sábado, 27 de fevereiro de 2010

Tudo era para ser eterno...

Olharapos...

Foi...
Como verbo q encerra o passado em três letras,
impunemente,
sem se alargar em justificações,
sem ouvir perdões,
sem procurar razões...
Sem...
No realce do nada,
daquilo q não há,
que não dói,
não contem...
Não mói, nem toca,
ausência que provoca dor...
Dormência, anestesia...
Sono...
Abandono do que vicia...
E que...
Promete...
Mas não cumpre, nem sabe cumprir...
Remete ao silêncio...
Prefere mentir, ou fugir, ou virar costas,
ou ser cobarde, ou ser cruel...
Ou não ser nada...
E o nada volta a ser substantivo,
nome da revolta...
Ser?
O quê?
Um amor morto-vivo que me assombra?
Faz hoje um ano...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Inferno dos Poetas...

Fogo,
que arde, q se vê,
que dá gosto...
Fogo quente, fogo posto,
fogo presente!
Q se sente na pele a arder como papel...
Espalhando cinzas,
purpurinas de metal
salpicando o corpo brando,
de caricias pequeninas, leves,
breves como torturas...
Esculturas às escuras
de um escultor intemporal
chamado amor!
Lareira viva, apertada,
roubando espaço,
provocando abraço...
Repouso das flores dos teus passos,
deixando rastos
na minha saudade...
Quando arranco as pétalas,
desencarno as folhas,
mastigo os caules,
querendo perpetuar
o momento de te sentir em mim...
Assim, tão perto...
Sei q me perco, vezes de mais...
Neste Inferno de horrores
que eu evoco
e não suporto,
grilhão q me prende abaixo do chão...
Nos odores de corpos
amados, transpirados, saciados...
Entrelaçados como tranças presas com fitas
aflitas de tão apertadas,
mas q teimam em apertar ainda mais...
Chamas desejosas, ansiosas,
apaixonadas, completas,
que se estendem ao comprimento doce do tormento...
Que se arrastam, queimando o chão...
Tudo isto sonho fosse...
Talvez pesadelo Dantesco,
em fresco de altar,
pintado no cru das sombras
das minhas sobras completas da ilusão,
onde respiro devagar...
Recriação em arte sacra,
iluminado com luz fraca
recriando a olho nu,
o inferno dos poetas...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ouvi dizer...

Ímpar...

Sentei-me no baloiço do tempo...
Embalada por uma brisa de memorias secas,
desidratadas...
Desfolhando as historias dos meus capítulos,
enquanto andava de escorrega...
Dando cambalhotas, nas voltas
dos desencontros, tontos...
Jogando à cabra-cega comigo mesma...
Persegui...
um, dois, três, macaquinhos do chinês!
Assanhados e sozinhos que de oriental nunca tiveram nada...
(Mas faziam macacadas e subiam às árvores...)
Arregacei as mangas aos sonhos,
joguei ao elástico com o meu coração
e ele esticou o mais q pôde...
Fiquei ali...
Sentada no chão...
Contando as missangas dos momentos bons...
Dançando nos sons mornos da aprendizagem...
Saltando ao eixo,
evitando ver o mundo abaixo da linha do queixo...
(A verdade é dolorosa
porém bela, como rosa cheia de espinhos...)
Joguei à apanhada com a tua imagem
q se desvanecia e desaparecia nos quadrados
dos policias e ladrões...
Rodei como os piões q rodavam na mão...
Aprendi a andar de bicicleta sem olhos,
sem mãos, sem travão...
Arrisquei o meu mundo, os meus valores,
o meu chão, porque percebi...
Q sem ti, tudo se aquieta...
Estagna, morre...
(mas não dói...)
Liberta-se a dor a que chamei amor
nesta visão distorcida da minha vida...
Nunca procurei pertencer,
entregar-me, dar-me, aceitar-me...
Depois...
Percebi q dois eram melhor q meio...
Procurei entender, esperar, partilhar...
Procurei apenas amar...
Procurei ser aquilo q nunca tinha sido...
Complemento de parte igual,
chávena do teu pires,
peça do teu tabuleiro,
faca do teu garfo,
agulha do teu dedal,
casaco do teu cabide...
Mas não te encontrei,
tinhas saído para comprar tabaco, ou o jornal...
Desisti...
Hoje sei...
Não adianta procurar...
Nasci ímpar...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A palavra...

