terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Já não sei escrever poemas de amor...

Já não sei escrever poemas de amor...
Se é q algum dia os soube escrever...
Já não sei dizer q amo,
q me entrego com um orgulho cego,
que chamo o teu nome à noite quando durmo
e qd acordo e me mordo de tanta dor...
Quando corro à tua frente como velocista fugidia,
amarga e fria...
Sabendo q vida é uma meta triste,
se o amor insiste em correr noutra pista...
E recebo medalhas de papel,
em vez de afagos,
ou de choro em coro
em encontros alcançados...
Já não sou capaz de falar de amor,
de o gritar com todos os meus poros,
de o lamber na minha pele,
de o envolver e me envolver nele
como embrulho de fita colorida,
cheio de laços e balões!
Agora,
sempre que tento vem-me este sabor insosso à boca,
como quem queima a língua com uma bica escaldada...
Houve um tempo em q cada linha fazia sentido,
cá dentro...
Cada palavra parecia colocada no sitio certo...
Cada verso ficava em aberto,
porque havia sempre muito mais a dizer...
Hoje martelo cada frase, rimo à força,
sai de empurrão,
como refrão pobre de uma canção pimba...
Já não sei escrever palavras ternas,
historias de princesas modernas,
ou cheias de saias e saiotes e corpetes e colchetes
a arrastarem os pés nos sapatos apertados
em casamentos combinados
com reis idiotas...
Dentro de mim algo quebrou, partiu,
ou ruiu...
Estou farta de sonhos cor de rosa,
farta!!!!
Já não sei escrever poemas de amor,
nem prosa sequer,
ou tão somente uma reles carta...

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