procura inóspita e ridícula...
Lambi todas as lacunas do meu sentir, montando puzzles alados, de peças flutuantes
no andar de cima da minha imaginação, antes daquelas escadas tremulas q dão acesso ao sótão dos meus medos mais queridos, onde escondo todas as coisas q não quero perder e abraço à noite...
Lá também moram todas as aranhas, vitoriosas, nas teias q sempre protegi pq me fazem lembrar o meu pensamento que brilha no escuro encadeado em fragilidades flexíveis...
Juro q quase ouvi os teus passos a descer aquelas escadas, juro q ainda imaginei sentir o cheiro q deixaste no ar, esse teu cheiro adocicado de sonhos falsos e elogios repetitivos cantados tantas vezes em ouvidos rosados, entre um gin tónico e um cigarro, em desgarradas numéricas de conquistas fugazes q te tornavam talvez mais homem... Os homens não se medem em números...
E os gestos cada vez se sentiram mais patéticos e ignorados como um mimo fazendo gracinhas à chuva, ignorado por manadas de chapéus coloridos desafiando qualquer sentido de estética...
A língua cansou-se de lamber as lacunas q não se preenchiam da saliva da esperança e cada vez mais eram salinas desertificadas...
O sótão tornou-se demasiado pequeno para proteger um medo novo, as escadas tornaram-se demasiado tremulas para os teus passos as conseguirem subir em segurança...
Lentamente o circulo fechou-se e descobri q nunca fora perfeito, nem te cabia a ti torna-lo completo...

sexta-feira, 12 de março de 2010

...

Tumulo do soldado desconhecido...

Devias ser um soldado...
Devias empunhar armas em vez de lágrimas,
esconder-te à espera de atacar,
em vez de te esconderes para chorar...
Devias ser forte, pareces tão forte...
Devias...
Toda a gente te olha à espera,
ansiosa,
q partilhes um pouco dessa tua suposta força,
deposta numa semi-guerra qualquer...
E tu, tantas vezes,
fazes das tripas coração,
ou coração das tripas e empunhas a espada
q em vez de pau é de cartão...
Nem sabes como, mas vais...
Porque é sempre suposto...
porque sabes sempre a resposta certa,
porque é suposto saberes,
porque sempre soubeste,
ou fingiste tanto, saber,
q acreditaste q a sabias...
Chegas aos terrenos de batalha de peito ao alto,
mãos vazias,
mas vences,
nem sabes o quê..
Quantas vezes mais vais conseguir fingir
q esta tudo bem,
q aguentas,
q não quebras,
q não partes,
apanhando os teus cacos,
disfarçadamente, do chão?
Quem, algum dia, irá compreender,
q te fartas de sofrer num silêncio
mascarado de loucura,
de gargalhadas,
de montes de amizades?
A tua carapaça disfarça-se de dura,
porque há sempre quem dependa de ti...
Nunca te foi permitido dependeres de ninguém,
o colo teve sempre uma contrapartida qualquer
e durou sempre apenas o tempo suficiente de a reclamar...
Nunca te deixaram lá ficar depois...
Enxotaram-te, porque os soldados não precisam de colo,
são fortes porque pisam minas anti-pessoais,
q lhes roubam as pernas...
Os soldados não podem sofrer,
não podem chorar como as "pessoas" normais...

Nunca te abraçaram porque precisavas,
sempre te abraçaram porque precisavam...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Won't you die tonight for love?

4444 dias...

Peco em cada minuto,
em cada momento lento, demorado,
em q visto de luto a minha alma
nesta estranha calma de morte q se entranha em mim,
assim, tão devagar,
avassaladora e redentora de um amor
que não se deixa matar, nem morrer...
A dor é o meu vestido preferido,
maquilho-me de gargalhadas, atiradas de cabeça para trás,
à espera q o milagre aconteça,
onde andam os santos milagreiros
q passo dias inteiros sem os encontrar?
Talvez estejam no café a fumar,
a falar das mulheres, em casa,
q não os amam como deviam...
(Os santos também podiam ir para casa mais cedo...)
Sossego a contar os dias q me faltam para morrer,
estipulo limites pré-decretados a esta alegoria
a q chamo vida...
Decidi q vou viver apenas mais 4444 dias,
nem um a mais, nem um a menos,
Deus q se aguente e me respeite!
Preciso de ser eu a decidir as coisas,
de hoje em diante,
ele só me meteu em sarilhos...
Sem rumo, sem amor, sem sonhos, sem filhos, seM, sEM, SEM...
Tenho CEM motivos diferentes para deixar de confiar nele,
mas não o detesto,
apenas quero poder viver as minhas penas sozinha...
Afinal sempre estive sozinha em salas cheias de gente...
4444 dias, depois o sossego ledo da terra quente
em cima da carne,
talvez me mate devagar, cortando os pulsos,
dentro da banheira, com a agua a correr,
a lavar-me o sangue...
(Adoro clichés melodramáticos,
acho-os muito práticos!)
Não deve doer muito, pois não?
Não deve doer, sequer...
Dói mais agora...

terça-feira, 9 de março de 2010

Lista de supermercado...

