quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ímpar...

Sentei-me no baloiço do tempo...
Embalada por uma brisa de memorias secas,
desidratadas...
Desfolhando as historias dos meus capítulos,
enquanto andava de escorrega...
Dando cambalhotas, nas voltas
dos desencontros, tontos...
Jogando à cabra-cega comigo mesma...
Persegui...
um, dois, três, macaquinhos do chinês!
Assanhados e sozinhos que de oriental nunca tiveram nada...
(Mas faziam macacadas e subiam às árvores...)
Arregacei as mangas aos sonhos,
joguei ao elástico com o meu coração
e ele esticou o mais q pôde...
Fiquei ali...
Sentada no chão...
Contando as missangas dos momentos bons...
Dançando nos sons mornos da aprendizagem...
Saltando ao eixo,
evitando ver o mundo abaixo da linha do queixo...
(A verdade é dolorosa
porém bela, como rosa cheia de espinhos...)
Joguei à apanhada com a tua imagem
q se desvanecia e desaparecia nos quadrados
dos policias e ladrões...
Rodei como os piões q rodavam na mão...
Aprendi a andar de bicicleta sem olhos,
sem mãos, sem travão...
Arrisquei o meu mundo, os meus valores,
o meu chão, porque percebi...
Q sem ti, tudo se aquieta...
Estagna, morre...
(mas não dói...)
Liberta-se a dor a que chamei amor
nesta visão distorcida da minha vida...
Nunca procurei pertencer,
entregar-me, dar-me, aceitar-me...
Depois...
Percebi q dois eram melhor q meio...
Procurei entender, esperar, partilhar...
Procurei apenas amar...
Procurei ser aquilo q nunca tinha sido...
Complemento de parte igual,
chávena do teu pires,
peça do teu tabuleiro,
faca do teu garfo,
agulha do teu dedal,
casaco do teu cabide...
Mas não te encontrei,
tinhas saído para comprar tabaco, ou o jornal...
Desisti...
Hoje sei...
Não adianta procurar...
Nasci ímpar...

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