terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Passaros feridos...

As asas tocaram-lhe na cara, como leques... Desafiavam-na para voar uma vez mais... Aproximou-se do peitoral e tentou que os olhos não medissem a distância até ao chão, mas o chão cortejava-lhe os olhos e ela mediu cada milímetro do medo...
Todos os pássaros voavam ao seu redor. O vento das suas asas seduziam-na tanto, que se entranhava na carne, corroendo-lhe a pele, dilacerando-lhe a alma em tortura q transmitia sempre uma calma aparentemente pura...
A tormenta esconde-se onde menos se espera e nela encontrara o refugio de veludo perfeito...
Nascera com aquele ar de quem merece voar, como se o chão se enterrasse por não lhe merecer os pés.
As asas que lhe abençoavam as costas, eram a marca de agua de uma linhagem proibida que oscila entre o céu e a terra, fruto de um grande amor que nunca devia ter acontecido, mas como tantos amores improváveis, aconteceu!
Um semi-anjo com sentimentos semi-humanos...
Agora as asas da mulher-anjo temiam a queda dos homens, ou o medo dos homens castravam o voo dos anjos...
A mulher alada estava apaixonada e sabia que agora era tudo ou nada...
Ou voava, ou caía...

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