A palavra nasce,
da fonte fecunda da minha boca...
Atravessa a ponte da censura,
procura a melhor fuga...
gesticula a furia louca,
a raiva imunda, profunda, profana...
A palavra só se engana,
diz q não ama,
q não sente,
ambos sabemos q mente.
Foi insulto, foi desdém,
mas estava de luto por alguém...
Foi final, terminus, portão,
mas mal tinha começado a pisar o chão...
A palavra foi resposta,
tentou ser rápida , feroz, mortal...
Foi posta à prova, falhou...
Quis justiça,
quis poder...
Escolheu ser ofensa moral,
roçando o corporal,
num corpo q perde as forças
e teme a voz...
A palavra foi escrita em nós...
Maldita como karma
empunhando arma...
A palavra foi cruel,
queimou-me a língua como papel
em cinzeiro sujo...
Tentando sair em liberdade,
não queria mentir mais...
Dei-lhe mal uso,
ganhou mau cheiro,
ganhou bolor...
Não a deixei falar de amor,
não a deixei ser verdade...
Enterrei-a no entulho da razão,
talvez apenas em orgulho...
Sepultei-a viva...
Matei-a...
Perdi-a...
Chorei-a...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

I'll never let u see...

Chuva na janela...

Chove...
Talvez seja a janela de vidraça baça
invejando a chuva q passa...
Lupa improvisada aquecida pelo sol
queimando cartas de amor
que um dia fizeram sentido...
Talvez, seja a chuva a soluçar,
cheia de culpa...
A dor q se tenta agarrar ao vidro...
Mas teima em escorregar...
Sou todas as poças verticais em trajectos sempre iguais...
Quase me dissolvo e o amor evapora...
Resolvo chover o tempo desprovido de alento...
E o tempo chove...
dentro de mim, ou talvez la fora,
agua benta ou agua turva,
chuva é apenas chuva...
Filha mimada da tormenta,
esmagada contra o vidro,
que não morre...
Aguenta...
Sofre...
Mas não reclama...
Chove...
Quase morro, escorro para o chão,
onde me demoro...
Encolho-me, molho-me, choro...
Sou ilusão encharcada em lama.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Bi-polar? Tri-polar? Ou interpolar?

Embriaguei-me,
entre estrias de soluços
deitadas de bruços sobre os meus sonhos inacabados e tensos...
Os meus sonhos sempre foram intensos,
contudo breves...
Talvez a minha almofada se tenha cansado
de acordar ao meu lado e encontrar alguém q desconhece,
e soltado as penas leves pela penumbra do quarto
em acto de revolução,
recusando ser repouso de uma estranha todas as noites...
(tb eu gostava de saber com quem adormece...)
Hoje não a incomodo,
vou dormir para a sala da minha alma...
Ligar a tv, ver a tele-vendas de uma rotina empobrecida,
ter conversas aborrecidas com o tele-comando
enquanto a minha euforia de viver se acalma, devagar...
Porque não mando nesta minha impetuosidade?
Porque não a consigo cegar?
Furar os olhos à liberdade mordaz
que me faz tentar mudar o mundo?
Amanhã quando acordar, penso no assunto,
se o Eu q lá estiver concordar...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

a lover asked is beloved...

Calor...

Despiu-se, devagar...
A roupa deslizava pelo corpo como uma caricia lânguida...
A lã da camisola esticava os braços para abraçar-lhe o pescoço delicado, sussurrando-lhe um elogio atrevido, em tom baixo, ao ouvido...
Percorreu a linha do queixo em tom provocador, subiu ao lábio inferior,lambeu e provou cada milímetro do seu cetim antes de se aventurar a subir ao segundo piso, a língua dela, por pouco não veio espreitar à porta... Tornou-se venda, tapou-lhe os olhos, enquanto a obrigava a elevar os braços presos, numa submissão bela... Amarrou-lhe os cabelos como elástico, só para os ver depois cair novamente pelas costas a baixo, lentamente...
A camisa abria os lábios para poder despedir-se dos seios dela, beijou-os demoradamente, os mamilos rosa ergueram-se como troféus, autorizando a passagem até à fronteira dos ombros, onde passou o testemunho aos dedos invejosos do privilégio dos lábios... Não havia pressa na despedida, os dedos de tecido deslizavam quase sem tocar na pele, como uma cocega cruel e ao mesmo tempo doce... Passeou-se como uma pluma nas suas costas, fazendo-a arrepiar pelo seu toque frio e delicado... Desceu-lhe dos ombros agarrando-lhe nos braços com as duas mãos, percorrendo aquele caminho numa decisão lasciva mas subtil de entrelaçar depois, as suas mãos firmes, nas mãos dela q eram finas como penas...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Amor é prosa, sexo é poesia...

Guernica...