Pedi ao tempo para descoser as linhas apertadas com q tinha amordaçado o meu sentir, obrigando-me a destinos predefinidos...
O tempo respondeu q já tinha cortado as minhas linhas há muito tempo, eu é que me tinha habituado a esta estranha compressão...

Vesti-me das ossadas do tempo,
ergui-me na sua espinal medula, já seca,
pedi-lhe emprestado os pulmões,
porque o ar q me cabia não chegava...
Sempre tive dificuldades de respiração,
sempre sorvi o ar com fúria a mais,
(chamaram-lhe asma, eu sempre chamei sede...)
O tempo, encheu-me de ilusões,
deixou-as crescer, cá dentro,
entre batidas cardíacas descompassadas,
como manadas de cavalos selvagens e ágeis!
Porque digo sempre cavalos e nunca éguas?
(Nunca tinha pensado nisto antes,
por instantes senti-me machista...)
O tempo deu-me a lista de compras,
o supermercado do tempo não aceita visa,
aceita sonhos e avisa q o credito é ilimitado!
Lá andava eu de carrinho, a escolher pacotes de arroz
mascarados de desejos,
beijos mascarados de massa esparguete...
Esperando em filas de talhos,
onde os sentimentos eram vendidos como miudos de frango,
em frangalhos,
separados das galinhas caseiras...
Nunca tinha percebido que o tempo também tinha de comer...
Terá o tempo maneiras à mesa?
Ou mastiga a vida dos outros de boca aberta?

Time to move on...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Pedido de ISBN?

As mãos tinham códigos de barras,
identificações verticais contendo personalidade própria...
Fossem os sentidos leitores de um prazer oculto,
apitando em leituras constantes
acordadas por gestos de amantes viciados na procura...
Onde se sossega a loucura impávida de te abraçar?
Quando o meu corpo é deserto de areias fugitivas
onde a agua pura se entranha e desaparece....
O meu corpo esmorece à tua espera,
envelhece séculos na tua ausência...
Abraça-me agora, enquanto o firmamento chora
e a areia esta molhada...
A demência sempre foi boa confidente,
boa conselheira numa maneira diferente
de dar palmadinhas nas costas...
É no momento em q me tocas
q as minhas mãos se esquecem dos códigos,
dos leitores informatizados,
dos preços...
Porque existem preços associados aos sentimentos?

Um beijinho em todas as Mulheres e em todos os Homens q as sabem amar!

Mulher!

O rosto iluminou-se,
como se iluminam os rostos desses anjos alados que nos visitam à noite...
Os gestos eram ternos e delicados como gotas de orvalho prateadas a escorregarem por folhas delicadas...
Nos braços carregava o peso do mundo e no ventre a sua continuação...
Tantas vezes lhe calaram a voz, tantas vezes mordeu o pranto,
foi mãe dedicada, mas como todos nós, tb foi criança, num dia qualquer...
Quantas vezes castrou esperança, sonhos e desejos e os trocou por beijos dados a quem nem os soube beber devagar...
Musa de poemas, de um poeta qualquer, sem liberdade de amar...
O afago sempre foi a sua arma, nem punhal, nem força bruta...
Tem no amor a batuta simples de uma orquestra feita de harmonia, onde os sonhos repousaram...
Mulher, hoje dedicam-te um dia, mas quantos séculos te roubaram...

domingo, 7 de março de 2010

Dreams do, really do, come true!

Parabéns World Art Friends, dois anos de existência dedicados a realizar sonhos!! :)

Porque o homem vive pelos sonhos...
Através deles faz-se maior...
Revelando a sua verdadeira essência,
Alcançando, lutando, ousando mais...
Beijando as nuvens na demência saudável de construir!
Esperança q não se cansa de sentir o vento no rosto...
No caminho cheio de pedras, descobre trilhos...
Sabe que desistir do sonho é desistir de si...

