domingo, 7 de fevereiro de 2010

Algo se perdeu...

Algo se perdeu...
No tempo que não perdoou a lágrima,
que a viu morrer, sem se doer...
No voo da ave
que era livre e hoje trás esquadria
e pouso obrigatório...
Na magia que virou truque ilusório,
ensaiado sem arte...
No desenho do teu rosto
que já não povoa o meu sonho...
Na despedida sofrida por alguém q parte,
para parte incerta...
E de repente se torna indiferente
e custa horrores...
Na minha mão aberta à espera da tua,
que se cansou de esperar e acabou por fechar...
Nas dores q se cansaram do queixume...
No ciúme q se tornou sem sentido,
despido de raiva...
Na esperança q traiu a minha confiança,
tornou-me mais sozinha, menos criança,
mais adulta e mais velha e mais morta e mais farta...
Na desculpa q não chegou, ou chegou tarde, ou azeda, ou esfarrapada,
e que não desculpou nada...
Na mentira q desta vez, infelizmente, não me cegou...
Algo se perdeu...
Ardeu numa pira de fogo, à vista de todos...
As cinzas voaram e apenas tornaram o céu cinzento,
por um vago momento...
Algo se perdeu...
Fui eu.

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