Rastejo, de boca entre-aberta,
recuperando o salpico dos beijos
q deixaste cair...
A praia deserta do teu corpo,
não me lá deixa morar,
não permite q sejam as minhas pegadas
as primeiras, a pisar as areias virgens...
Quero subir por ti,
neste alpinismo desenfreado de cordas laças
quase a arrebentar do peso bruto da minha paixão...
Luto, para não tombar no chão,
o escantilhão da confiança quebrou-se
não era de aço...
Um abraço podia ser Evereste,
mas o vazio agreste deste abismo q te tomba
como pêndulo inerte do meio das pernas
prende-me num cubismo estranho de Picasso
onde as caras são quadrados
e os desejos estão mascarados de identidades falsas...
Há vida nesse planeta de braço maneta?
O alter-ego apodreceu,
morreu cego, mirrou...
encolheu...
Pobre Picasso, sem pi...
q eu não caço...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Se um olhar bastasse...

Se um olhar bastasse...
Se arrastasse toda a mágoa,
se lavasse a dor,
como água tépida, doce...
Se fosse suficiente...
para despir esta armadura...
Se transcrevesse a verdadeira vontade
de escrever a palavra amor.
sem me tremer a mão,
de coração apertado e magoado...
Se um olhar pegasse no amor ao colo,
num embalo urgente mas cadente como sussurro...
Se o passado se tornasse turvo,
ou ficasse arrumado, ou perdoado,
ou esquecido num baú antigo, sem chave...
Se fosse afago e beijo e abraço e toque e cheiro...
Se um olhar bastasse...
Se fosse o desejo tornado realidade
de sonhos sonhados a dois
q ficaram sempre para um depois q nunca chegou
e morreu à espera, sentado num banco de jardim qualquer...
Se um olhar bastasse...
para trazer de novo a Primavera ao meu peito de mil Invernos,
rigorosos como infernos gelados,
de castiçais sem pavios,
feitos em gelo,
emergindo das paredes
como estalactites frígidas...
Se um olhar bastasse...
Para aquecer os meu lábios frios q já não esperam os teus...
E disseram Adeus...
Se um olhar bastasse...
Para eu sentir que não estavas a mentir
de cada vez q disseste q me amavas,
enquanto mastigavas de boca aberta,
as mentiras e os silêncios q me rasgavam por dentro...
Se um olhar bastasse...
Para eu saber q estava certa,
quando vi em ti aquilo q pensava ter visto e apalpado e amado
e acariciado tantas vezes...
Se um olhar bastasse, se fosse borracha
e esta dor, carvão, conspurcando papel...
Fosse o teu olhar mata-borrão,
apaga(dor), corretor em caneta,
ou pincel de tinta branca a lamber o sofrimento...
Pudesse o teu olhar bastar...
Pudesse o meu amor perdoar...
Pudesse eu, apenas, esquecer...

Sempre preferi Rumba ao Samba...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O muro...

Devagar, numa cadência pautada pela tristeza, pela amargura de quem já não sente a loucura a correr nas veias, ela construía o muro...
Tijolo a tijolo ela erguia a barreira que para sempre a manteria segura...
Nada tinha a perdoar pq nunca soube odiar, mas iria envolver o muro em arame farpado, assim ela teria medo de sair, mas os outros tb teriam medo de entrar...
Amou com todas as suas forças, mas o amor é um padrasto cruel, cão q não conhece o dono, q se alimenta da mão doce q o sustenta e a devora às dentadas...
Ela amou-o, mas o verbo já aparecia no pretérito perfeito..
Ele destruíra a criança descalça a correr na areia molhada, fugindo dos salpicos das ondas...
Ele destruíra os olhos cheios de sonhos q viam sempre o melhor das pessoas...
Ele destruíra a fé q ela tinha no amor...
Agarrou a princesa pelos cabelos, torceu as mechas douradas entre os dedos, obrigou a princesa a ajoelhar-se no chão...
Ela perguntava: Porquê?
E ele respondia: Porque me fizeste apaixonar por ti.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

It's raining men (God bless mother nature)

Mais tarde, ou mais cedo...