C
omeça, um dia de cada vez, todos os dias...
As vezes esmorece, às vezes quase desiste...
Sente na pele derrotas injustas... Insiste... Insiste... Insiste...
Até que a alma esquece as horas vazias de lutas...

E
ncanto ou maldição, prazer ou tortura?
Nomeia o sonho a razão inspiradora de viver!
Contrariando essa lucidez castradora que o chama incapaz!
A loucura que nos faz poetas, profetas, atletas, artistas, cientistas ou loucos
Não se alimenta de decisões sensatas, alimenta-se de ilusões!
Todos os homens que deram um passo à frente do seu tempo
Alheios à normalidade, do jejum de ser comum...
Deram ao sonho o trono q merece, numa lealdade sofrida!
Aos poucos, o mundo reconhece que o sonho comanda a vida!

sexta-feira, 5 de março de 2010

E deixo um brinde: A nossa velha infância!

Nostalgia...

Estou cansada, exausta, moribunda...
Até inspirar profundamente me cansa,
tenho os pulmões cheios de fluidos turvos,
a garganta embassada na dor de me perder...
De te perder...
Apenas... Perder...
Lembras-te, do tempo em q corríamos atrás das lagartixas?
Quando perseguíamos gafanhotos?
Quando nos riamos sem mágoas?
Ficávamos dentro de agua até termos os lábios roxos
e teimávamos em, dizer q não tínhamos frio,
às nossas mães?
Alguém se lembra do dia em,
q perdeu aquela poesia de ser criança,
cheia de esperança,
a dizer:
-Eu quero ser bombeiro,
quando crescer,
vestir-me de vermelho
e andar no ti-no-ni!
Ainda te lembras, dentro de ti,
daquilo q sentiste por mim?
Naquele dia em q o nosso amor nasceu,
entre o breu de rotinas,
berrando cheio de ar nos pulmões,
de mãos pequeninas e sonhos virgens,
trazendo sonho e côr
aos nossos corações cansados,
magoados, quase sepultados,
debaixo de quilos de terra?
Quando o pegámos no colo,
vimos o seu primeiro sorriso,
ouvimos a primeira palavra, embevecidos...
E o admiramos, cambaleante mas decidido a dar os primeiros passos,
sem que o ajudássemos com os braços?
Eu preciso de voltar a sentir um amor assim...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Meu xaile aos teus pés...

O xaile rendilhado,
vestia-se da cor do fado,
cobrindo-lhe os ombros nus...
As mãos eram escombros da dor
q lhe marcavam a face...
Rezava...
Pedindo à imagem presa na cruz
a luz do amor q lhe faltava...
Se lhe bastasse apenas pedir...
Mas pedir,já não bastava...
As súplicas nem sempre chegam aos céus...
Os soluços roucos,
caiam dos véus molhados das pálpebras...
Beijava os pés frios da estátua,
aquecendo-os com os cabelos,
para compadecer o Cristo...
Mas os santos de barro, são ocos,
estão vazios por dentro...
Já não se lembram do tempo
em q foram homens,
ou fizeram por esquecer...

terça-feira, 2 de março de 2010

O teu silêncio que avisava a intenção de não voltar...

O grito do silêncio...

Odeio o marasmo do silêncio,
a greve abrupta das palavras,
a fuga rasteira dos sons...
Porque se enrola a língua, como tapete persa?
O sarcasmo da minha solidão
vive nas multidões tristes de homens bons
à procura de razões para viver, sobre-vi-ven-do...
E no fim nada que lhes sobre,
até as migalhas voam...
Quando for maior direi que...
(Mas hoje ainda não posso,
sou pequenino...)
Quando for maior?
Quando?
Quando somos maiores o suficiente?
Falta-nos sempre o tamanho certo...
O silêncio por sua vez cresce,
alimentando-se da nossa pequenês,
ganhando terreno, roubando-nos o sopro a q chamamos vida...
Vida?
Podemos nós chamarmos-nos vivos?
Temos motivos q sobejem e nos dignem desta condição?
Não.
Não temos...
Mas não nos podemos admitir mortos...
Morremos às escondidas...
Gritando de dores BAIXINHO...
BAIXinho...
baixinho...
(Sofrendo horrores pelo caminho...)
Estou surda de tanta mudez,
furei os tímpanos com a minha sensatez
imóvel e cinzenta e amorfa...
Sim...
O Silêncio também é uma forma de gritar...