sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Painel de azulejos...

Ergueram-se muros,
onde antes só haviam colinas,
cresceram da terra dos meus sonhos,
como filhos de sementes invisíveis...
Fizeram-se labirintos de esquinas,
com cantos escuros, arestas sensíveis...
Impossíveis de percorrer de olhos fechados...
Hoje os sonhos são diferentes,
menos brilhantes e ofegantes,
espreitando por frestas,
buracos,
onde só cabe um olho de cada vez...
Divagando por corredores estreitos,
que os protegem das dores...
(ou dos amores esquivos, talvez...
Mas os sonhos não foram feitos para serem cativos... )
Os nossos desejos às vezes quase atravessam as paredes...
Mas temos tanto medo...
De sofrer ante os outros, de sofrer em segredo...
De mostrar que podemos e sabemos chorar...
Ou mostrar q não sabemos...
Passamos a vida
em paredes cruéis,
enfeitadas por painéis de azulejos...
Passamos os dedos nas superfícies vidradas,
fazemos de conta que nos permitimos sonhar,
apenas porque os azulejos têm paisagens desenhadas
e os nossos desejos aprendem a contemplar...

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