A voz tremia como espanta-espíritos em janela aberta, haviam sílabas q tinham tropeçado nos degraus da boca e batido contra os dentes...
O ritmo das lágrimas desidratava-a, como terra abrindo fendas em desertos de camelos, já sem pelo e de olhos vazados, mortos, de bossas mirradas e queimadas pelo sol...
O mundo, às vezes, desaba em cima dos nossos ombros como se nos tivessem despejado quilos de entulho... Hoje era ela q se sentia enterrada, quase viva, quase morta...
O barulho ensurdecedor dos passos dele... Cada vez mais alto... Cada vez mais distante...
Ela podia correr, podia gritar, podia rasgar-lhe a roupa, podia rasgar o orgulho...
Para quê?
Adiar o inevitável é apenas adiar o inevitável...
Mais tarde, ou mais cedo os passos dele deixariam de se ouvir...
Mais tarde, ou mais cedo ela voltaria a sorrir...
Mais tarde, ou mais cedo...
Hoje seria mais tarde...
Em breve, fosse o breve assim tão breve, ou talvez mais longo, o cedo chegaria...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pois não...

Já não sei escrever poemas de amor...

Já não sei escrever poemas de amor...
Se é q algum dia os soube escrever...
Já não sei dizer q amo,
q me entrego com um orgulho cego,
que chamo o teu nome à noite quando durmo
e qd acordo e me mordo de tanta dor...
Quando corro à tua frente como velocista fugidia,
amarga e fria...
Sabendo q vida é uma meta triste,
se o amor insiste em correr noutra pista...
E recebo medalhas de papel,
em vez de afagos,
ou de choro em coro
em encontros alcançados...
Já não sou capaz de falar de amor,
de o gritar com todos os meus poros,
de o lamber na minha pele,
de o envolver e me envolver nele
como embrulho de fita colorida,
cheio de laços e balões!
Agora,
sempre que tento vem-me este sabor insosso à boca,
como quem queima a língua com uma bica escaldada...
Houve um tempo em q cada linha fazia sentido,
cá dentro...
Cada palavra parecia colocada no sitio certo...
Cada verso ficava em aberto,
porque havia sempre muito mais a dizer...
Hoje martelo cada frase, rimo à força,
sai de empurrão,
como refrão pobre de uma canção pimba...
Já não sei escrever palavras ternas,
historias de princesas modernas,
ou cheias de saias e saiotes e corpetes e colchetes
a arrastarem os pés nos sapatos apertados
em casamentos combinados
com reis idiotas...
Dentro de mim algo quebrou, partiu,
ou ruiu...
Estou farta de sonhos cor de rosa,
farta!!!!
Já não sei escrever poemas de amor,
nem prosa sequer,
ou tão somente uma reles carta...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Algo se perdeu...

Algo se perdeu...
No tempo que não perdoou a lágrima,
que a viu morrer, sem se doer...
No voo da ave
que era livre e hoje trás esquadria
e pouso obrigatório...
Na magia que virou truque ilusório,
ensaiado sem arte...
No desenho do teu rosto
que já não povoa o meu sonho...
Na despedida sofrida por alguém q parte,
para parte incerta...
E de repente se torna indiferente
e custa horrores...
Na minha mão aberta à espera da tua,
que se cansou de esperar e acabou por fechar...
Nas dores q se cansaram do queixume...
No ciúme q se tornou sem sentido,
despido de raiva...
Na esperança q traiu a minha confiança,
tornou-me mais sozinha, menos criança,
mais adulta e mais velha e mais morta e mais farta...
Na desculpa q não chegou, ou chegou tarde, ou azeda, ou esfarrapada,
e que não desculpou nada...
Na mentira q desta vez, infelizmente, não me cegou...
Algo se perdeu...
Ardeu numa pira de fogo, à vista de todos...
As cinzas voaram e apenas tornaram o céu cinzento,
por um vago momento...
Algo se perdeu...
Fui eu.

Mother...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A morte da bela adormecida...

De joelhos,
mãos postas em prece,
olhos semi-cerrados,
enlameados de lágrimas e maquilhagem...
Rezava...
Pedia, implorava,
mas a imagem da Virgem nem se mexia...
O desespero tinha-a arranhado na cara,
o sangue escorria pelas faces,
mas ela nem tinha dado conta, sequer...
O cheiro desinfectado do ar queimava-a por dentro,
não dormia há dois dias,
nem forças tinha para comer...
O sofrimento enlouquecia-a,
tinha-se trancado à chave com ela, ali...
Ouvia as batidas na porta, como tambores ao longe,
não queria saber...
Se ela gritasse talvez Deus escutasse,
suplicou, batendo com os punhos no chão,
magoou-se nos nós dos dedos...
Confessava-se aos gritos,
pedia perdão...
Na cama, como princesa encantada,
a bela adormecida que não acordava...
As faces ainda eram rosadas,
tinha herdado a beleza da mãe...
Morria, tão cheia de vida,
sem nunca ter sido beijada por ninguém...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Right on... Right on...

O amor q nos compete, ja não sabe competir...

