quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lágrimas de cera...

Fecha os olhos,
as pálpebras abraçam-se molhadas,
doridas, embebidas em lagos,
implorando afagos q não chegam...
Fecha todas as luzes à sua volta...
Envolta em escuridão,
sente-se outra...
Pode fazer de conta q tem outros nomes,
outras historias,
outras memórias,
outras dores...
Acende uma vela,
o fogo do pavio contrasta
com o branco puro e frio da singela vela gasta...
Sua única companhia na melancolia
do luto da escuridão...
Confessa-lhe todos os medos,
numa espécie de reza...
A vela ouve com atenção,
não a despreza...
A cera da vela escorre,
numa espécie de gelatina
opaca e quente...
Ela estende os dedos,
apara a gota pequenina,
deixa q a lágrima de cera
seque no seu indicador...
Pela primeira vez ela sente
q algo se identifica com a dor,
q é só dela..
A vela entende...
A vela, como ela,
também chora, por amor...

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