Toca-me...
Envolve-me no abraço que desafia tempo e espaço,
quando os dedos concorrem com a língua em corridas renhidas....
Agarra-me...
Com as mãos, com os braços, prende-me com as pernas da tua alma,
nesta fúria que se acalma pelo toque e que começa no cetim dos lábios,
deixa que o esplendor do teu prazer se possa ler dentro de mim...
Beija-me...
Não há silencio que provoque maior tortura...
Segura-me...
Sem que a razão se apresente, ou se despeça...
Não me deixes fugir, não me deixes escapar, não me deixes amar outros com a fúria que te compete...
Promete...
Ama-me...
Seremos figuras geometricas, esferas, triangulos, parelipipedos
vistas de costas, de lado, de frente, de todos os ângulos,...
Puras descargas eléctricas, viajando por metais em conexões mentais...
O tambor desenfreado do meu peito estabelece ritmos,
as faces são botões de rosa que se espreguiçam num rubor atrevido...
o ruído deste prazer que se revela, mora na brecha de uma janela alta,
sem vidros, sem portadas, sem cortinas embrulhadas de vergonha...
Soltam-se borboletas confusas às gargalhadas da floresta escura dos meus olhos...
Os meus olhos só alcançam o seu voo para te tocar em gestos demorados...
O desejo veste esta sede medonha e avassaladora de te arranhar,
como se eu pudesse marcar em ti o meu território,
ronronando gemidos, tatuando o meu cheiro na tua pele...
Nada repele a vontade, nada...
Os sentidos são impérios orientais, catalogando caricias
com nomes sagrados de animais...
Os movimentos repetidos são castigos conservados em compotas de frutas,
tantos sabores, tantos odores, tantos açúcares!
Os corpos são ondas indecisas, ora morrem, ora nascem à beira-praia...
Reflexos de velas de pavios a meia haste, não ha tempo q nos baste,
sou sacrifício em pirâmide em solstício de império Maia,
transpirando delírios, martírios...
Fomos feitos para pertencer...
Fomos feitos...
Fomos...
Já não somos...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

LovEloVeLoVEloVeLovElovELOVelOVe...

O trovador já não canta canções de amor!

Caminho sobre areias soltas,
atrás de mim os passos apagam-se,
nas memorias envoltas em nada...
Somos apenas sombras q passam,
sem deixar rasto, ou traço daquilo q um dia foram...
A imortalidade é uma hipérbole triste
q existe apenas no consolo à beira morte...
Queria lá eu viver para sempre,
se a vivência só é fertil em sofrimento e decadência...
A morte é a minha sorte,
sei q um dia não errarei mais por aqui
cega, apalpando pedras, muros, castelos...
Belos os tempos em q valia a pena amar,
o amor, hoje é um trovador cansado
q nada tem de imaculado...
Cheira mal, sabe a sal, arranha-me por dentro,
por fora, toda eu sou traços de sangue e dor...
Caminho por areias soltas, talvez movediças,
armadilhas de imagens mortiças...
As revoltas q nascem dentro de mim
são as mesmas q me baixam os braços...
Caminho por areias soltas, molhadas, cansadas...
Persigo talvez vãs madrugadas em
buscas tristes dos teus passos...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A fase da crisálida!

Saltou!
Atirou-se, peito erguido, olhos fechados, pernas juntas e esticadas como réguas...
O corpo inverteu-se, agora eram os braços e a cabeça q apontavam o chão, num pino maravilhoso... Mergulhando, rasgando o ar, desafiando a gravidade, voando numa plena confiança, que lhe segredava q ela possuía a leveza e a graciosidade de uma pena!
Uniu as mãos, era uma pequena flecha humana, certeira e precisa, vislumbrando o objectivo, a imaginação permitiu-lhe ver a concretização, segundos antes de acontecer...
Sabia-se capaz!
Em segundos o seu corpo embateria contra o chão, com tal velocidade e ferocidade que nenhum osso ficaria intacto,
seria um banho de sangue, um tecido mole e abstracto...
O amor está sempre adjacente à dor...
O poder q ele exercia sobre ela, terminava ali!
Abriu os olhos, deu uma gargalhada,
tinha morrido, o alivio da libertação embriagava-a de prazer!
Viu o seu corpo patético e amorfo, la em baixo, sepultado no fundo do penhasco!
Deixou-o decompor, ser refeição de larvas disformes q seriam crisálidas, também ela tinha despido o corpo disforme e amorfo de um amor doente, agora renascia em gargalhadas e novos fôlegos, no seu corpo erguiam-se asas coloridas, tb ela sofrera a abençoada metamorfose!